Durante anos, a APU e depois a CDU - compostas pelo PCP, pelos Verdes e pela Intervenção Democrática - concorreram às eleições legislativas em listas conjuntas. Nesse tempo, nunca a ninguém passou pela cabeça que Corregedor da Fonseca, um simpático cidadão de que a maioria dos leitores nunca ouviu falar e que era o líder aparente da Intervenção Democrática, tivesse um tratamento televisivo próprio, isto é, que fosse chamado aos debates em pé de igualdade com António Guterres ou Marcelo Rebelo de Sousa.
Esse é o preço das coligações pré-eleitorais: quem procura ganhar sinergia com listas conjuntas, colocando-se sob a tutela de uma "chapa" única, concede à liderança dessa mesma coligação a titularidade para a representar. E isso começa logo pelos debates televisivos.
O dr. Paulo Portas, não obstante as qualidades mediáticas que o convertem num "must" televisivo, como mestre de "soundbites", onde quer que vá falar da "lavoura" e de outros temas magnos de interesse pátrio, converteu-se hoje, goste ou não, numa espécie de novo Corregedor da Fonseca.
Por isso, não se queixe. Foi o dr. Portas quem atribuiu a si mesmo - e isso começou no dia em que abandonou a JSD e deixou de ser o diretor dessa esplêndida folha informativa que dava pelo nome de "Pelo Socialismo" - o destino eterno de Poulidor da política portuguesa.
"Poupou" também era muito popular entre os franceses, que lhe achavam imensa graça, durante a Volta à França. Só que nunca ganhou nenhuma! Ficou várias vezes em segundo, lugar que, numa competição, acaba por ser o mais parecido com o último. E Paulo Portas já terá entendido que ser o "second best" da direita é, para todo o sempre, a sua triste sina.