quinta-feira, março 17, 2022

Ucrânia


Por mais uma semana, o podcast ”A Arte da Guerra”, a minha conversa com o jornalista António Freitas de Sousa para o “Jornal Económico”, tem o tema da Ucrânia no centro. A esse propósito, falaremos das margens de compromisso que se desenham, do papel da China e dos impactos na política interna americana.

Pode ver aqui.

quarta-feira, março 16, 2022

Uma coisa é a Ucrânia, outra coisa são as sanções

A Rússia pode vir a obter uma abdicação parcial da soberania da Ucrânia (aceitação da não entrada na NATO, estatuto diferente para os territórios no Donbass, talvez um passo institucional favorável aos seus interesses na Crimeia, admissão de um período de continuidade de presença militar no país, etc). 

Porém, mesmo na hipótese desse compromisso vir a ser obtido, o que representará sempre uma relativa rendição da Ucrânia, nunca conseguirá que o mundo ocidental venha a levantar a esmagadora maioria do pacote de sanções.

É que as sanções à Rússia, se foram claramente espoletadas pelo ataque à Ucrânia e para o punir, vão, de futuro, ter um outro objetivo: conseguir conter, enfraquecendo-a, a capacidade económica e estratégica de um ator político-militar que revela ser um poder que põe em risco a perspetiva ocidental da segurança europeia.

O objetivo

A Rússia nunca terá encarado outro cenário que não fosse executar uma invasão militar da Ucrânia. Sabia que o ocidente nunca aceitaria as “condições” formais que apresentou e usou um imaginário “genocídio” no Donbass como pretexto puramente artificial. O objetivo da Rússia era destruir as infraestruturas ucranianas, militares e estratégicas, e garantir que a Ucrânia se acomodava a um estatuto de soberania limitada. Conseguiu o primeiro objetivo e pode estar prestes a obter o segundo. Terá, no entanto, de avaliar se o preço que está, e vai continuar a pagar, terá compensado o que obteve ou obterá.

Linguagem e expressão

Eu uso, com toda a clareza, a expressão “agressão militar russa à Ucrânia” e acrescento, quando acho necessário e me apetece, que tal foi feito feito “sem qualquer provocação” e “sob falsos pretextos”. Mas também admito, sem o menor problema, que outros usem uma linguagem diferente, que tenham outra e até oposta perspetiva, e que a exponham na comunicação social. A liberdade em que gosto de viver é isso mesmo.

Ide!

Na minha terra, em 1961, aquando da partida das primeiras tropas para a guerra colonial, ficou famosa a exortação de um capelão aos "bravos rapazes": "Preparemo-nos para a guerra! Ide!" 

Ao ver o afã com que alguns apelam para que "se" avance para combate na Ucrânia, lembrei-me disso.

Odessa


A fotografia é da famosa cena do massacre na escadaria de Odessa, no filme mudo ”O Couraçado Potemkin”, de Serguei Eisenstein, de 1925. 

Vi o filme, creio que no Cinema Império, 49 anos depois de ter sido produzido. A cena é longa, mais de 10 minutos. Na parte final, a que a imagem se refere, um carrinho, com uma criança dentro, desce, descontrolado, através dos degraus, depois da mãe da criança ter sido alvejada. Lembro-me de que Eisenstein pontua o percurso do carrinho com imagens das pessoas abatidas.

A cidade ucraniana de Odessa, por essa e por outras razões de memória pessoal e da História da Europa, é uma das localidades do mundo que sempre me apeteceu conhecer - e que nunca visitei. Agora, vai ser difícil.

terça-feira, março 15, 2022

O tempo

Este texto é para gente com alguma idade.

Lembram-se do 25 de Abril? Claro que se lembram! O tempo que já passou depois dessa data, não é? Vai para quase meio século. Só gente com mais de 60 anos tem memórias sólidas desse tempo de transição entre a ditadura - que começou nos militares do 28 de maio, depois seguiu com Salazar e caiu com Caetano - a democracia dos cravos vermelhos.

