sábado, setembro 27, 2014

Seniores

Há dias, foi Sofia Loren. Hoje, é Brigitte Bardot que faz 80 anos. Respeitáveis "seniores", como agora se diz. Deixo imagens, assumidamente nostálgicas, de quando eram promissoras "juniores".

sexta-feira, setembro 26, 2014

Probidade

Ser livre tem imensas vantagens: permite-me, por exemplo, dizer que discordo frontalmente da "exigência" hoje colocada por António José Seguro ao primeiro ministro no sentido deste abrir ao escrutínio público as suas contas bancárias, relativas aos anos em que o então deputado Pedro Passos Coelho tinha dedicação exclusiva na AR. Percebo que isso pudesse ser muito esclarecedor, mas parece-me algo desproporcionado face à gravidade objetiva das suspeitas que andam no ar. Embora saiba que muitos amigos meus não vão gostar de ler isto. É que eu considero que a divergência política que tenho com o primeiro ministro e com o seu governo tem de ficar à porta deste tipo de questões que relevam da ética pessoal.
 
Devo dizer, embora sem nenhum elemento concreto a apoiar esta minha perceção, que tenho o dr. Passos Coelho por uma pessoa séria. Talvez eu esteja influenciado pelo facto de conhecer a sua família, que é gente de bem. E, olhando para a sua vida, nunca nela vislumbrei o menor dos sinais exteriores de riqueza ou de ostentação deslumbrada que, infelizmente, marcam a imagem de muitas pessoas da nossa classe política - desde logo, muita gente do seu partido, mas não só.
 
Uma acusação de falta de seriedade nas "contas" é sempre algo de muito grave. Por isso, e até prova concreta em contrário, acredito na palavra do cidadão Pedro Passos Coelho e na sua probidade. E digo-o com toda a sinceridade e sem a menor ponta de ironia. Mas ele tem de ajudar.
 
O dr. Pedro Passos Coelho, com apoio dos arquivos da ONG em que colaborou, deve procurar explicitar, muito rapidamente, quais as despesas pela quais foi reembolsado por essa mesma organização. Até ao cêntimo. Posso admitir que, nas suas notas pessoais, não disponha desses elementos. Mas não é crível que a ONG em causa não tivesse uma contabilidade organizada que agora possa permitir dilucidar, de uma vez por todas, esta questão, que está a inquinar a nossa vida política e a lançar uma sombra, quiçá desnecessária, sobre o dr. Pedro Passos Coelho.
 
Pergunto-me ainda porque é que na imprensa, que até agora tão atenta se tem mostrado às questões patrimoniais deste caso, nunca surgiu uma reportagem completa, que possa revelar o espetro de ações levadas a cabo por essa ONG, ligada à "Tecnoforma", cuja existência e prolongamento de atividade ao longo do tempo induzem a realização de um vasto programa de realizações. No que me toca, estou muito interessado em saber o que fez, de facto, o "Centro Português para a Cooperação" e, nomeadamente, que tipo de fundos públicos utilizou durante a sua existência. E isso não pode ser objeto de qualquer tipo de reserva de informação. É de interesse público, porque terá mobilizado bens públicos.

quinta-feira, setembro 25, 2014

"Os gatos não têm vertigens"

Cada vez mais, na minha vida, opto pelas reações mais simples e automáticas. Um amigo, há minutos, no Chiado, dizia-me que, no cinema, escolhe sempre cadeiras de coxia, para poder sair se o filme lhe não agrada. Há muitos anos que, sempre que posso, procedo de forma idêntica: se não estou a apreciar o que vejo, "desando" logo, vou "à vida", porque já não tenho idade para me aborrecer com histórias que me entediam. Se, na televisão, "zapamos" quando nos não apetece o que estamos a ver, se fechamos, sem cerimónias, um livro que nos não agrada, porque não sair de um filme (ou até de um teatro) a meio? É o que eu faço.

Vem isto a propósito, curiosamente, de um filme que me provocou uma reação contrária. Trata-se do "Os gatos não têm vertigens", de António Pedro de Vasconcelos. Há mais de quatro anos, escrevi neste blogue: "António Pedro de Vasconcelos pertence a uma raça muito rara de cineastas portugueses que conseguem cumular três características: terem indiscutível qualidade, não serem chatos e, seguramente por isso, terem, entre nós, um público que paga para ver as suas obras - essa coisa pouco comum, algo "suspeita" e até menos dignificante, no peculiar mundo da produção cinematográfica lusa".

