domingo, maio 30, 2021

Guerra nossa

O sectarismo clubístico da paróquia é tal que alguns conseguem transformar o Chelsea-Manchester City, como se vê aqui nas redes sociais, num pasto para as suas obsessões e ódios a nível nacional. Não há nenhuma vacina para isto?

Ai ia?!

O PSD anuncia que “afinal” não vai estar presente no encerramento do congresso do Chega. 

Ah! Mas então estava previsto que fosse! Muito me contam!

sábado, maio 29, 2021

“Observare”


A Bielorrúsia, o futuro da NATO, a questão síria, a nova “desordem” internacional de poderes mas, igualmente, a gravidade da questão no Tigray etíope e o reconhecimento, pelo presidente Macron, de responsabilidades francesas nos massacres de 1994.

Pode ver aqui.

Bolas

É nestes dias de grandes jogos de futebol que me vem à memória a histórica frase de comentário televisivo de Alves dos Santos: “Lá vai o jovem Simões, inteligência nos pés e futebol na cabeça”.

"Uma Família Inglesa" revisited


Isto nada tem a ver com o post anterior...

 


sexta-feira, maio 28, 2021

Recordando Salazar

Há pouco, numa velha pasta com papelada, encontrei um projeto de artigo que, em fins de 1970, tinha preparado para o jornal de Vila Real, “A Voz de Trás-os-Montes”. 

O diretor desse jornal da diocese, o padre Henrique Maria dos Santos, aceitava, com grande generosidade, desde 1968, textos que eu lhe enviava de Lisboa, onde vivia. De início, todos os artigos eram publicados. Depois, com o tempo e com certas “ousadias” da minha parte, constatava que alguns textos “caíam”. O padre Henrique explicava-me que o censor local, o capitão Medeiros, andava cada vez mais “de pé atrás” face àquilo que aparecia subscrito por mim. É que já tinha levado uns “apertões”, de “lá de cima, de Lisboa”, por ter caído em algumas “habilidades” minhas.

O texto que agora encontrei, tem uma nota manuscrita, à margem, de que foi “censurado pelo Medeiros, segundo me disse o padre Henrique”. O artigo não trazia nada de especialmente gravoso para o regime e tratava corretamente o “presidente do Conselho”, Marcello Caetano. Porém, ao referi-lo, eu “esclarecia” que ele era a pessoa “que substituiu António de Oliveira Salazar, um académico de Coimbra que, como os mais velhos ainda terão na memória, chefiou o governo do país por algum tempo”... Salazar tinha morrido cerca de três meses antes! 

Uma obviedade daquelas era demais para o pobre do Medeiros! 

Passos perdidos

Passos Coelho foi a vedeta silenciosa do MEL. Todos lhe fizeram rapapé. Por horas, fez salivar de saudade a orfandade da direita. Agora, manda informar que não contem com ele para as eleições internas do PSD. Estranho! Quem não quer ser dom Sebastião que não lhe vista a armadura.

quinta-feira, maio 27, 2021

“A Arte da Guerra”


Assista à edição desta semana de “A Arte da Guerra”, uma conversa com o jornalista António Freitas de Sousa no âmbito do “Jornal Económico”.

Esta semana falamos do destino do acordo de investimento UE-Índia, do conflito entre a Espanha e Marrocos e da situação grave que envolve a Bielorrússia.

Pode ver aqui.

quarta-feira, maio 26, 2021

Bielorrússia

Lukashenko só ficará no poder se Putin quiser. Embora a Bielorrússia não seja uma mera “província” da Rússia, a capacidade de decisão autónoma de Minsk acaba quando os seus atos têm consequências estratégicas de dimensão regional, como acontece no caso presente.

Putin não arriscará favorecer uma qualquer transição política em Minsk que abra portas a uma maior influência ocidental, em especial que dê espaço a um papel futuro da vizinhança báltica ou polaca junto de uma nova liderança. A lição da Ucrânia foi bem aprendida.