E agora pensem: só daqui a dois dias é que o período democrático, inaugurado pela Revolução de Abril, irá igualizar, em tempo, o período do regime ditatorial inaugurado em 28 de maio de 1926.

Já pensaram bem no que isso significa? Portugal viveu uma das mais longas ditaduras do mundo - e não venham com versões edulcoradas de um regime que censurou, excluiu, prendeu, torturou e matou gente!

Esqueçam!

Desde há meses que os promotores de um blogue pró-russo, de extrema direita, deixam, em tentativas de comentário, quase todos os dias, e sob vários heterónimos, consecutivos links para publicações feitas nessa plataforma. Fazem-no, quase sempre, embrulhando essas ligações em insultos de vária ordem, com expressões racistas, anti-semitas, anti-europeias e, claro, muito anti-americanas. Mal eles sabem que o botão “delete” terá sido inventado para dar o destino devido às suas coisas! Nunca abro as coisas oriundas dessa gente! E gabo-lhes a paciência de continuarem a escrever, talvez na esperança de que eu, um dia, me distraia e ajude à sua propaganda. Se assim é, esqueçam!

Sarilhada

Vou dizer o que pode ser tido como uma banalidade, mas que é o que sinceramente sinto: as decorrências do ataque russo à Ucrânia estão a começar a deslizar para o que pode ser uma grande sarilhada à escala global. Desejo estar a ser pessimista.

Ucrânia


Ao final da tarde de ontem, tive um grande gosto em participar, conjuntamente com o professor Azeredo Lopes, numa palestra organizada pela Associação de Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, dedicada à guerra na Ucrânia.

Foi interessante observar como o tema pode, na serenidade de um ambiente académico, por iniciativa dos estudantes, ser tratado de uma forma rigorosa, sem que as emoções empurrem o debate para um qualquer radicalismo argumentativo. Que diferença face ao modo crispado, às vezes algo censório, como o assunto tem vindo a ser abordado por aí!

Jorge Silva Melo (1948-2022)

 

segunda-feira, março 14, 2022

O país da estrada velha


As redes sociais acabam por ser, frequentemente, um vale de nostalgias. O “antes é que era bom” é, por aqui, o mote costumeiro. As pessoas não se dão conta de que, em regra, a idade tende a cristalizar apenas as memórias positivas. Por isso, as saudades são, quase sempre, apenas as saudades que temos de nós mesmos, nesses outros tempos, em que éramos mais novos, mais saudáveis, sem tantas preocupações, com os nossos ainda junto a nós, em que o futuro, em que tudo parecia possível, estava ainda à nossa frente. 

Lembrei-me disso nestes dias em que, tendo de viajar entre a “Invicta” e Vila Real, decidi, metade à ida, metade à volta, para contrariar a rotina, fazer uma “rota de saudade” pela velha estrada que, no passado, era a única ligação entre o Porto a Amarante, quando a A4 nem miragem era. 

Descontado para estas contas o dédalo do Marão, nesses outros tempos eu quase que conhecia de cor todo aquele percurso, as curvas, os poisos de comida, as lojas à beira da estrada (ainda lá está o inesquecível Bazar Fatinha, na Travanca), as “bombas” de gasolina, os cruzamentos, até algumas árvores que marcam a paisagem. De início, ia por ali em carros de familiares, depois nas camionetas do Cabanelas, mais tarde ao volante. 

Fiz aquilo “mil vezes”. Em todas essas vezes, tive tempo para olhar para tudo, para a Assembleia de Penafiel, para os bombeiros de Baltar (hoje, vi que mudaram de sítio), para uma farmácia, perto de Paredes, numa moradia que eu tinha como modelar: sempre achei que a farmacêutica devia viver em cima e que seria muito cómodo descer, a meio da manhã, para ver como ia a caixa. E, divertido que ia, dei comigo a esperar que uma senhora de forte buço nos viesse vender regueifas, como então o fazia, com elas penduradas no braço, numa higiene pré-ASAE, entrando nas camionetes “de carreira” ou em vendas à berma da estrada. 

