quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Legitimidades


Fernando Negrão teve um resultado medíocre na votação para líder da bancada parlamentar. Outra coisa não seria de esperar. Os deputados social-democratas que lá se sentam foram escolhido por Passos Coelho e eram, na sua esmagadora maioria, fiéis a Luís Montenegro (que, talvez não por acaso, se safou da liderança do grupo em tempo útil, obrigando agora um seu “genérico” a sair pela direita baixa), que já se posiciona para afrontar Rui Rio, ao primeiro despiste deste.

De todo o modo, vale a pena perguntar: quem tem mais legitimidade? A nova liderança de Rui Rio, de que Negrão faz parte, votada em eleições diretas pelos militantes do partido, com o resultado sufragado em congresso, ou deputados eleitos há mais de dois anos, num contexto político muito diferente, que foram perdendo pelo caminho as suas “cabeças de cartaz”, Passos Coelho e Montenegro? Claro que Negrão não os representa! Eles são, maioritariamente, a setor do partido que foi derrotado nas diretas, e que também não conseguiu virar o congresso contra Rio. A conclusão é simples: o grupo parlamentar do PSD que está em S. Bento não representa, de facto, o partido que votou maioritariamente em Rio.

Os deputados que hoje ignoraram ou provocaram Negrão (e, por seu intermédio, Rui Rio) já perceberam que têm de lutar para que o novo líder não chegue às eleições legislativas de 2019. Querem que ele caia antes, com um “levantamento” organizado, tendo por pretexto um eventual mau resultado nas eleições regionais ou, com maior probabilidade, nas eleições europeias. 

Mas por que diabo não esperam esses contestatário pelas legislativas onde, muito provavelmente, a “tareia” do PS no PSD irá ser ainda maior? Por uma razão muito simples: é que, nessa altura, as listas do PSD que irão a votos estarão naturalmente já repletas dos novos fiéis de Rio, muito dos quais não são hoje deputados.

É que aqueles que, na votação de hoje, humilharam Negrão, e de que este e Rio conhecem muito bem os nomes, sabem que, se for Rio a organizar as próximas listas de deputados, vão perder o emprego, pagando com língua de palmo o seu gesto de hoje. E Negrão lá estará para lho lembrar, de dedo apontado para cada um deles. Rio até pode vir a perder a presidência, em face de um mau resultado nas legislativas de 2019. E Montenegro pode mesmo vir a assumir o seu lugar. Mas, neste caso, o grupo parlamentar com que "contará" em S. Bento será formado maioritariamente por gente de Rio. As vinganças servem-se frias. E as vichyssoises também, lembrará alguém.

Isto vai ter muita graça!

4 comentários:

Anónimo disse...

Negrão não devia aceitar o lugar depois daquela humilhante votação. Quanto ao PSd, parece que elegeu o...próprio PSD como inimigo a combater, ou seja, como oposição. Rio começa mal e não vai lá. Mas, também Santana nada traria de melhor. Nem Montenegro. Quem pode salvar o PSD depois da derrota que irá sofrer em 2019? Depois do afundamento de Passos, afunda-se o PSD. Temo o pior!

Anónimo disse...

Ele é o tempo de mudança no mundo partidário nesta Europa já considerada velha.

Em Portugal era necessário há muito tempo, mas os respectivos barões e outros caciques não permitiram essa adaptação ao tempo. Vamos ver o que acontecerá aos partidos (todos) que compõem a Assembleia actual, em 2019 e se a mudança acontece ou se se continua neste bairrismo tão português.

Anónimo disse...

"Temo o pior!" Ou o melhor!!

Anónimo disse...

Nada a fazer: Portugal é um país profundamente conservador e provinciano. Os mesmos comentários. Tacanhos que se referiram com pânico relativamente à actual forma de governo são os que agora se assombram com uma entente Entre Costa e Rio .Sem entendimento entre ambos não haverá contudo reformas a sério na sociedade portuguesa pois PC.e BE são forças intrinsecamente conservadoras.