Lukashenko tornou-se um problema para Putin. Uma solução constitucional sem ele seria o cenário ideal para diluir tensões. Para Moscovo, contudo, o caminho é estreito: não é fácil desenhar uma liderança alternativa sem alimentar as ambições democráticas que floresceram no país.

Se tivesse inteligência tática e se o ocidente estivesse disposto a um compromisso estratégico, Putin poderia pilotar uma transição política em Minsk, recebendo, na outra mão, algum gesto compensatório de distensão na relação, quer com a UE, quer com os EUA.

É triste ter de constatar uma coisa: não existe, no “mercado” da soluções políticas, num quadro geopolítico como aquele em que a Bielorrússia se move, nenhum cenário de transição para um regime democrático “à ocidental”. E tudo se fará à custa da soberania do país.

E posso sempre estar enganado, claro.

O MEL visto por um zangão

  1. O MEL, em especial graças a algumas das estrelas convidadas, terá ficado aquém das expetativas de agregação da direita. Mas fiquem atentos: vai vir aí uma revoada de textos, em especial no “Observador”, a fazer “damage control“, explicando que a culpa, como não podia deixar de ser, acaba por ser da esquerda!
  2. O Dr. Rui Rio afirma, com regularidade que o PSD não é um partido de direita. Mas vai ao evento do MEL, onde sabe que vai encontrar os PSD tresmalhados que criaram o Chega e o IL, tentando evitar que alguns mais lhe fujam para essas alas. Não acho que vá ter muita sorte. Nem eu, nem, ao que parece, David Justino.
  3. É pena que a Europa, que está no título do MEL, seja, manifestamente, o parente pobre dos debates.
  4. O MEL parece estar a ser uma inestimável exposição de um setor político onde, em algumas áreas, se sente um claro desespero pelo afastamento do poder. Preocupante, e espero que também para muitos participantes, é a emergência de alguma condescendência para com o autoritarismo, passado ou futuro.
  5. Sempre me pareceu natural este encontro das direitas. É mesmo politicamente saudável que partilhem um debate sobre o país e nos digam o que pensam. Convidarem ou não o Chega, também é lá com eles. Connosco fica apenas o direito de avaliar quem se sente bem na companhia de quem.
  6. Confesso que temo telefonar a alguns amigos que estiveram no MEL, perguntando-lhes se se sentiram confortáveis em todos os momentos do evento.

“Madrid me mata!”




A líder da direita madrilena, Isabel Ayuso, está a ser, nos tempos que correm, o “ai jesus!” da direita da paróquia. Posso perceber.

Arlindo Barbeitos


Julgo que terei conhecido o Arlindo Barbeitos, como era vulgar nessa Luanda dos anos 80, num jantar em casa de alguém. Seria com a Alzira e o João Sobral Costa? Não sei, nem isso interessa hoje muito. Só sei que fiquei marcado pela serenidade sorridente daquele que me foi então dito ser um reputado poeta, depois de ter andado anos pela guerrilha. Era etnólogo, formado em Frankfurt. Tinha um perfil físico que sempre achei muito pouco angolano, o estilo que podia ser de um árabe.

Esse nosso primeiro contacto foi breve. O Arlindo estava acompanhado pela mulher, a Maria Alexandre Dáskalos, uma figura que com ele contrastava, pela expressão histriónica, olhos vibrantes e um discurso um tanto torrencial. Trocámos apenas as palavras vulgares desse tipo de ocasiões.

O meu segundo encontro com o Arlindo teve mais graça. 

Semanas depois daquele jantar, ao deitar uma olhada, ao passar, para a sala de espera da embaixada, vi o Arlindo ali sentado, a olhar o infinito. Explicou-me que aguardava ser recebido por um colega meu.  Mas tinha havido uma situação imprevista e ele tinha ainda para uma boa meia hora de espera. Perguntei-lhe se não queria, entretanto, ficar no meu gabinete. Era mais cómodo. E para lá fomos.

