Uma dia, numa conversa casual em Lisboa, apresentados por um amigo comum, Vasco Granja revelou-me ter sido ele a pessoa que respondia às cartas de quem, como eu, era fiel e activo leitor da revista portuguesa de banda desenhada "Tintin", nos anos 60 do século passado.Homem do cine-clubismo e apaixonado pela banda desenhada, Vasco Granja era uma figura serena, que trouxe à televisão portuguesa um "outro" cinema de animação, diferente do que então conhecíamos e, naturalmente, muito distante daquele que hoje se produz. Era um apaixonado por uma escola serena da animação cinematográfica, mais pedagógica e nada violenta, trazendo-nos nomes estranhos de autores desconhecidos do Centro e do Leste da Europa e, em especial, de um génio que descobrimos pela sua mão, o canadiano Norman McLaren.
Faleceu aos 84 anos. Como homenagem, deixo a imagem de um dos seus heróis de estimação, a figura criada por Hugo Pratt, Corto Maltese.