Com a idade, tornamo-nos mais sábios? Não tenho essa certeza. Comigo, a idade teve como efeito interrogar-me cada vez mais sobre as opções que tomo na vida, tentar evitar que a precipitação, num juízo ou numa atitude, constitua um erro desnecessário. É claro que essa hesitação pode ser lida por alguns como calculista, como derivada de uma "agenda" ou da necessidade de nos preservarmos para poder vir a tê-la. Num outro registo, esta pausa deliberada para reflexão pode ser interpretada como alguma angústia na decisão, aquele estado de incapacidade de escolha, típico de quem se baralha nos prós-e-contras das coisas, num reflexo da idade. Como, felizmente, o primeiro caso (já) não se me aplica, só posso caber na segunda e frágil opção. Constato-a com pena, mas sou suficientemente lúcido para não me inquietar demasiado com o assunto.
Ontem, ao olhar para o cartaz em que o PS coloca uma senhora a dizer que está desempregada desde há cinco anos, isto é, desde o tempo do governo Sócrates, dei comigo a pensar: este cartaz ou é uma imensa genialidade ou é uma enorme cretinice. Mas porque não acredito que, no seio de uma campanha que imagino deva ser altamente pensada, profissional e responsável, se façam cretinices com tal ligeireza, sou conduzido à conclusão de que o cartaz, na sua (só) aparente irracionalidade, corresponde afinal a uma estratégia profundamente estudada, testada e "straight to the point". O cartaz tem, assim, de ser genial. Apenas em teoria me atrevo a admitir outra opção, sem sequer ousar expressar o que pensaria dos responsáveis da campanha, se acaso assim não fosse.