Há anos que ando para criar uma lista, a trazer no iPhone, com aqueles restaurantes de que raramente me lembro, ou melhor, de que digo, desconsolado, depois de uma experiência dececionante: "Ora bolas! Afinal podíamos ter ido ao..."
Hoje, através do "The Fork" (recomendo esta utilíssima app), lembrei-me de ir almoçar ao "Casanostra", na esquina da rua da Rosa com a Travessa do Poço da Cidade, no Bairro Alto. Reservei, claro, porque, nos dias de hoje, já quase só vou tomar café sem marcação. Já não tenho tempo, na vida que me sobra, para perder minutos à espera.
À chegada, de fora, vi as janelas abertas e pensei para comigo: ó diabo! Com a cidade a escaldar, temia ir ter um almoço numa sala morna e abafada. Entrámos e estava pouca gente. A temperatura afinal era aguentável, sem esforço, graças àquelas paredes fundas da Lisboa antiga e às sombras do bairro. O serviço foi muito atento, os pratos estavam todos excelentes (e magnificamente apresentados), de uma lista muito equilibrada. Só achei os vinhos estupidamente caros. Contudo, o branco da casa era "suficiente mais", a um preço aceitável.
Lembro-me bem de quando o "Casanostra" abriu, em 1986. Eu tinha chegado de quatro anos em Angola, estávamos a "entrar para a Europa" e também andava feliz pelo facto da direita ter perdido Belém (sou assim, que se há-de fazer!). O "Casanostra" e o Bairro Alto estavam então na moda. Ora eu não sou de modas: sempre me recusei a ir ao "Frágil" – não admito ter a minha admissão a um lugar julgada por alguém que está na porta (é verdade, Margarida!). Mas gosto de bons restaurantes. Ia bastante ao "Pap'Açorda" e a muitos outros poisos gastronómicos, antigos ou recentes, que havia pelo bairro: "Alfaia", "Primavera", "Primeiro de Maio", "Bota Alta", "Baralto", "Tasca do Manel", "Fidalgo", "Farta-Brutos" e alguns mais, às vezes com paragem no "Cocote", o bar do meu amigo Olívio.
O "Casanostra"é sempre, desde então, uma excelente opção. Fui lá bastantes vezes, embora não tantas como deveria. É que o estacionamento "fácil" não me estimula. Mas o restaurante tem algo que está registado na minha memória: nunca lá comi mal. E não há muitos restaurantes de que eu possa dizer isto.

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