"A União Europeia suscita interesse como ator de paz para além das suas fronteiras, precisamente porque é tecnocrática, a-nacional, a-estatal, uma "coisa". Como uma mini-ONU. Ninguém suspeita que tenha apetites de dominação ou de captação de recursos. A UE nunca foi, enquanto tal, uma potência colonial. Não há uma "Europáfrica" como houve uma "Françafrique". A UE não invadiu o Iraque. Não tem pretensão de ser "polícia do mundo". A sua força reside na pedagogia de si própria, no modelo de valores que oferece. No fim de contas, são os próprios "defeitos" da UE, a sua ausência de encarnação, o seu fácies anónimo, a sua burocracia que lhe confere as vantagens de um ator quase desinteressado e, por isso, com legitimidade para se imiscuir nos assuntos dos outros. Ela deveria assumir isso, clamá-lo, gabar-se disso. Aquando da entrega do prémio?"
Natalie Nougayrède, "Le Monde"
