Passa-se de um hotel para outro e, por mais experiência que acumulemos, o sistema das torneiras do banho continua a ser um mistério recorrente. Às vezes, entro numa nova casa de banho a ansiar por que tenha um sistema "à antiga", nada sofisticado, mesmo com o "preço" de ter um fluxo de água pífio. Tenho a sensação de que os arquitetos que engenham os mecanismos para tomarmos banho nos hotéis modernos fazem de propósito para instalarem sistemas cada vez mais complicados. Como sou um irreconvertível "late riser", o meu tempo matinal é marcado por um ritmo rápido, sem tempo para pausas ou congeminações (aliás, impossíveis para mim antes do primeiro "expresso"). Por isso, o sistema de banho tem de ser muito "óbvio", isto é, não tenho tempo a perder para raciocinar sobre como funcionam as misteriosas torneiras que giram entre o chuveiro e a água que sai mais abaixo, com crípticos mecanismos que misturam temperaturas com fluxos de água. (Recordo-me sempre do meu querido amigo Raul Solnado, quando nos explicava a descoberta dos "repuxos" nos bidés da modernidade).
Assumo, sem dificuldade, que o defeito deve ser meu (até porque se estende, frequentemente, ao funcionamento das luzes dos quartos: há semanas, acreditem!, passei quatro noite num hotel sem conseguir perceber, por completo, como funcionavam todas as luzes!) Muitas vezes, tenho a sensação angustiada, pelas manhãs, de que necessitaria de ter um MBA qualquer para perceber como vou conseguir tomar um simples banho. Mas já não tenho idade para tirar novos cursos.
