quinta-feira, fevereiro 20, 2020

Um Pol Pot de trazer por casa

Chegou um dia a Paris, nesse início da segunda década do século XXI, com aquele ar “jeuniste” arrogante que caraterizava alguns de uma geração política a quem a “troika” tinha dado asas para poder exercer o seu liberalismo sem pudor. Não era ainda membro do governo.

No encontro na embaixada, com entidades francesas, desenvolveu uma curiosa teoria. As grandes cidades portuguesas estavam cheias de gente, em especial “velha”, cujos meios de vida, agravados à época pelos cortes nas reformas, eram muito limitados, pelo que se tornavam quase incompatíveis, não apenas com as rendas que lhes eram pedidas, cuja liberalização iria ajudar à “festa”, mas com os próprios preços dos bens e serviços.

“Essa gente é, em geral, oriunda da província e devia a ela regressar, porque teriam aí uma vida mais compatível com os seus recursos. Não digo que para isso seja necessário recorrer a medidas constrangentes, mas o mesmo resultado podia ser obtido por um “mix” de métodos administrativos”.

Os interlocutores franceses estavam siderados, calados de espanto. Eu, embaixador daquela figura, estava interiormente furibundo. E envergonhado. A certa altura, não me contive: “No Cambodja, já experimentaram isso”. O homem, que acumulava a palermice ideológica com o ser um ignorante da História, olhou para mim e inquiriu: “Com políticas públicas?”

Quem lhe respondeu foram as gargalhadas de dois ou três dos franceses sentados naquele pequeno almoço de trabalho. Sabia lá ele quem tinha sido o Pol Pot e as suas celeradas medidas de migrações forçadas para os campos!

Tenho contado este episódio muitas vezes e já me aconteceu cruzar-me com a personagem.

Mal eu sabia, ao ler hoje uma resposta do Chega a uma pergunta, que a teorização de medidas similares continua por aí. Como o fascismo.


quarta-feira, fevereiro 19, 2020

Dietas

O mendigo para a finaça: “Estou sem comer há dois dias!” Resposta da gordaça, entre dietas: “Quem me dera ter a sua força de vontade!”

A morte, sem dramas

Gostei de ler, há pouco: a morte é um dia como os outros. Só que acaba mais cedo

Bolsonaro


O presidente brasileiro dá, a cada dia, sinais de crescente desequilíbrio emocional e de uma imensa dificuldade em viver sob a pressão crítica que a vida democrática implica. Os ataques à dignidade das mulheres, sob a capa de reação à imprensa, atingiram agora níveis inimagináveis. Até onde isto levará o Brasil?

Contra o vento


Vivemos num país de emoções: fortes, definitivas e superlativas. Com fervor quase militante, esgaravatamos o quotidiano para encontrar razões para nos mantermos em estado fervente, sempre escandalizados com “eles”, auto-flagelatórios com tudo “isto”. Se um país corrente, comum, tão igual como os outros, com defeitos e virtudes, ameaça emergir no horizonte, saltamos logo da trincheira: ou somos os melhores do mundo ou somos a escória e a vergonha da vizinhança. Ai de quem nos insulte chamando-nos normais!

Nunca Portugal viveu melhor, em toda a sua História, nunca a generalidade dos seus cidadãos, em média, teve uma vida tão confortável, em matéria de direitos, de segurança, de rendimentos ou de bem-estar. E, no entanto, se olharmos alguns títulos e o caráter façanhudo de certas pantalhas televisivas, dá ideia que o país está a caminho dos níveis de Aleppo. O nosso serviço público de saúde é notado como um dos mais eficazes do mundo, mas são as suas falhas, que sempre existiram, mas eram aturadas em silêncio, que agora fazem a notícia. Quando as estatísticas de segurança interna esmagam a boataria dos números falsos da criminalidade, não há quem não lembre que teve uma prima vítima de esticão na mala de mão, como se pudesse passar pela cabeça de alguém haver o menor orgulho em sermos o terceiro país mais seguro do mundo. Passámos décadas a gastar milhões para trazer turistas de fora, para atenuar a conversa dos comerciantes de que “isto este ano está pior do que no ano passado”. Um dia, os turistas vieram: “São demais! Lá se vai a nossa identidade! Invadem-nos a cidade!”.

