sexta-feira, janeiro 09, 2015

Islamofobia

Foi estúpido e criminoso, e como tal deve ser denunciado, o ato de islamofobia que hoje vandalizou a porta da mesquita de Lisboa. 

Portugal é um país tolerante onde, felizmente, convivem hoje em harmonia todas as religiões, lado a lado com aqueles que não praticam nenhuma, como é o meu caso. Não podemos permitir, e deve ser fortemente reprimido, quem, por cretinice populista, demagógica e oportunista, ponha em causa esta tradição.

Por mim, se necessário, estarei nas ruas de Lisboa a defender o direito dos muçulmanos portugueses ou residentes em Portugal a praticarem livremente a sua religião. Como estaria com os judeus, os budistas, os católicos, os hindus ou quaisquer outros. Para usar uma expressão estafada, mas verdadeira, não foi para isto que fizemos o 25 de abril.  

Charlie

"Charlie Hebdo" foi o nome escolhido pelos editores de "Hara-Kiri" depois de esta revista ter sido suspensa pelas autoridades francesas, na sequência de comentários humorísticos feitos por ocasião da morte do general De Gaulle, em 1970.

O que raramente tem sido referido pela imprensa é que o novo nome foi uma homenagem a Charlie Brown, a figura central (a doutrina divide-se: para mim é Snoopy, mas tudo bem!) da fantástica banda desenhada americana "Peanuts", criada em 1950 por Charles M. Schulz.

Estou certo que Charlie Brown (e Snoopy e até a mazona Lucy) estarão bem tristes nos dias que correm.

Lajes


Há dois dias, chamei aqui a atenção para aquilo que o ministro Rui Machete disse durante o Seminário Diplomático, a propósito da (então ainda não anunciada, por isso apenas possível) decisão dos EUA de reduzir o número de militares americanos e trabalhadores portugueses na base das Lajes, nos Açores. As notícias souberam-se ontem e, infelizmente, confirmam aquilo que as palavras do ministro já prenunciavam. E que, por isso, então destaquei.

O processo da base das Lajes é um dos mais complexos da história das relações entre Portugal e os Estados Unidos da América. Tem, em si, uma dimensão de Estado que recomenda a maior contenção no seu tratamento. Ao longo dos anos, foi gerido por muitos e qualificados diplomatas portugueses, que fizeram tudo quanto esteve ao seu alcance para defender os interesses que politicamente foram considerados como essenciais. Dá-se a coincidência - porque é, de facto, apenas uma coincidência - de estar neste momento à frente do Ministério dos Negócios Estrangeiros uma pessoa como o dr. Rui Machete, que, pelas funções que longamente teve enquanto presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), conhece, talvez melhor que ninguém, o contexto das contrapartidas americanas. Também por isso, tenho fortes razões para crer que, do lado do MNE e da nossa embaixada em Washington, foi feito tudo quanto era possível para que o desfecho não fosse o que acabou por ser. Mas registo que essa é a minha única certeza e gostava de ter outras. 

Historicamente, haverá um pecado original nesta questão das Lajes? Nunca esquecerei o que um dia ouvi ao embaixador António Vaz Pereira, meu "mestre" na arte diplomática, também ele antigo embaixador na NATO, quando, numa daquelas conversas que tivemos em Londres, e em que muito aprendi, me disse uma coisa que creio parecida com isto: "A tragédia das Lajes é que a cedência da base deveria ter sido feita sem contrapartidas. Uma soberania nunca se aluga, mesmo a um aliado, porque assim deixa de o ser e limita fortemente a capacidade de manobra do Estado". Imagino que esta perspetiva não seja consensual, mas hoje, olhando para a História, sinto-me de acordo com ela. É uma triste sina dos países frágeis dependerem de uns papéis verdes onde se lê "in God we trust".

Regresso ao futuro?


Há uns meses, a propósito das próximas eleições presidenciais, e analisando os putativos candidatos da área conservadora, escrevi por aqui que "Santana Lopes é um caso diferente. Desde há uns anos, agora ajudado pelo papel na Misericórdia de Lisboa, tem procurado construir uma imagem diversa do perfil "playboy" e pouco "statesmanlike" que os portugueses antes dele haviam fixado, modelo que o seu efémero e patético governo havia ajudado a instalar, de forma indelével, na memória coletiva. O modo pausado como fala, as constantes referências religiosas que pontuam o seu discurso, o registo "humano" e de atenção para com os desprotegidos da sorte que marca uma em cada duas das suas atuais palavras, desenham um retrato que tem pouco a ver com aquilo que sobre ele ainda predomina no imaginário coletivo".

Santana Lopes, quando saiu do governo, em 2005, disse que ia "andar por aí". E, durante uma década, andou. Deixou-se entretanto de futebóis e "parcimonizou-se" na palavra. Agora, tendo medido o terreno, colocou-se já em campanha, na perseguição de uma ambição que se sabe antiga. Será que Portugal irá algum dia eleger Santana Lopes para Belém? Como dizia a outra: sei lá! Ontem, no "Público", um homem de direita como João Miguel Tavares desenhou dele um dos mais cruéis retratos que me tem sido dado ler nos últimos anos.