Falámos, para encher o tempo, de algumas pessoas que ele tinha conhecido, no passado, na embaixada e, a certa altura, saiu-lhe esta: “Sabe com quem estou um pouco aborrecido? Com o seu colega Seixas da Costa!”.

Divertido, alimentei o equívoco: “Ah sim?! E porquê? O que é que se passou?”. Explicou: “Depois que ele saiu de Luanda, escrevi-lhe uma carta e nada! Confesso, que sendo ele um homem tão atencioso para os amigos, não esperava uma atitude dessas do Seixas da Costa!”.

“Dei gás”, por um tempo mais, à confusão: “Sabe como são os correios! Conheço bem o Seixas da Costa e sei que ele não deixaria de lhe responder. Quer que lhe diga alguma coisa?”. Que não, que ia escrever-lhe de novo...

Achei então por bem desfazer, de vez, o quid pro quo. Ele queria referir-se ao Luís Filipe Castro Mendes, colega que, anos antes, passara pela embaixada, poeta como ele. Acabámos a rir, comigo a achar imensamente graça a ouvir-me falar de mim como se fosse outra pessoa.

Algumas vezes lembrámos o episódio, quando nos encontrávamos. Isso acontecia, por algum tempo, com frequência, nesse pequeno mundo social, às vezes mais intelectual ou político, às vezes apenas divertido e para espairecer, de uma certa Luanda que eu então percorria nos lazeres, com um imenso gosto. Nunca chegámos a estabelecer uma relação próxima, mas fixou-se uma forte cordialidade entre nós.

Depois, a vida levou-nos para sítios distantes: ele foi viver para a Argélia e eu regressei à Europa. Tenho, contudo, uma vaga ideia de o ter cruzado, pelo menos uma vez, algures no mundo. À Maria Alexandre, vi-a, numa última ocasião, no bar Procópio, já lá vão muitos anos.

Porque falo hoje do Arlindo? Porque ontem, numa pesquisa sobre outro assunto no Google, o seu nome surgiu-me mencionado numa nota do Ciberdúvidas (obrigado, Zé Mário!), com uma referência terrível: duas datas dentro de um parêntesis (1940-2021).

O Arlindo tinha morrido em Luanda, de covid. Ora, há poucos dias, eu soubera que a sua mulher, Maria Alexandre Dáskalos, que também tinha andado pela poesia, falecera também, ainda no passado mês de abril. 11 dias antes! Que tragédia familiar! 

Com a idade, não só o futuro começa a fugir-nos como vamos perdendo cada vez mais o que nos restava do passado. Bom, resta-nos o presente! Bem dizia o (também) poeta romano: “Carpe diem”.

terça-feira, maio 25, 2021

Terça

Esta terça-feira passou tão rápido que, se me não lembrassem, já me escapava a escrita de um longo e muito substantivo texto aqui no blogue. Ele aqui fica. Não, não foi por ter estado entretido com a reunião do MEL. Eu é mais zangões!

segunda-feira, maio 24, 2021

Carlos Santos Pereira


A melhor homenagem que posso prestar ao jornalista Carlos Santos Pereira, que agora desapareceu, é deixar aqui dito, enquanto profissional de relações internacionais que fui, que ele me ajudou a perceber bem melhor alguns cenários políticos, desde logo a antiga Jugoslávia.

Ceuta

Nestes dias em que tanto se fala de Ceuta, talvez alguém devesse lembrar que Luís de Camões viveu lá por três anos, tendo-lhe aí acontecido um notório acidente oftalmológico.

CNN (2)

Andei anos a dizer que tinha uma familiar que havia trabalhado na CNN. Os olhos dos interlocutores arregalavam-se de admiração, até eu esclarecer que tinha sido na Companhia Nacional de Navegação...

Agora, com a vinda para cá de uma CNN, vai “ser mato”!

CNN

O país acordou hoje com a notícia de que Portugal pode vir a ter a “sua“ CNN. 

