“Há coisas difíceis de dizer a um amigo: uma delas é que essa pessoa tem mau hálito e que isso se torna incómodo para os outros. Mas temos que fazê-lo, porque, por menos cómodo que isso possa ser, estamos a poupar essa pessoa a situações desagradáveis, até de rejeição, de que ela própria, porque não tem consciência disso, será o principal prejudicado. Uma vez disse isso a um colega nosso. No primeiro instante, pareceu-me ligeiramente perturbado mas, no fim, acabou por me agradecer.”
A fala reproduzida no parágrafo anterior não é minha: foi-me dita por um prestigiado embaixador, bem mais velho do que eu, num café de uma capital europeia. A conversa tinha-nos conduzido, sei lá bem porquê, àquele estranho tema. Eu ia dizendo que sim com a cabeça, seguindo o raciocínio do homem. Por um lado, dava-lhe razão: deve ter-se a coragem de avisar os amigos desse aspeto desagradável. Mas, por outro, pesavam mais as razões que me levavam a coibir-me de dizer ao meu interlocutor que, também ele, tinha um odor insuportável a sair-lhe da boca.