Posso estar enganado, mas não me parece que projete na opinião pública portuguesa um sinal de que a nova maioria parlamentar tem um sentido certo das prioridades políticas fundamentais para o país o facto de serem escolhidas questões como a eliminação das taxas moderadoras para o aborto ou a adoção por casais homossexuais como os primeiros temas em que se objetiva o respetivo entendimento. Embora pessoalmente não tenha objeções substantivas perante ambas as iniciativas, não me parece correto que se crie a ideia de que a agenda parlamentar está como que refém de causas "fraturantes", que o país está muito longe de assumir como urgentes. Em especial, fica criada a ideia de que o PS vai a reboque de uma agenda que não é a sua. Menos feliz e sintomático me parece também o facto de se terem detetado, e evidenciado a público, divergências formais entre os partidos da nova maioria quanto ao modo de apresentação da questão da reposição dos feriados, o que obrigou ao atraso na iniciativa legislativa - cuja pressa, aliás, não é nenhuma. "First things first", dizem os ingleses e com razão.
Em tempo: um amigo faz-me notar, em jeito de remoque, que o PSD/CDS defende a posição que exprimi neste texto. "And so what?". Eu penso pela minha cabeça. E acho muito bem que, por uma vez, sigam o que eu digo...