E então, a corrupção? Não temos? Claro que temos, como temos o combate à corrupção, cada vez mais eficaz, o que a torna mais visível, infelizmente nunca tão eficaz que consiga erradicá-la por completo. Mas ninguém tem a coragem de dizer, alto e bom som, que os níveis de corrupção em Portugal estão perfeitamente na média dos países com o nosso grau de desenvolvimento. Espera aí! Mas a estatísticas não dizem que estamos no “topo”? Não dá jeito ler bem, não é? É que confundir deliberadamente corrupção efetiva com “perceção de corrupção”, que é o que tem sido alegado, é muito confortável para o achismo da “conversa de taxista” e vai muito com o ar do tempo e o discurso tremendista dos indignados profissionais.

É bom ser português. Tenho a ideia de que, nos dias de hoje, há muita gente que, pensando isso intimamente, teme dizê-lo alto, de tão policiado que anda pelos profissionais do pessimismo.

terça-feira, fevereiro 18, 2020

O comissário mistério

No lançamento de um livro de Carlos Moedas (evento a que não fui, apenas por impossibilidade absoluta de agenda, dada a simpatia que tenho pelo autor), Pedro Passos Coelho revelou que o nome de Maria Luís Albuquerque foi equacionado por si para Comissário a indicar por Portugal, ainda antes do de Moedas. Mas disse mais: que Jean-Claude Junker lhe sugeriu um outro nome, que o então PM não aceitou. Quem seria?

segunda-feira, fevereiro 17, 2020

O racismo no Estado Novo

O tema Marega trouxe por aí a peregrina ideia de que no tempo da ditadura é que era bom: não havia racismo, brancos e pretos viviam num mundo ideal de entendimento, o Portugal pluricontinental e plurirracial era, assim, “outra loiça”. Só faltou trazerem “o preto da Casa Africana” para o atestar. No fundo, subliminarmente, fica a ideia: a democracia é que estragou tudo isso!

Salazar, na sua bondade integradora, até tinha “eleito” uma deputada negra, para além dos indianos regularmente exibidos pelo regime. Mais do que isso: a ditadura nomeou mesmo um negro como Secretário de Educação de Angola, Pinheiro da Silva, que veio a tornar-se Procurador à Câmara Corporativa. Ah! Se o 25 de abril não tivesse aparecido!

É claro que, pelo meio, houve a guerra do Ultramar (para quem achava que aquilo eram possessões portuguesas) ou guerra colonial (para quem sabia que aquilo eram colónias) ou guerra de África (para quem pretende disfarçar-se por detrás dos eufemismos). Mas isso são “fait divers”, somados a mais de 10 mil mortos, só do lado “de cá”... porque os pretos mortos fazem parte de uma outra contabilidade, que nunca foi a “nossa”.

Um dia, na “metrópole”, nesse ambiente de consabida igualdade que prevalecia entre os diferentes coloridos humanos, sempre em amena convivência, teve lugar uma altercação entre dois políticos do regime: o já referido Pinheiro da Silva e o deputado salazarista Júlio Evangelista. Este último terá dito algo tido por insultuoso, o que levou Pinheiro da Silva a avançar para ele. O verniz do convívio multirracial estalou na frase de Júlio Evangelista, que a pequena história, com maior ou menor rigor, acolheu: “Alto lá! Preto não bate em branco!”

Uma questão de decência


Já se percebeu que a sociedade portuguesa só reage e atua sob pressão do escândalo. O caso Marega é uma extraordinária ocasião para suscitar um saudável movimento nacional contra o racismo, com impacto nas escolas, na comunicação social, em toda a sociedade. Importante, contudo, é evitar que o tema se torne refém de agendas políticas e de oportunismos. Lutar contra o racismo é apenas uma questão de decência.

Tozé Martinho


Não gosto de saber que há gente que morre com esta idade.

domingo, fevereiro 16, 2020

Marega


Marega foi um homem de coragem. Não apenas ao querer abandonar o campo, quando alvo de insultos racistas, mas especialmente ao levar o seu ato até ao fim, não obstante as pressões que sofreu.