De repente, caí em mim, parei a retrospetiva e olhei para tudo aquilo com olhos de ver.

Já experimentaram refazer aquela estrada, sem nostalgias? De Amarante até Ermesinde ou Rio Tinto? Já repararam no horror da maioria daquela paisagem, entre o suburbano degradado e o rural em quase total descaso? Já olharam bem alguns monstros arquitetónicos com que, a cada passo, deparamos, o alumínio das marquises, as cores sinistras e inimagináveis de muitas das casas, as ruínas frequentes, os muros caídos, os azulejos de gosto abaixo de péssimo que enchem as paredes? 

Dá vontade de pedir uma espécie de sindicância estética, requisitar fundos europeus para demolir alguns daqueles monstros ou, como um dia me dizia um amigo apocalíptico, num passeio pelo Algarve, “só um saudável terramoto podia resolver isto”. 

Eu não iria tão longe na cruel metáfora. Mas é desse Portugal, desses “bons tempos”, do país da “estrada velha”, que alguns ainda têm saudades? 

Deixo-os com a imagem de uma esquina arruinada da Tabopan, da Abreu, perto de Amarante, onde, não muito longe, me lembro de haver uma fábrica de caixões. Este é bem a imagem desse Portugal já “falecido”. 

Viva o futuro, caramba!

domingo, março 13, 2022

Sauditas

Em apenas 24 horas foram executadas 81 pessoas na Arábia Saudita: mais pessoas do que em todo o ano de 2021, quando 67 pessoas foram sujeitas à pena capital, ou em 2020, quando o número foi de 27.

As acusações dos condenados iam desde terrorismo a terem “crenças desviantes”.

Não há nada como apanhar o mundo distraído com outras notícias, devem ter pensado lá por Riade.

Tolerância

Ao olhar o que vai pelas redes sociais, percebe-se que a tolerância para aceitar a legitimidade da livre expressão de perspetivas que contradigam aquilo que alguns pensam começa a ser já um bem escasso no mercado das ideias.

Regular o caos

Até a condução de uma guerra, com todos os horrores que ela sempre implica, revela alguma coisa sobre dignidade de um Estado - ou a falta dela. Não é por acaso que nos lembramos de Wiriamu ou de My Lay. A Rússia será sempre medida pelo que fizer na Ucrânia.

Kherson

De entre as muitas e às vezes microscópicas pulsões para “independência” no espaço ex-soviético, confesso que nunca tinha lido nada sobre as ambições da região de Kherson, na Ucrânia, no sentido de se transformar numa “república popular”. Mas estamos sempre a aprender.

Da série…


… das fotografias que gostaria de ter feito. 

Salut, Alain Krivine!


Acabo de ler que morreu, há poucas horas, Alain Krivine. Tinha 80 anos.

"Sabes quem é aquele tipo, ali na mesa do canto? É o Alain Krivine". A mesa onde Krivine estava sentado era a mesma da histórica fotografia de Sartre e de Simone do Beauvoir, no Café de Flore, em Paris. O amigo que me fazia a revelação, nessa noite de há cerca de 10 anos, era o António Silva, com quem a estúpida lei da morte me não deixa agora comentar este episódio, que me trazia à memória outros tempos.

As tardes no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, respondendo aos deputados, durante a presidência portuguesa da União Europeia de 2000, tinham alguma graça. 

O secretariado-geral do Conselho preparava-nos umas respostas em "langue de bois", para as perguntas enviadas por escrito pelos deputados, com antecedência. A "emoção" estava, assim, nas réplicas a que os parlamentares perguntadores têm direito, feitas de improviso, muito mais "livres" e, às vezes, fugindo claramente ao tema da pergunta. 