O filme a que faço referência fez-me passar momentos deliciosos e divertidos. Construído com arte e graça, servido por um conjunto magnífico de atores onde se destaca - e não o digo por uma velha amizade - Maria do Céu Guerra, é uma obra que recomendo vivamente. Por ali estão a Lisboa contemporânea, os tiques da sociedade portuguesa de hoje, o problemas e as figuras de um país cheio de interrogações mas, igualmente, onde ainda é possível descortinar gestos de solidariedade e de generosidade que, afinal, também são belas caraterísticas nossas.

quarta-feira, setembro 24, 2014

A busca e a abdicação

Há minutos, o "Le Figaro" deu a notícia de que foi descoberta uma prancha do original desenhado por Hergé para "O Ceptro de Ottokar", de Tintin, que estava perdida atrás de um móvel, na casa de um colecionador. Segundo o jornal, pela sua raridade (os Dupond/t juntos com Tintin), esta prancha é valiosíssima.

Não sei porquê, olhando para o desenho, para o trágico momento do governante confiando na investigação, sem o que a sua abdicação seria certa, dei comigo a imaginar que Dupond e Dupont podiam hoje ser membros da PGR. Eu diria mesmo mais: da Procuradoria Geral da República! Mas é claro que tudo isto se passa na Sildávia.

"Ó rapariga és tão feia!"*

Existem histórias de piropos brejeiros, outras de piropos incómodos e inconvenientes, mas há piropos que têm o sabor de uma história, uma história de vida que se preserva como um acontecimento e que deixa marcas.

Esta é a história de como um piropo foi importante na minha vida e dela fez parte.

Ó rapariga és tão feia!

Este piropo perseguiu-me durante anos. Andava ainda na escola, tinha que obrigatoriamente passar por uma velha taberna onde estava sempre sentado num banco, também velho e desgastado, um homem gordo de rosto avermelhado e brilhante, voz surda e de idade indefinida ou, eu pelo menos, não lha sabia definir. Retenho dessa imagem, típica de tempos idos, dos homens que, fugindo ao convívio familiar, faziam das tabernas locais de encontro. Retenho, na passagem, os cheiros, aquele cheiro agridoce do vapor do vinho, das comidas, exalando fumos e aromas. 


E aquele homem sempre ali, como sentinela constante, presente nas conversas e sempre atento ao movimento da rua.

Eu passava, eu tinha que passar. Por vezes atravessava a rua e furtava o olhar daquele lugar. Deliberadamente procurava ignorar a presença certa daquele homem, subtraí-la ao meu olhar vagueando-o para um lado e para outro, para a parede, disfarçando, resistindo ao olhar furtivo. E encontrava, encontrava sempre ou era ele que me encontrava naquela furtividade mal denunciada, mal disfarçada. Outras vezes eu remexia nos bolsos do casaco ou na mala, na esperança que ele não desse por mim. Antecipando o tempo, que falta me fez um telemóvel, tornava o disfarce mais natural, mais corriqueiro. Mas ele dava por mim. Sempre dava por mim,

Ó rapariga és tão feia!

E lá se ficava a rir, desabridamente, de um modo meio estranho e provocador. Eu podia sair de casa mais cedo, atravessar outras ruas, cansar-me num caminho mais longo, eu podia, eu podia... Mas havia sempre qualquer coisa que me levava ou me atraia à passagem por ali. A sedução de um não piropo que afinal o era.

Esse tempo passou. Nunca mais voltei a passar por ali e a lembrança daquele local, daquela taberna e daquele homem deram origem a uma difusa memória de um caricato acontecimento.


Muitos anos mais tarde, passando pelo local, já diferente, onde a taberna deu lugar a um café com um ar decadente, encontro sentado à porta, numa reedição de uma imagem antiga, a figura de um velhinho com ar simpático. Passo, em passo ligeiro, indiferente ao significado do local, das suas presenças habituais, dos cheiros e aromas que lhe davam o estatuto de local único composto de hábitos de pessoas, do ruído das conversas, das discussões mais ou menos acaloradas e de rituais. Uma vaga e distante imagem do que ele tinha representado para mim. Esquecida! Para minha surpresa oiço uma voz rouca, sumida,

Ó rapariga “cada” vez estás mais feia!

Voltei-me para trás. Era ele, o homem que tantas vezes me tinha embaraçado, cabelo branco, coluna vergada pelo peso dos anos. Reconheci-o e no reencontro senti de imediato uma imensa ternura. Aquele homem, aquela presença já não me inspiravam a vergonha e a timidez de outros tempos, as mãos não suaram por conta do embaraço que ele me provocava. Aquele homem, aquela presença eram a expressão viva de pedaços da minha adolescência e não resisti a contar-lhe o quanto me tinha perturbado nos meus tempos de juventude. Rimo-nos os dois.