Combater abertamente o racismo é um imperativo, se queremos continuar a ser um país decente.

CGTP

A nova líder da CGTP, vem agora a saber-se, nunca trabalhou numa empresa. Mas foi assalariada... da própria CGTP, o que constituiu, em toda a sua vida, o seu único emprego. Confesso que tenho alguma curiosidade em saber quantas ações reivindicativas, quantas greves, promoveu contra o seu patronato.

Da Opinião à Cotovia


A Cotovia é uma editora ousada. Há meses, com a Imprensa Nacional, meteu-se na esplêndida aventura de editar as crónicas de Nuno Brederode Santos, uma iniciativa que, nada garantindo à partida vir a ser um êxito editorial, antes pelo contrário, mostra uma saudável responsabilidade cultural. Se já tinha uma simpatia pelo seu catálogo, ganhei, nesse momento, um maior respeito pela linha orientadora da ação da Cotovia.

Leio agora que a editora vai sair do espaço que ocupava, num edifício de montras largas, entre a rua Nova da Trindade e as Escadinhas do Duque. Passa a vender on-line e, claro, abandona o centro de Lisboa, uma zona da cidade que está cada vez menos amiga dos livros. (Há dias, andei pela rua da Misericórdia, ali perto, e constatei que, através das portas dos antigos alfarrabistas que conheci, se acede hoje a um mundo de comes-e-bebes quase só dedicado a turistas. Cada tempo tem os seus usos e a nostalgia não é para aqui chamada.)

A Cotovia sai de um lugar que, noutros tempos, conheci muito bem. Entre 1971 e 1980, aí funcionou a Opinião, uma aventura livreira e não só - era uma galeria de arte, vendia discos e havia um simpático bar no último dos quatro pisos.

Foi em finais de 1971 que comecei a trabalhar, não muito longe, no Calhariz, e a Opinião, criada logo em dezembro desse ano, era para mim e alguns amigos um lugar regular de pouso, ao final da tarde.

No bar, onde tenho na memória o vício de tomar Cuba Libre (bem à moda, por essa época), cruzei então várias figuras de uma certa intelectualidade lisboeta, alguma que tinha estado ligada à criação da Opinião e que, politicamente, andava dentro ou nas franjas do clandestino PCP.

Algum pessoal dos jornais vespertinos do Bairro Alto andava bastante por ali, com o “República” como vizinho. Foi na Opinião que o jornalista Carlos Albino adquiriu o disco que iria servir de senha do 25 de abril. Ali conheci Batista-Bastos, que trabalhava no “Diário Popular“, uma das figuras mais marcantes dessas tertúlias improvisadas, em fins de tarde agradáveis, que me atenuavam as horas de contabilidade que passava na minha atividade bancária.

A atividade da casa testava então as margens, cada vez mais estreitas, da “abertura” marcelista. Recordo bem uma conversa tida na Opinião com o historiador A.H. de Oliveira Marques o qual, a propósito da edição da sua História de Portugal, no dia em que foi ali lançada, me referiu uma conversa que havia tido com o próprio Marcelo Caetano, que o estimulara pessoalmente no empreendimento.

Às vezes, saíamos da Opinião em grupo, para espetáculos teatrais, sob a mão orientadora de Carlos Porto, o crítico de teatro do Diário de Lisboa, cuja mulher, Teresa, trabalhava na livraria, lado a lado com um amigo cujo nome agora me escapa, que antecedeu a chegada do Hipólito Clemente, que se tornaria na “cara” da Opinião até ao seu encerramento. Essas noites acabavam, em conversas e jantaradas, na Ribadoura, na Portugália e até no restaurante das bombas de gasolina da Rotunda da Encarnação. Não havia por li nenhuma particular boémia ou aventura, apenas um espírito de convívio e partilha cultural que, para o miúdo recém-entrado na casa do 20 que eu então era, constituia uma “porta” interessante para uma cidade que por essa via se lhe abria.

