Foi ontem, ao final da tarde, na UNESCO. Em mais uma sessão da iniciativa "Vamos falar português", algumas dezenas de luso-falantes e outros apenas amigos juntaram-se para ouvir falar do fado e ouvi-lo tocar cantar. Para tal, fiz a apresentação da doutora Ana Paixão, que é musicóloga e dirige a casa de Portugal na Cité Universitaire de Paris, e de Mónica Cunha, uma voz do fado em Paris, que também combina com a sua atividade docente.
As origens do fado estiveram inevitavelmente na berlinda, tendo sido evocada a polémica luso-brasileira em torno da teoria de que o fado "é brasileiro". Uma certa doutrina aponta no sentido do fado ter nascido, nos anos 20 do século XIX, em torno de figuras regressadas com a corte de dom João VI, portadoras de uma musicalidade onde se misturavam influências africanas e já brasileiras, que acaba por se fixar nos arredores de Lisboa e dar origem ao início daquilo a que hoje chamamos fado.
Uma amiga (brasileira, claro!) perguntou-me: "Você vai ter coragem de colocar no seu blogue que o fado é brasileiro?". Respondi-lhe que sim e que até acrescentaria que há rumores de que dom Afonso Henriques tinha uma prima do Ceará...