Ó rapariga tu nunca foste feia eu é que gostava de me meter contigo!

Abracei-o com ternura e emoção.


Recuperei, dezenas de anos depois, a minha imagem de adolescente, afinal bonita. Nunca mais o vi mas hoje, lembrei-me deste episódio e senti saudades dos lugares e das pessoas, das muitas pessoas que viveram naquele tempo, naqueles locais e que ainda hoje povoam a minha memória.

* Esta deliciosa história é da autoria de Maria Odete Santos Silva e surgiu hoje no meu Facebook. Com a simpática autorização da autora, que a havia escrito aquando da primeira vez que o Bloco de Esquerda havia sugerido a criminalização do piropo, publico-a agora aqui.

A europeização da carreira diplomática portuguesa

O Curso de Verão 2014 do IPRI (Instituto Português de Relações Internacionais), que decorre em Óbidos, no Museu Municipal, de 25 a 27 de setembro, é este ano dedicado ao tema "Os Instrumentos da Política Externa Portuguesa: Estruturas, Representação e Desafios de Futuro".

No dia 26, cabe-me participar com José Matos Correia numa mesa redonda sobre a europeização da carreira diplomática, moderados por Teresa Gouveia.

Piropo

Leio que o Bloco de Esquerda vai levar de novo à cena parlamentar a sua proposta de criminalização do piropo. Há pouco mais de um ano, o assunto já havia sido suscitado, como então referi aqui.
 
Com esta iniciativa, aquele grupo político mantém-se na prestigiada senda de trazer a lume temáticas que estão bem no centro das preocupações maiores do povo português. É assim que se dignifica um parlamento. Grande Bloco (e isto não é um piropo!). Bem hajam!

Ilustro este post com a "American girl in Italy", uma imagem clássica de Ruth Orkin, de 1951.

(Cliquem na imagem para ver melhor)

Debates

Não foi bonito de ser ver. Teve pouca graça. O PS não saiu bem deste confronto. Quem ganhar no domingo vai ter de "colar os cacos". E não vai ser fácil. É a vida...

terça-feira, setembro 23, 2014

O debate de hoje

É hoje, ao final do dia. No fundo, há que convir, as ideias dos dois não são muito distantes, embora não seja de esperar, necessariamente, que delas resulte uma leitura idêntica sobre as coisas. Por muito que a política os aproxime - com os diabos!, ambos fizeram parte do mesmo governo, chefiado por António Guterres -, trata-se de pessoas diferentes, com um registo público diverso, fruto da variedade das experiências que os seus percursos próprios lhes proporcionaram. No final do debate, que se espera vivo e animado, caberá a cada um dos espetadores avaliar e julgar. Saiba um pouco mais sobre o debate de hoje clicando aqui.

O debate pode ser visto aqui.

Guerra petro-santa

 
Eu cá não sou de intrigas, mas quem olhar para a proximidade entre as manchas verdes (poços de petróleo) e as zonas de controlo e apoio ao ISIS (Estado islâmico) até poderia ser levado a pensar que todo este alarido e levantamento internacional contra o banditismo radical islamita pode ter também alguma coisa a ver com interesses petrolíferos. Mas não! Deve ser impressão minha...

segunda-feira, setembro 22, 2014

Manuel Ferreira Enes

Tendo estado vários dias ausente de Lisboa, só agora soube que morreu Manuel Ferreira Enes.

Vamos todos sentir falta da sua simpatia, do seu sorriso amável, das apresentações generosas que nos fazia aos novos diplomatas estrangeiros, que ele logo conhecia pelas artes da sua imbatível rede social, grangeada pelos anos nas relações públicas do turismo e hotelaria.

Nem sei bem porquê, tratávamo-nos por tu, o que, sem corresponder a uma especial intimidade, espelhava o ambiente agradável e franco que ele sempre sabia criar à sua volta.

Adorado pelos círculos das embaixadas, era uma figura sempre presente nas receções diplomáticas. Tinha a intenção de vir a contar-lhe, proximamente, uma graça que um amigo nosso espalhava desde há uns tempos. Vendo-me frequentemente envolvido em colóquios e palestras, costuma brincar: "Tu estás para as conferências como o Manuel Ferreira Enes está para os cocktails..." Acho que o Manel ia achar piada. Mas agora é tarde.