Depois, a tropa e a vida diplomática foram-me distanciando desse convívio, mas voltei sempre, regularmente, à Opinião, para saber de “novidades” livrescas, contando com a cumplicidade do Hipólito Clemente, que ali oficiou na segunda metade dos anos 70, para conseguir obter alguns livros menos “fáceis”.

Quando, em 1979, fui viver para a Noruega, combinei com ele as minhas regulares encomendas de “coisas” que fossem saindo e que a flexibilidade da utilização da mala diplomática me fazia chegar a Oslo, juntamente com os jornais. O acordo não durou muito tempo. A Opinião fechou no ano seguinte, sem hipótese de empréstimos bancários, porque, como dizia o Hipólito (e a Isabel dos Santos seguramente confirma), “a banca só empresta a quem o tem”.

Agora, nem Opinião nem Cotovia. Resta a curiosidade de saber que ramo de negócio irá ocupar o edifício. Há uns anos, recordo-me daquele espaço ter sido ocupado por uma atividade ligada a produtos eróticos. A cultura tem muitas formas...

sábado, fevereiro 15, 2020

Os americanos

Verdade seja que Trump na Casa Branca ajuda bastante, mas é patético ver algumas pessoas colocarem-se, “porque sim!”, contra os EUA, praticamente a propósito de qualquer assunto. 

Devemos ser contra os EUA quando tivermos razões para o ser, e há boas e frequentes ocasiões para tal, mas é ridículo fazê-lo por sistema.

Os ministros de Salazar


Há dias, estava a almoçar com um amigo num certo local de Lisboa e fiz-lhe notar que, ao nosso lado, estava um antigo ministro dos governos de Salazar. Era Pedro Soares Martinez, ministro da Saúde em 1962/63, hoje com 94 anos. 

Interrogámo-nos então sobre quantos mais colaboradores políticos do ditador de Santa Comba ainda existiriam. E concluimos que seriam apenas Adriano Moreira, ministro do Ultramar (1961/63), com 97 anos, e Mário Júlio de Almeida Costa, ministro da Justiça (1967/73), com 92 anos.

Ontem, outro amigo lembrou-se de João Dias Rosas, ministro das Finanças (1968/72). É tio do historiador Fernando Rosas e, na segunda-feira, faz 99 anos. São assim quatro, esses antigos ministros do Estado Novo.

Para que é que isto interessa? Para nada. Ou melhor, para a curiosidade de pessoas como eu, para os amadores de trívia.

A igreja e o referendo

A igreja tem todo o direito de expressar a sua oposição à eutanásia. Surpresa seria se o não fizesse. O que é estranho é que, depois de ter afirmado no passado que “a vida não se referenda”, surja agora a apelar ao referendo quando percebe que a relação parlamentar de forças lhe é desfavorável.

sexta-feira, fevereiro 14, 2020

Estupidez

A maior estupidez do debate sobre a eutanásia foi ter-se transformado o assunto numa trincheira esquerda-direita.

Trump no dia dos namorados


Não sei se discutir a política de Trump, como vou estar a fazer daqui a minutos num painel num pequeno-almoço de trabalho organizado para os associados da Câmara de Comércio Americana em Portugal é a melhor maneira de comemorar este Valentine’s Day. Ou talvez seja, porque, como ouvi uma vez a alguém, em Londres, “Ballantine’s Day is everyday”...

quinta-feira, fevereiro 13, 2020

Todos os nomes

Ontem, num grupo de amigos, veio à baila o novo líder do CDS. Melhor: o seu nome.

Alguém se perguntava: “Francisco Rodrigues dos Santos não será um nome demasiado longo para um líder partidário ser conhecido?”. De facto, há um costume de designar os políticos por dois nomes, contrariamente àquilo que frequentemente se passava no seculo XIX e mesmo com algumas figuras da Primeira República. Sá Carneiro só passa hoje a Francisco Sá Carneiro em alguns discursos dentro do PSD. Cavaco Silva deixou para trás o Aníbal bem cedo, como aliás perdeu o “e” logo no início do seu percurso: para quem não se lembrar, recordo que começou a ser designado por “Cavaco e Silva” (como, mais tarde, o seria “Marinho e Pinto”).

