domingo, abril 05, 2020

A minha rua


Havia dias em que a minha rua, a rua de São Domingos, parecia uma pista de corridas. Ao verem todo aquele espaço livre, alguns carros desciam em velocidade por ali abaixo, para raiva de quem andava pelos passeios e se sentia ameaçado por esse movimento desaustinado.

Os elétricos, esses, tinham uma velocidade mais constante e dava gosto vê-los por ali, como uma memória amarela de uma certa Lisboa que gostamos de não ver desaparecer. Às vezes, muito raras, também eles perdiam a tramontana e, como há tempos aconteceu, um deles foi-se “esbardalhar” lá ao fundo, saindo ”pela paisagem”, sem conseguir curvar para a Garcia da Horta.

Tudo isso se reduziu imenso, a quase nada, nos dias de hoje. Os carros andam ao ritmo do “lá vai um”, como se diz na minha terra. Os elétricos, que fazem um ”fim-de-semana inglesa” (alguém se lembra do que isto era?), também rareiam, mesmo naqueles dias a que chamávamos úteis. Hoje, Lisboa, e nela a minha rua, vive, de quando em vez, atravessada por motos da “Uber-eats” e da “Glovo”, nas entregas casa a casa. Mas, nem por isso elas deixam de acelerar pela minha rua abaixo.


5 comentários:

  1. Anónimo08:49

    Garcia da Horta ou Garcia de Orta ?!

    MRocha

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  2. saudades de subir essa rua para visitar um amigo que vive lá ao cimo, na rua da Lapa.

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  3. Liberal correia17:25

    Confinado,a leituras sem fim, com tanto cientista de “
    algibeira a mandar bocas o senhor fez-me recuar aos sábados
    que rotativamente trabalhava no expediente a tarde
    Rico’s sábados à tarde sem o chefes e com visitas das
    para conversar Eram anos de chumbo mas dava para alegrar....sem telefonista
    Daqui da Bristh Columbia a espera do regresso
    Muito obrigado por recordar a semana inglesa
    Vou tentar explicar aos meus netos, no intervalo das nossas conversas em português
    Liberal Correia

    PS) liberal só de nome

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  4. Anónimo18:42

    No século dezanove escrevia-se Orta. Talvez o acordo ortográfico tenha mandado o hospital de Almada escrever com H.
    João Vieira

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  5. saudades dos passeios pelas ruas de Lisboa!!!

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