Chove chuva

Em Lisboa, chove "que Deus a dá", como diria a minha avó. Troveja mesmo. O Outono que hoje começa já está a "armar" a Inverno, para contrariar o Verão passado, que andou a copiá-lo. Os semáforos estão avariados, o que permite passar nos cruzamentos à luz da filosofia liberal ensinada na Universidade Católica, isto é, tudo ao molho, fé em Deus e quem tiver unhas que se safe.

"Portugal no mundo"

Aqui fica a lembrança para o debate que terei com Nuno Severiano Teixeira, sobre a política externa portuguesa depois do 25 de abril.

O debate terá lugar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na avenida de Berna, às 18 horas desta terça-feira, dia 23 de setembro.

Na ocasião, será feita uma homenagem à memória do professor José Medeiros Ferreira.

Memórias diplomáticas

 
Há semanas, falei por aqui dos três postos que gostaria de ter tido na minha carreira diplomática. Dentre eles, mencionei a Espanha e Marrocos. Lembrei-me disso ao acabar de ler as memórias do meu colega João Rosa Lã, que teve o privilégio de ser embaixador nesses dois países tão importantes para a nossa política externa. O livro chama-se "Do outro lado das coisas - (In)confidências diplomáticas".
 
Existe um notório défice de memórias diplomáticas no nosso país. Raros são os profissionais da carreira que passaram para o papel o saldo das suas experiências e isso prejudica fortemente a construção da nossa história diplomática e a compreensão da evolução das relações externas de Portugal. Com uma carreira muito diversificada, que incluiu algumas das grandes embaixadas portuguesas (como Washington, Bissau, Madrid e Paris), João Rosa Lã adquiriu uma visão alargada das grandes questões que têm marcado o nosso relacionamento internacional - e tem opiniões concretas sobre elas, que deixa abertamente registadas neste trabalho.
 
Para além de algumas curiosas revelações, fruto de contactos havidos durante a sua carreira de mais de quatro décadas, o livro de João Rosa Lã, ultrapassa o mero testemunho pessoal de um percurso profissional para se transformar num utilíssimo repositório de informação sobre os principais dossiês em que se viu envolvido, muitos deles de grande relevo para diversas dimensões da nossa ação externa. Construído numa escrita ágil e "reader's friendly", a obra oferece ainda, aos mais curiosos, uma "janela" sobre a vida interna do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da sua rede pelo mundo. Para um colega do "métier", estas memórias têm o aliciante suplementar de trazerem - nas suas linhas e entrelinhas - comentários e observações que se cruzam com a nossa própria perspetiva das pessoas e dos factos.
 
Para dar um abraço de felicitações ao João, irei estar, com muito gosto, no lançamento do livro, que terá lugar na Sociedade de Geografia, pelas 18 horas da próxima quinta-feira, dia 25 de setembro. A apresentação da obra, que tem um prefácio do professor Adriano Moreira, será feita por Jaime Gama. 

domingo, setembro 21, 2014

Descer à terra

O que levará um homem político a voltar atrás com a sua palavra? O que conduzirá Nicolas Sarkozy, que garantiu diante do povo francês, na Mutualité, na noite da sua derrota, que  - nunca, jamais, em tempo algum - voltaria a candidatar-se à presidência francesa, a reverter, com o maior dos desplantes, a sua decisão, dita como definitiva? 

Ainda não tive tempo nem paciência para ouvir, mas todos podemos imaginar com facilidade o argumentário patriótico que por aí virá: o dever, a França, o apelo das "francesas e dos franceses", o momento "excecional" (o que seria dos políticos sem o alibi da excecionalidade dos momentos?) e tudo o resto que é habitual.

Por detrás desta como de outras cambalhotas estará sempre uma imensa falta de respeito pelos cidadãos que, eventualmente, possam ter acreditado no que ele disse. Mas, mais do que isso, ao reverter de ânimo leve (deve também dizer que "refletiu" muito) o que tão solenemente assegurara, está a revelar uma imensa falta de respeito por si próprio. Neste caso, bem merecida.

Sei bem que, entre nós, a pequena história (não coloco maiúscula, por respeito à História) está recheada destes vai-e-vem, destas patomimices, desde quem chegou mesmo a desafiar a reaterragem divina até a quem se agarra como uma lapa aos lugares, depois de repetidamente ter anunciado mais do que uma vez o seu desapego. No fundo, estamos quase sempre e apenas perante um mar de ambição, de vaidade, do incontível desejo de não enfrentar as incógnitas do futuro imediato e de procurar controlar (e, se possível, "alindar") aquilo que já se pressentiu que a linhazeca no registo histórico acabará por fixar. "Encore un effort!", para a Wikipedia.

