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domingo, fevereiro 25, 2018

O cônsul sem consolo



Notei que o homem estava agitado. Pensei, contudo, que esse nosso cônsul honorário, numa bem remota cidade num país do "Sul" do mundo, cujo nome agora esqueço, vivia apenas o nervosismo de estar a assistir à visita de uma figura portuguesa de certo destaque, que eu acompanhava.

A certo passo, puxou-me à parte e queixou-se:

- O nosso embaixador podia ter-me avisado com mais antecedência. Só ontem é que me disseram que vinham cá dormir. Não tive tempo para preparar nada de jeito.

Sosseguei o homem e disse-lhe que estava tudo a correr muito bem, desde o encontro com as autoridades locais até à receção com os escassos portugueses ali residentes. Só o bizarro hotel, com as banheiras cheias mas sem água corrente nas torneiras, é que deixava muito a desejar. Mas, que podia ele fazer!, era o único alojamento disponível na cidade.

O nosso cônsul honorário, no entanto, continuava inconformado. E insistia:

- É que eu podia ter preparado umas coisas bem mais agradáveis, se tivesse sabido da visita com tempo.

Expliquei-lhe que a decisão da deslocação fora tomada num prazo muito curto, procurando acalmá-lo:

- Mas está tudo impecável! O que é que o meu amigo podia ter feito mais?

- Ó senhor doutor! Com tempo, eu tinha montado lá em casa um programa "de truz" para os senhores, com umas "garinas" magníficas, tudo "material" garantido e sem problemas. Mas não me avisaram! Isto não se faz!

De facto...

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