O PDR anunciou que não dará indicação de voto na primeira volta das eleições presidenciais, ao mesmo tempo que o seu líder, Marinho Pinto, desistiu de se apresentar na ocasião. Como sabemos, o PDR não conseguiu eleger um único deputado nas recentes eleições legislativas. O único sucesso por aquelas bandas acabou por ser a eleição do próprio Marinho Pinto para o Parlamento Europeu, há mais de um ano, embora sob a bandeira de um outro partido, que logo abandonou.
Todos nos recordamos ainda das declarações escandalizadas que fez, logo que chegado a Estrasburgo, protestando contra o "excesso" de benesses dos parlamentares europeus, o que logo foi seguido da afirmação de que não prescindia de nenhuma delas, porque necessitava do dinheiro por motivos familiares. Não foi a sua "finest hour" e, confesso, tive então o pressentimento de que esse era o princípio do seu fim político.
Com sincera pena sobre uma pessoa que conheço há muitos anos, a quem o país ficou a dever, em tempos, algumas declarações desassombradas que abanaram o espaço público, acho legítimo concluir que Marinho Pinto pode estar a desaparecer como figura pública com alguma relevância.
Sempre considerei Marinho Pinto um democrata e, ao contrário de outros, nunca o vi como um populista com um perigoso discurso anti-partidos. Frequentemente, apreciei a sua coragem, a sua frontalidade e e o seu destemor. Mas fico com a ideia de que, com este ziguezaguear autocentrado em que a sua vida política se converteu, acabou por "perder o tempo de entrada", como se diz de alguns atores que se revelam desajeitados em cena. A peça vai prosseguir sem ele.
