É o retrato lamentável de um certo Portugal contemporâneo o espectáculo anual que nos é dado pela Queima das Fitas, começando em Coimbra mas espalhando-se um pouco por todo o país, que enche os serviços de urgência dos hospitais com estudantes a cair de bêbados. Os serviços públicos de saúde têm mais que fazer do que estar a gastar recursos com quem, pelos vistos, reserva para o álcool o dinheiro que diz não ter para pagar propinas. E é especialmente cínica a "cooperação" das empresas cervejeiras no evento, disfarçando a sua cumplicidade com anúncios rebuscadamente "soft", onde a lei do politicamente correcto as leva a inserir envergonhados apelos à moderação nos consumos.Significativo não deixa de ser o facto de, à parte alguns comentários de circunstância, tidos à conta de uma leitura retrógrada da vida, ninguém parecer preocupar-se muito com isto, desde os pais às autoridades académicas, como se fosse já inelutável este estado de coisas - e, naturalmente, como se combatê-lo pudesse representar um inqualificável atentado aos sagrados "direitos dos estudantes".