Se o jovem líder do CDS encurtar o nome para “Rodrigues dos Santos”, também se concluiu, vai ser uma confusão, quando for entrevistado no Jornal da Noite da RTP. Já havia aí boatos que eram familiares. E “Francisco Santos” não parece lá muito apelativo...

“E se continuasse a ser designado por “Chicão”? É um bom nome, forte”, alvitrou alguém. “Mas é mais para capitão de uma equipa de rugby, não é?”, disse outro. O humor não parou: “Sempre é melhor do que se chamasse Chiquinho!”. Mas logo se conclui que, em qualquer caso, é difícil a um jornalista dirigir-se a alguém por um “nickname”.

Uma pessoa que sugeriu que ele tentasse crismar a sigla FRS. Pelo ambiente em que estávamos, coibi-me de dizer que, politicamente, essa sigla não traz grandes memórias à política doméstica: era a Frente Republicana e Socialista, um “abraço” frentista liderado pelo PS, que acabou por não ser, longe disso, a “finest hour” socialista. Mas dadas as atuais ambições políticas do CDS...

Porque tenho estas coisas bem estudadas, expliquei que, em Portugal, as siglas de nomes de pessoas são muito raras. Pode dizer-se que apenas “pegaram” APV (António-Pedro Vasconcelos), BB (Baptista Bastos), PQP (Pedro Queiroz Pereira), EPC (Eduardo Prado Coelho), MEC (Miguel Esteves Cardoso) e, com bem menor popularidade, VPV (Vasco Pulido Valente), VGM (Vasco Graça Moura) e MST (Miguel Sousa Tavares). Alguém lembrou JJ para Jorge Jesus, mas a minha memória futebolística liga a sigla a Jacinto João, um antigo jogador do Vitória de Setúbal.

Portanto, a questão do jovem do CDS não ficou “resolvida”. E ninguém se referiu ao facto de José Manuel Durão Barroso, quando foi liderar a Comissão Europeia, ter artificialmente decidido impor o nome de José Barroso. “Fez bem”, dir-me-ia uns anos mais tarde um amigo meu de Bruxelas, “com a maneira como se deixou ficar nas mãos dos grandes países, manter o Durão seria de facto inadequado...”

Já estou a imaginar o que alguns leitores estarão a pensar: estes tipos não têm mais nada com que se preocupar? Ora essa! Falamos do que nos dá na gana e ninguém tem nada a ver com isso.

Malaca Casteleiro


Malaca Casteleiro foi um distinto linguista e professor universitário, com uma notável carreira académica, reconhecida pelos seus pares. 

Indicado pela Academia das Ciências de Portugal, foi o responsável, a par dos académicos brasileiros Antônio Houaiss e, posteriormente, Evanildo Bechara, pelo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa atualmente em vigor.

Malaca Casteleiro morreu há dias. Sabemos que o Acordo Ortográfico tem os seus detratores, pelo que se entende que, na hora da morte daquele professor universitário, estes não tenham querido saudar a sua personalidade, muito embora tivessem a obrigação de entender que o trabalho e a obra de uma vida não se resumem à intervenção numa negociação específica. 

Mas foi absolutamente miserável a campanha de ironias e expressões insultuosas que surgiu pelas redes sociais, na sequência do desaparecimento de Malaca Casteleiro, provando, se necessário fosse, que a baixeza reles está no ADN de alguma gentalha que por aí anda pelas caixas de comentários.

A RTP e o serviço público


A RTP 2 transmitiu, na noite de ontem, o documentário “Resistir à Cegueira do Mundo - Eduardo Prado Coelho”, realizado por Abílio Leitão, com importante apoio da RTP.

Tratou-se de um excelente tributo à vida e obra de uma grande e multifacetada figura intelectual portuguesa.

Àqueles que, com frequência, questionam a utilidade do serviço público da RTP deixo uma simples pergunta: que outro canal televisivo estaria disposto a ajudar à produção de um documentário desta natureza?

Carol

Era uma senhora alta, com pouco mais de 60 anos, de uma beleza que se percebia ter sido esplendorosa e uns olhos verdes sem idade. Conheci-a...