Ontem, ao reconhecer a derrota do seu país na candidatura ao CSNU, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão atribuiu o resultado ao facto de Berlim ter assumido posições solidárias com Israel. E enunciou o óbvio: a atitude contemporânea da Alemanha continua condicionada pela memória histórica das atrocidades cometidas contra judeus por um seu governo de extrema-direita.
O que é verdadeiramente extraordinário é que, ao dizer isto, o responsável político parece não se dar conta de que admite implicitamente que essa tentativa de expiação de um crime passado conduz a Alemanha a fechar os olhos à chacina que Israel tem levado a cabo em Gaza, bem como à sua política expansionista na Cisjordânia e no Líbano — como se a culpa histórica pudesse gerar uma espécie de cumplicidade invertida perante crimes contra a Humanidade de natureza idêntica, tal como o Tribunal Penal Internacional, de que a Alemanha é parte, inequivocamente reconhece, e perante o reiterado incumprimento do Direito Internacional.
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