Israel tem um lóbi muito eficaz na América, que atravessa ambos os partidos. Religião, negócios de armas e considerações geoestratégicas marcam esses grupos de pressão, muito ativos no Congresso e que nenhum presidente pode ignorar. A segurança de Israel é um imperativo americano.
O que se passou em Gaza afetou a imagem de Israel junto de uma certa América, mas não abalou o essencial do compromisso entre os dois países. O lóbi judaico, cavalgando a luta contra o antisemitismo, segue forte do legislativo e nos mídia (e redes sociais).
Com a Síria e o Iraque bloqueados e os países do Golfo em pânico com o Irão, Israel sonhou que Trump a transformaria na potência regional do futuro. Havia contudo o "detalhe" dos palestinos, que muitos em Israel acham que não é "gente", mas que a "rua árabe" lembra que existe.
Netanyahu será impopular, mas a sua política contra os palestinos e o Irão é altamente popular. Não será por aí que cairá. O massacre dos palestinos não divide moralmente os israelitas. Só que, pelo mundo, depois de Gaza, a memória da Shoa já não tem o mesmo efeito emocional.
A curto prazo, a grande questão está em saber como Netanyahu conseguirá equilibrar a sua obsessiva ambição de um poderoso "grande Israel" com a vontade de Trump de fazer um compromisso para pôr termo a uma guerra bem mais difícil de ganhar do que Netanyahu lhe prometera.
Se Netanyahu vier a arriscar contrariar ostensivamente Trump, fazendo-lhe perder a face, terá um problema. Tudo indica, contudo, que o PM israelita sabe até onde pode esticar a corda, "respeitando" sempre o narcisismo megalómano do amigo americano. O Líbano será um bom teste.
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