Devo confessar que me dava um certo gozo exercitar a minha criatividade discursiva nas respostas a essa segunda parte de cada intervenção. Quase tanto como olhar, de viés, para as caras ansiosas dos funcionários do Conselho, que tão ciosamente haviam preparado as respostas "by the book" e que viviam esses momentos de liberdade do representante da presidência com clara expetativa e burocrática angústia.

Entre os deputados eleitos para o PE houve e há figuras gradas da política passada de vários países, muitos ministros e até primeiros ministros e presidentes da República - como Mário Soares. Mas aqueles que me "saíram em rifa", nesse semestre de 2000, foram quase sempre obscuros parlamentares, com nomes algumas vezes muito estranhos, de sonoridades gregas, eslavas ou nórdicas. É que esse tempo é utilizado, quase sempre, para afirmação da devoção desses deputados a causas muito específicas, o que lhes permite uma saliência mediática de que os seus colegas mais conhecidos já não necessitam.

Numa dessas longas tardes de Estrasburgo, ouço o presidente do parlamento anunciar: "Dou a palavra ao deputado Alain Krivine". Acordei do marasmo com aquela menção e, de imediato, procurei, no imenso areópago quase vazio, colocar um retrato no nome acabado de anunciar. O nome de Alain Krivine dizia-me alguma coisa. Figura histórica do trotskismo francês, havia sido candidato à presidência da República, não me passando a mim pela cabeça que fosse então deputado europeu.

Três décadas antes, no início da década de 70, numa visita a Paris, eu fora levado por amigos a assistir a um comício da "Ligue Comuniste Revolutionnaire", que teve lugar na "Mutualité", perto da Sorbonne. (O Joaquim Pais de Brito e o António Belém Lima, estavam então comigo e lembrar-se-ão. Tal como o faria o José Carlos Serras Gago, se, entretanto, não tivesse partido). 

A LCR era um grupo trotskista com certa expressão na esquerda francesa e, embora as teorias de Trotsky pouco me dissessem, achei graça assistir a um comício dessa extrema-esquerda - num tempo em que, em Portugal, apenas a União Nacional e a sua sucessora Ação Nacional Popular reuniam em público sem medo de vigilância policial.

A pergunta que Krivine fez à presidência portuguesa foi, como era de esperar, violenta e agressiva, sobre uma temática que já não recordo. Devo confessar que tenho ideia de que a minha resposta foi mais "soft", nostalgicamente atenuada pela memória de um passado no qual, embora de forma menos radical, eu também acreditava em que os "amanhãs" poderiam vir a cantar. Depois, infelizmente, foi o que se viu...

Naquele final de tarde, no Flore, perguntei ao Francis, que vagueava patronalmente entre as mesas, o que é que Alain Krivine estava a beber. Era um Chablis. Pedi outro para mim. Afinal, como dizia Voltaire, "les beaux esprits se rencontrent".

Hoje, na noite chuvosa de Vila Real, não tenho um Chablis à mão. Sirvo-me de um Bushmills! Salut, Alain Krivine!

Os russos dos mares do Sul


Há quase duas décadas, quando vivia em Viena, fui convidado, pago pela OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa), para intervir numa conferência em Sharm el-Sheikh, no extremo sul da península do Sinai, no Egito, organizada em cooperação com uma entidade egípcia ou internacional cujo nome já não recordo. 

Passávamos os dias encafuados em salas fechadas, em graves discussões sobre temas de segurança, com um belo sol, lá fora, a apelar ao baldanço. Mas eu era "keynote speaker" e tinha de levar muito a sério o convite que me tinha sido formulado. Só ao final da tarde é que me aventurava a dar um breve mergulho no Índico. 

A cidade de Sharm el-Sheikh não tem, ao que me lembro, a menor graça, é um mar de hotéis, uns melhores do que outros, todos aproveitando as águas macias e transparentes do Índico, cheias de corais, às vezes, com alguns tubarões, é verdade. 

