- Há alguns índices positivos sobre a situação económica portuguesa que são incontestáveis.
- É verdade.
- De certo modo, isso acaba por tornar mais difícil a vida do Partido Socialista...
- Essa agora! Não sei porquê?
- Não sabes porquê? Porque isso pode ser posto a crédito do governo, por parte dos eleitores.
- Mas há uma explicação muito fácil para esse ambiente de crescente confiança na nossa economia. E o governo pouco tem a ver com isso, antes pelo contrário.
- Não me vais falar da melhoria da situação económica internacional, do efeito do "quantitative easing" do Dragui, do interesse da Europa em edulcorar o nosso ajustamento para não perder razão no caso grego, do rácio favorável euro-dólar, da queda do petróleo, dos sinais claros da retoma em Espanha...
- Também podia falar de tudo disso e de muito mais - como o aliviar da pressão social pela emigração, pelos bons resultados dos esforços dos empresários na exportação, por um surto de turismo que nos "cai no colo", sem a menor influência do governo, em especial pela depressão securitária de outros mercados. Mas há um outro fator bem mais importante, que ajuda a explicar o "bom humor" dos mercados face a Portugal.
- Qual é?
- Então não é evidente! São os mercados a antecipar já a chegada de António Costa a primeiro-ministro, a perspetiva do "recolher a penates" desta rapaziada da austeridade e a forte confiança já induzida externamente por uma próxima vitória retumbante do PS...
- ...