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terça-feira, novembro 03, 2015

Um comentário ainda a tempo

Durante o último ano, ouvimos repetidamente o poder de turno repetir, de forma insistente, que temos (presumo que era um plural majestático) de "agradecer" aos portugueses pelo extraordinário esforço que fizeram ao longo dos últimos anos.

Sempre me irritou esse conceito, que parece reproduzir, mas de uma forma "patronizing", o gesto de reconhecimento que, regularmente, os empresários fazem junto dos seus colaboradores mais aplicados e produtivos. 

Ora os cidadãos não são "empregados" dos governantes. Estes não têm nada que lhes "agradecer"! O que coligação tem de fazer, e ainda não fez, é pedir desculpa aos portugueses pela dose cruel de austeridade que lhes impôs, muito para além daquilo que o "memorandum of understanding" obrigava, apenas para satisfazer a sua agenda ideológica radical. Deviam lamentar que, não obstante os cortes nos salários, nas pensões, o caos e desinvestimento em muitos serviços público, os números record de emigração económica provocada e todo o restante calvário de medidas impostas, a dívida, que devia ter regredido, afinal subiu brutalmente e a destruição de emprego atingiu números impressionantes. Ficar-lhes-ia muito bem fazer um "mea culpa" no momento em que se preparam para deixar o poder. Mas, conhecendo-os, não tenho a menor esperança. Ou, como se dizia antigamente lá por minha casa, "não estamos com gente disso".

Outros tempos