terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

Vitor Constâncio



Ficou ontem decidida a substituição de Vitor Constâncio da vice-presidência do Banco Central Europeu, no termo do seu mandato de oito anos. 

Ocupou esse cargo num período em que o BCE desempenhou um papel de crescente relevância na política europeia, em especial desde que está sob a presidência de Mario Draghi. 

Constâncio foi, até agora, e depois de Durão Barroso, o português que ascendeu a um lugar mais elevado nas estruturas europeias. Partilha também com Barroso um estatuto de “mal-amado” na política interna portuguesa, no seu caso por ser apontado por muitos como o principal responsável pelas deficiências na supervisão do sistema bancário português, ao tempo que era governador do Banco de Portugal, cuja debilidade a crise financeira veio a revelar em toda a sua extensão.

Pensem o que pensarem os seus críticos internos, o facto é que Vitor Constâncio é hoje uma personalidade portuguesa altamente considerada nos círculos europeus. Aliás, ironicamente, no seu quadro de tarefas no BCE coube precisamente o desenvolvimento dos novos modelos de supervisão bancária europeia, que são vistos como bastante eficazes.

E, ao contrário dos “mixed feelings” que o balanço de Durão Barroso à frente da Comissão Europeia acabou por suscitar, dizem-me que o apreço pelo trabalho que foi desenvolvido por Constâncio no BCE é um sentimento generalizado.

6 comentários:

alvaro silva disse...

Português "very typical" Dentro de portas é o que se sabe, trabalhar deslustra. Fora de portas ilustra. Aforismo velho, bom criado mas mau patrão. não é o primeiro nem será o último.

Mal por mal disse...

Emigramos, somos bons, raramente nos transformamos em "sem abrigo".

Pedro Vendas disse...

Curiosa comparação entre o cargo ocupado por DB e o cargo ocupado por VC. Diria que não são comparáveis, parece-me... As diferenças de categoria e responsabilidade de cada um dos cargos parece-me muito, muito grande, para se poder comparar, sequer comparar.

Anónimo disse...

Como se o Banco Central Europeu - BCE - fosse uma referência de aptidões, ou do que quer que seja. Foi esse mesmo BCE, já sob a direcção de Mário Draghi, que decidiu cortar a torneira aos bancos gregos - corruptos - quando o novo governo do Syriza (que posteriormente se vergou perante o Eurogrupo , Berlim, a CM e o FMI), cujo resultado foi o que se sabe, o desespero dos clientes que, de um momento para o outro, não puderam levantar o dinheiro dos Multibancos. Contâncio, ao que recordo, estava lá e não se opôs àquela decisão. Ou estarei enganado? Não me parece, mas...
Quanto aos tais bancos gregos, as ligações que tinham com outros tantos bancos corruptos franceses e alemães, que os financiavam e os levavam a optar por operações financeiras desastrosas (na Grécia), safaram-se...à custa da injecção de capital que se seguiu, via Troika, sendo que uma larga parte dos empréstimos à Grécia, entrou naqueles bancos corruptos gregos para depois sairem logo de seguida para os tais bancos corruptos franceses e alemães, que, caso contrário, patinariam e ficariam numa situação financeira muito difícil. Ou seja, a dita Troika para a Grécia (e aqui, em Portugal, com o governo de Passos/Portas, a coisa não foi muito diferente, embora numa dimensão muito menor) solucionou o "problema" grego injectando dinheiro na banca grega para pagar aos bancos franceses e alemães que lhes tinham emprestado dinheiro para diversas aventuras economico-financeiras desastrosas e ruinosas (como cá!). Que resultaram no desastre que sabemos. Ao tempo dos governos, inqualificáveis, do Pasok e da Nova Democracia (conservadores). Algum tempo depois, a banca grega, uma vez recebida aquela injecção de dinheiro, consegue "exportar" 80 mil milhões de euros para fora da Grécia, para paraísos fiscais (!) - ou seja, a fim de melhor avaliarmos, uma importãncia superior aquela que Portugal pediu emprestado à Troika, de 78 mil milhões de euros! E, de cedência em cedência o Syriza acabou nas malhas da Troika, do Eurogrupo daquele famigerado holandês, um criado do então Ministro das Finanças alemão (em boa hora já substituído - bem amado de Victor Gaspar e de Maria Luís Alobuquerque, "sempre de joelhos" perante o indivíduo), que, embora pouco percebesse de Feinanças, é um advogado, lá ia impondo a sua orientação ecnomico-financeira.
E por conseguinte, sai Contâncio, que nada fez para travar os ímpetos de Mário Graghi, a fim de ser substituído por "outro que tal". E assim vai o BCE! Ao serviço do pior do Neo-liberalismo, embora actualmente, aparentemente, amenizando as suas exigências, até ver.
a) B. Contreiras

dor em baixa disse...

Pode ser que o apreço pelo seu trabalho tenha sido bom, aliás isso acontece sempre com os altos funcionários perante os seus pares, as exceções só ocorrem quando se formam grupos políticos adversários. Os cidadãos é que nada sabem. Por aquilo que que me é dado conhecer, quer no BdP quer no BCE, mais parecem sinecuras.

Anónimo disse...

Outro "rolha".....