Ficou ontem decidida a substituição de Vitor Constâncio da vice-presidência do Banco Central Europeu, no termo do seu mandato de oito anos.
Ocupou esse cargo num período em que o BCE desempenhou um papel de crescente relevância na política europeia, em especial desde que está sob a presidência de Mario Draghi.
Constâncio foi, até agora, e depois de Durão Barroso, o português que ascendeu a um lugar mais elevado nas estruturas europeias. Partilha também com Barroso um estatuto de “mal-amado” na política interna portuguesa, no seu caso por ser apontado por muitos como o principal responsável pelas deficiências na supervisão do sistema bancário português, ao tempo que era governador do Banco de Portugal, cuja debilidade a crise financeira veio a revelar em toda a sua extensão.
Pensem o que pensarem os seus críticos internos, o facto é que Vitor Constâncio é hoje uma personalidade portuguesa altamente considerada nos círculos europeus. Aliás, ironicamente, no seu quadro de tarefas no BCE coube precisamente o desenvolvimento dos novos modelos de supervisão bancária europeia, que são vistos como bastante eficazes.
E, ao contrário dos “mixed feelings” que o balanço de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia acabou por suscitar, dizem-me que o apreço pelo trabalho que foi desenvolvido por Constâncio no BCE é um sentimento generalizado.