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quarta-feira, agosto 26, 2015

Abastecimento

Surgiu ontem a história de uma chinesa que, impedida de entrar num avião com uma garrafa de cognac, decidiu bebê-la toda de seguida e, claro, acabou muito mal...

Esta história trouxe-me à memória um episódio que faz parte dos anais de uma certa boémia de Vila Real, nos anos 50/60.

Havia na cidade um grupo de amigos, sob a liderança benévola de António Fernandes, um homem abastado e "bon vivant", conhecido pelo "Antoninho do Talho", que se dedicavam a grandes "tainadas" e imemoriais convívios. Às vezes, o convívio prolongava-se mesmo em viagens ao estrangeiro, de que há anedotas deliciosas, algumas das quais citadas em livros. 

Havia, porém, uma limitação forte na logística dessas deslocações: a necessidade de levarem o próprio vinho, aparentemente por não confiarem na capacidade de um abastecimento à altura, lá pela estranja. Ficou mesmo nas lendas o despacho de uma partida de garrafões numa ida ao Brasil, no famoso "Voo da Amizade", então promovido pela Tap e pelas desaparecidas Panair e Varig.

A historieta de hoje, que veio a propósito do drama da chinesa, é bastante mais prosaica e, ao que se conta, teve lugar na fronteira entre Quintanilha e San Martin del Pedroso, na estrada de Bragança e Zamora. 

À passagem do automóvel da divertida comitiva, que iria com destino a Paris, a polícia espanhola, como era de regra, mandou abrir a bagageira da viatura e, deparando com uma imensidão de garrafões de vinho não declarados "para exportação", fez menção de reter a vital mercadoria. O pânico pela iminente desaparição dos néctares instalou-se nos viajantes, que tentaram explicar que todo aquele "material" era, muito simplesmente, para consumo. Os guardas vestidos de cinzento, abotoados até ao pescoço, com os famigerados chapéus pretos em forma de tricórnio, não se mostravam convencidos do destino não comercial do vinho.

Terá sido então que o Magalhães, uma divertida figura da família dos Macário, sacou a rolha de um dos garrafões e iniciou o respetivo emborcanço, para estupefação dos cívicos, apenas como forma de revelar o nível de consumo que era expectável no grupo. Um dos polícias mandou então suspender o ato e, ao que reza o mito urbano, terá constatado: "Van ustédes muy mal suministrados"... E lá os deixou seguir!

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