Olhei a agenda eletrónica e nada! Zero. Hoje, 26 de junho de 2026, não tenho rigorosamente nada marcado.
O último dia útil de semana em que a minha agenda registou semelhante vazio foi em 12 de março. E esse, sejamos honestos, não contava: na véspera tinha feito uma pequena intervenção cirúrgica e estava de pousio forçado.
A notícia do meu dia livre não foi aceite em casa sem algum ceticismo: "Tens a certeza de que não tens nenhum almoço? Uma dessas tuas tertúlias? Uma reunião qualquer? Acabar um texto em atraso?" Eu tinha a certeza. Confirmei, com solenidade, o raro dia vazio.
Levantou-se-me então uma questão quase filosófica: que fazer com estas 24 horas de inesperada liberdade?
Em parte, já decidi. Um terço vai ser para dormir — oito horas que, convenhamos, são um luxo a que raramente me permito.
Mas ainda me sobram dezasseis horas! São horas suficientes para poder concluir que, afinal, desaprendi a viver com tempo livre.

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