Mas nem tudo foi banal, nesses dias que por ali passei. Pernoitar no deserto, sob as estrelas, com momentos rituais de absoluto silêncio, bem como visitar o curioso mosteiro de Santa Catarina, na base do Monte Sinai, que eram trajetos obrigatórios para quem ia a Sharm el-Sheikh, foram momentos únicos. 

Recordarei para sempre uma conversa com um padre espanhol do mosteiro, que me falou longamente da sua experiência egípcia, da vida na solidão daquele deserto, e de como isso o tinha feito olhar o conceito do tempo com outros olhos. 

A segurança, ao que parece, impede hoje fazer essas viagens pelo deserto, a exemplo do que também se passa agora no nordeste do Sinai, um deserto onde já não é possível fazer o interessante percurso, atravessando o Suez, entre o Cairo e Al Arish, uma magnífica praia, com hotéis bastante "délabrés", não muito longe da fronteira de Rafah, perto do acesso egípcio à faixa de Gaza. 

Numa das noites de Sharm el-Sheikh, depois de um jantar, resolvi fazer um percurso exploratório pelo hotel onde decorria a conferência e estava hospedado, um imenso espaço desenhado em forma de crescente. Andei pelos jardins e, em certo momento desse passeio, deparei com um local que me pareceu ser um bar. Dele emanava boa música, gente com um ar de turistas, divertidos e ruidosos, com algumas mulheres muito bonitas. Entrei e dirigi-me ao balcão a pedi uma bebida. Notei que alguns dos circunstantes, eles e elas, me olhavam com alguma curiosidade. 

A barwoman que me serviu, que notei que era tudo menos egípcia, perguntou a minha nacionalidade. Satisfeita a curiosidade, explicou-me que, embora me pudesse servir um copo, aquele era "um bar para russos". Ela também o era e, de facto, foi nesse momento que notei que, à volta, tudo estava escrito em cirílico. Quase de certeza, a única pessoa não-russa que por ali parava era eu. Fora a estranheza pela minha inusitada presença, nada de particular se passou. Acabei de beber calmamente o meu whisky e zarpei para o "meu" lado do hotel, com registo de memória desse instante curioso. 

É que, por esses dias, eu havia-me esquecido de que Sharm el-Sheikh, desde o fim da União Soviética, se tinha transformado num local muito popular de férias para os russos de classe média (os que têm mais dinheiro vão para destinos mais glamorosos). Havia por ali vários hotéis praticamente "só para russos" e, naquele em que eu estava hospedado, havia alas que lhes eram totalmente destinadas. Eu é que me perdera por lá, por engano.

Agora, com as sanções financeiras a limitar os seus movimentos, os cartões de crédito cancelados, as férias em risco e as consequências da guerra prestes a fazerem sentir-se de forma muito pronunciada na vida das classes médias do país, os turistas russos devem ter abandonado Sharm el-Sheikh. E como a sanções têm um inevitável efeito “boomerang”, a economia e o turismo egípcios irão sofrer com isso. Nada de bom sai de uma guerra.

sábado, março 12, 2022

Construtores involuntários

Na velha ironia europeia, costuma dizer-se que ao dois idealizadores das Comunidades, Jean Monnet e Robert Schuman, é justiça somar o nome de José Estaline, por ter sido o medo à URSS um dos cimentos essenciais para este inédito processo de cooperação mais estreita entre nações.

Não sabemos se se concretizarão as ambiciosas ideias integradoras que saíram da cimeira da UE de Versailles. Se isso vier a suceder, um outro líder de Moscovo, igualmente por más razões, acabará por ter também o mérito de ser reconhecido como um “construtor” europeu.

A dignidade da República

O incidente na sala de um partido na Assembleia da República não é um "fait-divers". Sem a menor ironia, acho aquilo gravíssimo.  ...