Talvez fosse importante alguém explicar, a quem o não saiba, que as CNNs que existem pelo mundo não têm, necessariamente, uma orientação editorial similar à “mãe” americana. 

Da Turquia ao Brasil...

domingo, maio 23, 2021

Mais um vizinho


Hoje, domingo, deu-nos para visitar um outro restaurante da vizinhança, o “Clube dos Jornalistas”, na rua das Trinas, na Madragoa.

No edifício de uma antiga escola primária, tem um interior diferente do expectável, decorado com gosto sóbrio, em madeiras e tons fortes (atenção a um degrau entre duas dependências, onde já uma vez me “esbardalhei”, como se diz na minha terra). 

Ao longo da sua já longa existência, notei que o restaurante teve já várias encarnações mas, vale a pena dizer, sempre com uma qualidade apreciável. Recordo-me de que chegou a andar por mãos bascas (oferecia, então, uns dentes de alho imersos em azeite, deliciosos, porque que lhes atenuava o caráter agreste e se trincavam com gosto), com propostas originais e interessantes. Agora, ao que reparei já há tempos, mudou de rumo gastronómico, mas não se perdeu na inventividade, talvez antes pelo contrário.

Nos anos 90, costumava ter por lá muitos almoços. Em um deles, a dois, Mário Soares revelou-me histórias curiosas, algumas quase proibidas, dos bastidores históricos do PS. Lembro-me também de que ali organizei uma jantarada da nossa “fornada” diplomática de 1975. E até um dia ocupámos o espaço com um casamento de amigos.

O “Clube de Jornalistas” beneficia de um espetacular pátio traseiro com jacarandás, abrigado de ventanias, onde, em dias de sol, se almoça (e, ajudando o clima, se janta) magnificamente.

Tinha passado lá, há meses, numa pausa da pandemia e regressei agora. A lista atual é muito criativa, com pratos bem apresentados, com toques de originalidade culinária, que revelam uma mão segura na cozinha. O serviço é sereno, educado e sabedor, conferindo um bom ambiente ao espaço.

O “Clube dos Jornalistas” é um segredo (talvez demasiado) bem guardado em Lisboa. Pela qualidade da sua oferta, pelo ambiente e por todo o seu conjunto é um lugar que merece ser mais conhecido e frequentado. Ah! E peçam o tinto do Douro “Dois” (indicação do meu amigo Fernando Neves). Vivamente recomendo.



Church’s


Ontem, na sindicância de verão às prateleiras de sapatos, deparei com uns Church’s bem antigos - se é que o conceito de antigos se pode aplicar àquela marca prestigiada de sapatos eternos.

Tenho poucos Church’s e sei, exatamente, onde comprei cada um desses pares. Nessas ocasiões, segui uma sábia asserção do precetor austríaco do rei dom Manuel, que andava sempre equipado com os mais caros produtos de vestuário e calçado, explicando: "Não sou suficientemente rico para poder comprar coisas baratas". Só levei à prática esse conselho no tocante aos Church’s.

Um dia, nos anos 90, em Londres, tive a jantar em casa uma colega e o seu pai, uma figura encantadora que, como a muitos aconteceu, recorreu aos médicos britânicos como última esperança para uma doença cancerígena que o minava. Infelizmente com razão a curto prazo, o parecer médico, logo na ocasião, não deixou espaço para nenhumas ilusões.

Ficou-me na memória afetiva, para sempre, a ironia triste, mas com admirável "panache", com que o pai dessa minha amiga, no final do jantar, me disse que, nessa tarde, decidira-se, finalmente, a fazer algo que há muito tinha pensado: comprar uns Church's. "Sabe, dizem-me que duram 20 anos. É tempo suficiente..."

Jornalismos

A conversa, moderada por Maria Flor Pedroso, reuniu no Clube dos Jornalistas três profissionais da área do jornalismo, ao final da tarde da ...