Em tempo: vi há pouco a longa entrevista de Nicolas Sarkozy à France 2. Sarkozy não mudou uma linha, signifique isso o que significar.

Problemas de liquidez

Tive ao longo da vida e, por um conjuntural acaso, continuo a ter, uma vida de hotéis. Nos últimos três dias, estive em três, todos pela primeira vez. Ontem, ao ler uma nota de Bagão Felix no "Público", reconheci-me nela.

Passa-se de um hotel para outro e, por mais experiência que acumulemos, o sistema das torneiras do banho continua a ser um mistério recorrente. Às vezes, entro numa nova casa de banho a ansiar por que tenha um sistema "à antiga", nada sofisticado, mesmo com o "preço" de ter um fluxo de água pífio. Tenho a sensação de que os arquitetos que engenham os mecanismos para tomarmos banho nos hotéis modernos fazem de propósito para instalarem sistemas cada vez mais complicados. Como sou um irreconvertível "late riser", o meu tempo matinal é marcado por um ritmo rápido, sem tempo para pausas ou congeminações (aliás, impossíveis para mim antes do primeiro "expresso"). Por isso, o sistema de banho tem de ser muito "óbvio", isto é, não tenho tempo a perder para raciocinar sobre como funcionam as misteriosas torneiras que giram entre o chuveiro e a água que sai mais abaixo, com crípticos mecanismos que misturam temperaturas com fluxos de água. (Recordo-me sempre do meu querido amigo Raul Solnado, quando nos explicava a descoberta dos "repuxos" nos bidés da modernidade). 

Assumo, sem dificuldade, que o defeito deve ser meu (até porque se estende, frequentemente, ao funcionamento das luzes dos quartos: há semanas, acreditem!, passei quatro noite num hotel sem conseguir perceber, por completo, como funcionavam todas as luzes!) Muitas vezes, tenho a sensação angustiada, pelas manhãs, de que necessitaria de ter um MBA qualquer para perceber como vou conseguir tomar um simples banho. Mas já não tenho idade para tirar novos cursos. 

sábado, setembro 20, 2014

Loulé

Correspondendo a um simpático convite do Carlos Albino, um jornalista gostosamente "exilado" na sua terra, que preside à Comissão concelhia para as comemorações do 25 de abril, charlei e discuti ontem em Loulé sobre a política externa portuguesa.

A sala estava bem cheia, no belo edifício da Assembleia Municipal, a que preside o meu amigo Adriano Pimpão, antigo reitor da universidade do Algarve e de quem fui colega de governo, ao tempo longínquo em que ambos nos aventurámos pelos caminhos da política. Fui por ele apresentado, num debate moderado pela politóloga Rebeca Martins e introduzido pelo presidente da municipalidade, Vitor Aleixo, neto do poeta António Aleixo.

Só espero que, no final, quem esteve no auditório se não tenha lembrado desta quadra do Aleixo:

Sem que o discurso eu pedisse
Ele falou e eu escutei.
Gostei do que ele não disse
Do que disse não gostei.

Ante-estreia

Foi há dias, na ante-estreia do novo e magnífico filme de António Pedro de Vasconcelos (de que aqui falarei em breve).

Marques Mendes entrou, com o atraso que lhe é de regra. Simpático como sempre, saudou muita gente. À minha frente, um deputado do PCP alertou-o: "Ó homem! Veja lá! Não nos conte o final do filme!"

Ser a pitonisa do regime tem destas consequências...

Sábado

Porque hoje é sábado, porque a vida nem sempre dá tempo para estas coisas, porque os leitores também têm direito a uma pausa do escriba, por aqui me fico. Tenham o melhor fim de semana possível. Até já!

sexta-feira, setembro 19, 2014

Escócia

Tal como já tinha acontecido com o Quebeque, a Escócia acabou por optar por uma solução de "conforto", recusando a aventura de se cindir de um país com expressão à escala global. É um resultado que não surpreende.  A ter sido outro, a História a médio prazo da Europa iria ser diferente e tornar-se-ia bastante mais imprevisível. Este é um mau dia para os independentistas catalães.

Taludes

Tenho uma amiga que é obcecada por taludes. Nas estradas, passa o tempo a olhar para as zonas laterais e a comentar, com o rigor solene de q...