segunda-feira, 18 de maio de 2009

Mudança


O importante pintor e escultor alemão Anselm Kiefer, que tinha, desde 1993, o seu atelier em Barjac, no sul da França, ter-se-á incompatibilizado com a vizinhança e decidiu mudar-se para Portugal, com todas as suas obras, provocando uma reacção de alguns meios franceses, que vêem com desagrado este "déménagement" artístico.

A "Floresta Cultural" de Kiefer será instalada no vale Perdido, na Herdade da Comporta.

Para exemplo de alguns portugueses, continua a haver quem nos considere um local simpático para viver.

5 comentários:

Anónimo disse...

Portugal é um local simpático para viver e não só. No aspecto cultural temos outro caso (pelo menos) de outro estrangeiro que ao ver a sua vida em França um pouco complicada foi instalar-se em Portugal que o recebeu, resumindo, de braços abertos... Trata-se de Calouste Sarkis Gulbenkian que foi arejar e dar alento à cultura em Portugal além de enriquecer consideravelmente o nosso património...
Vale Perdido ganhará também, sem dúvida e à sua medida, com esta chegada de Kiefer.
José Barros.

DL disse...

Franceses que se abespinham por um artista alemão se mudar da França para Portugal. Acho essa reacção deveras curiosa e algo reveladora da relação (cultural, e não só) franco-alemã.

Margarida Pereira disse...

Assim de repente, lembro-me do ditado : "A galinha da minha vizinha é mais gorda do que a minha".
Gostamos sempre do que se encontra 'além', é a eterna demanda. A diáspora da génese humana.
Migrar, descobrir, espalhar e resolher. Mudar. Por dentro e à roda.
Também temos os nossos artistas noutras paragens (Paula Rego, Eduardo Lourenço, José Saramago, só para citar os mais conhecidos - e que recordo agora -).
Também Maria João Pires falou em debandada.
O mundo não tem fronteiras dessas; foram criação de cupidezes várias.
E então, nos tempos que vivemos, que mais faz viver no Alentejo ou na Gaconha? (gosto do nome, é só um exemplo).
Já entre o Porto e Tóquio vai um niquinho.
Mas chega-se lá! :))

Helena Sacadura Cabral disse...

O problema não é esse. Portugal é um dos melhores países para se viver. Infelizmente não é o melhor país para se trabalhar e aprender. Nomeadamente em profissões científicas.
Estamos a exportar massa cinzenta de qualidade e a importar força braçal. Aqui é que reside o busilis da questão.
Damásio está longe de ser um caso isolado. Infelizmente para nós, que os perdemos, porque não são muitos os que retornam.
É urgente repensar os atractivos para lhes oferecer, sobretudo porque ciência, a cultura e a arte não são prioridades em Portugal...

Fenêtre du Portugal disse...

"...Para exemplo de alguns portugueses, continua a haver quem nos considere um local simpático para viver."

Bem, contudo nao se deve perder de vista que "o jardim do vizinho é sempre mais verde."
:-)

Mario