sexta-feira, 1 de maio de 2009

Cleonice

Foi uma hora e quarenta minutos de exposição. Mas, para as dezenas de pessoas presentes, ao final da tarde de ontem, na Fundação Gulbenkian, em Paris, pareceram escassos os minutos que demorou a palestra da Professora Cleonice Berardinelli, apresentando a sua visão sobre Camões, nas suas dimensões lírica e épica.

Num francês magnífico, servido por uma dicção soberba, por uma memória privilegiada, do alto dos seus inacreditáveis quase 93 anos, a decana dos estudos de língua e cultura portuguesa no Brasil - e, provavelmente, em todo o mundo - revisitou a poesia camoneana, com arte e profundidade, numa viagem interessantíssima, da qual a generalidade dos presentes terá saído com vontade de reler rapidamente Camões.

É muito graças ao esforço e dedicação destes lusófilos que as grandes figuras da história da cultura portuguesa permanecem na agenda académica, por esse mundo fora.

4 comentários:

Anónimo disse...

Desde logo Cleonice uma mensagem de esperança, se há promotor da longevidade e qualidade de vida em que gosto de acreditar é na Poesia e quando o poeta é de indiscutivel qualidade...

Também acho que as graças ao esforço e dedicação em qualquer área são o aroma do 1º de Maio.
Isabel Seixas

Anónimo disse...

Aprendi Camões com o Canto IX censurado. Nem mesmo o “Santo Ofício”, quando Luíz Vaz lhe submeteu as provas, tomou semelhante atitude (não tanto por boa vontade, mas, julga-se, por alguma ignorância, ou outra razão. Seja). O Regime de então até nisto era “pacóvio”.
Curiosamente, LVC nasce um pouco antes da publicação da primeira gramática portuguesa ter visto a luz do dia, se bem que a data exacta do seu nascimento pelos vistos, ainda hoje esteja em dúvida.
Vi recentemente um programa na TV onde aparece um professor de Literatura na China a ler “Os Lusíadas” em mandarin, e falar do Grande Épico com toda a admiração e respeito (num português razoável). Sabe-se também que Filipe II (e nosso I) antes de chegar a terras Lusitanas teria manifestado o desejo de conhecer o Grande Poeta, que entretanto falecera. E Cervantes tinha igualmente muito respeito por Camões. São coisas destas e isto que aqui Francisco Seixas da Costa nos relata, que nos fazem levantar esta nossa alma portuguesa. Tivemos, em Camões, um dos maiores Poetas de sempre.
Já houve quem pusesse em causa os seus conhecimentos e cultura, segundo li algures, mas só quem conheceu as obras de Plutarco, Homero, Virgílio, Horácio (ou “Quintus Horacius Flaccus”, que estando do lado de Brutus na batalha de Philippi, uma vez terminada optou pelo lado certo e veio mais tarde a ser um dos expoentes culturais de Augusto) e mesmo Ovídio (o poeta do amor e erotismo banido mais tarde por Octávio Augusto) poderia ter escrito o que ele escreveu no seu “Épico”. Vivendo mal mais para o fim da vida, nem por isso deixou de continuar a escrever poesia sublime. A este propósito, vale a pena ler aquilo que escreveu (com muita graça) ao Duque de Aveiro e ao Senhor de Cascais por encomenda e depois como resposta.
Os Lusíadas, uma vez tomado conhecimento na escola, devem voltar a ser lidos mais tarde, com o conhecimento e a sensibilidade que os anos nos deram. “Sabe” melhor, entende-se de outra forma. E aquele respeito inicial fica mais sólido.
P.Rufino

Anónimo disse...

Ainda bem

...que todas as "obrigaçoes de caracter cultural" nao sao chatas :-)

Uma simples opiniao : (Quanto a mim), Camoes nao se relê; descobre-se cada vez melhor a cada nova leitura. (Re)ler Camoes é sempre como uma primeira vez em Amor... (com a sensualidade a menos, claro). ;-)

Mario

Anónimo disse...

E voces nao podem imaginar o luxo que foi a Dona Cleo falando do Manuel Bandeira na Universidade de Lisboa!!!!!!!!!!O Prof Ivo Castro e a Profa Cristina Ribeiro disseram que ela nao era "daquela casa" mas que sempre que ali estivesse aquela era a "sua casa".