O jornal "O Sol" tem hoje um artigo com uma nota de estranheza pelo facto muitas das mulheres que concorrem ao exame em curso de acesso à diplomacia terem, de forma esmagadora, sido eliminadas na prova de cultura geral. Para além das habituais teorias (estúpidas!) da conspiração, importaria, de facto, tentar perceber a razão objetiva deste resultado. Serão as mulheres, em geral, menos conhecedoras das coisas da cultura comum do que os homens? Não sei responder e disse isso mesmo ao jornal.
A diplomacia abriu-se às mulheres, pela primeira vez, em 1975, no concurso em que eu próprio entrei para a carreira. Depois disso, o êxito masculino nos diversos concursos, foi quase sempre predominante. Curiosamente, num júri de que fiz parte, 20 anos mais tarde, em 1995, foram admitidas mais mulheres do que homens. E, neste ano de 2015, mais 20 anos decorridos, estou a coordenar um curso de preparação para o concurso. Dentre os alunos que foram selecionados até agora, as mulheres estão em grande maioria...
O artigo de "O Sol" tem uma falha importante. O título é "Elas não servem para diplomatas?" Talvez valesse a pena lembrar que a Secretária-Geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, uma embaixadora que é a figura mais elevada da hierarquia da carreira, é uma mulher... O artigo ficaria mais equilibrado se lembrasse isso, não acham?