À modorra da escolha do candidato da esquerda corresponde o início de uma interessante zizania na direita. Isto até seria divertido, se não se tratasse do país.
 

quinta-feira, janeiro 08, 2015

Ainda o "Charlie Hebdo"

No post anterior, falei da genialidade do "Charlie Hebdo", acrescentando: "nem sempre concordando com a crueldade crítica que utilizava". Com efeito, como se nota pela capa que acima reproduzo, o jornal ia (vai) frequentemente muito para além do que parece ser razoável, nomeadamente em termos de crítica das religiões - área a que sou completamente alheio, porque não faço parte de nenhuma "freguesia". Porém, tenho consciência de que as confissões religiosas fazem parte da sensibilidade íntima das pessoas, pelo que sempre entendi que deve ser mantida alguma contenção no tratamento deste tipo de matérias, reconhecendo embora que tudo isto se situa numa zona cinzenta muito difusa e de difícil tipificação. 

Neste domínio, tenho a sensação de que os católicos costumam ser bastante mais tolerantes, embora me recorde da polémica criada pelo "cartoon" do meu amigo António, quando colocou um preservativo no nariz do papa, ou mesmo de Herman José, quando retratou a raínha santa Isabel. No primeiro caso, houve protestos e um processo, mas creio que tudo ficou por aí, no segundo, o humorista foi afastado da RTP.

Outros casos são bastante mais complexos. O politicamente correto prevalecente não permite que disto se fale muito, mas a realidade é que é notório que, nas últimas décadas, a pressão social pune muito mais, entre nós, o tratamento livre dos temas judaicos do quem ouse atentar contra temáticas islâmicas. O trauma do extermínio judeu pelos nazis criou um formidável policiamento social, no tocante ao anti-semitismo, que é muito superior à consciência no combate à islamofobia. E é óbvio que o mundo islâmico se deu conta disto e não aprecia esta desigualdade de tratamento. Essa é também a dificuldade que se pressente em algum islamismo moderado, o qual, condenando com sinceridade barbáries como a de ontem, não pode deixar de refletir algum mal-estar que, no seu seio, é suscitado pela forma como a sua simbologia é tratada no humor e na caricatura.

A grande e essencial diferença entre as sociedades livres e as sociedades totalitárias é que, nas primeiras, há o primado da lei: quem se sente ofendido queixa-se à Justiça e esta, se acaso entender que os limites da liberdade de expressão foram ultrapassados, lá estará para punir, se for esse o caso. O mundo totalitário, que está instalado na cabeça dos "jihadistas" do "Estado islâmico" ou dos assassinos franceses dos jornalistas do "Charlie Hebdo" carateriza-se por não reconhecer a Justiça democrática e decide fazer "justiça" pelas próprias mãos, à luz da leitura extremada da sua doutrina religiosa. Não há compromisso possível nesta matéria e a liberdade deve ser defendida a todo o preço.

Esta não é uma questão fácil de tratar e menos fácil se torna num tempo traumático como o que vivemos. Mas temos a obrigação de ser honestos connosco mesmos e não metermos a cabeça na areia. Eu não meto.

Notas parisienses

1. Nunca fui um leitor regular do "Charlie Hebdo", mas reconheço a genialidade do seu traço e, embora nem sempre concordando com a crueldade crítica que utilizava, quero afirmar que felizes são os países onde pode publicar-se um jornal deste tipo. Em Portugal, um "Charlie Hebdo" não seria aniquilado pelas balas do terrorismo, mas por uma imensidão de processos judiciais e perseguições de outra ordem. Ter um "Charlie Hebdo", como ter um "Canard Enchainé" ou um "Private Eye" no Reino Unido, glorifica um país em matéria de liberdade de imprensa. Ver desaparecer Wolinski (cuja "especialidade" nem sequer eram, a meu ver, os cartoons políticos) é assistir à saída de cena de alguém que faz parte da memória da minha geração. Hoje é um dia triste.

2. Como o meu colega e sucessor em Paris, José Filipe Moraes Cabral, há horas sublinhou nas televisões, o corajoso papel assumido pela França (e praticamente por mais ninguém) na luta anti-terrorista no Sahel, bem como a sua aberta cooperação no combate ao "Estado Islâmico", expõe mais o país a retaliações desta natureza. É o preço da responsabilidade demonstrada por um grande Estado. Qualquer que seja a avaliação que se faça da política interna de Hollande, há que elogiar o seu forte empenhamento em matéria de segurança, demonstrado à escala global, não obstante as fortes condicionantes orçamentais que o país atualmente sofre.  

3. A França é um país que tem anterior experiência de atentados terroristas com origem no islamismo radical, embora nenhum deles com esta expressão quantitativa em matéria de vítimas. Porém, no passado, a esmagadora maioria dos atentados que ocorreram em França foi cometida por cidadãos estrangeiros. Ao que tudo indica, o atentado de ontem terá sido levado a cabo por franceses, nascidos no seu solo, filhos de imigrantes. Tal como o Reino Unido experimentou em 2005, a sociedade francesa gerou já, dentro de si, os germes da violência radical islâmica, aliás percetível no elevado número de "jihadistas" gauleses (soa mal, não soa?) que estão já nas fileiras do "Estado Islâmico". Combater decididamente essa deriva é um imperativo, desconstruir as razões desta apetência para o radicalismo limite é uma necessidade.

4. O Islão é uma religião que sofre hoje uma forte diabolização (é irónico chamar o diabo a esta questão), um pouco por todo o lado, embora as pessoas tendam a esquecer que os cidadãos muçulmanos são, nos dias que correm, as principais vítimas das suas expressões mais sectárias. Da Indonésia ao Paquistão, do Quénia à Síria ou ao Iraque, muitos milhares de muçulmanos perderam ou perdem, dia após dia, a vida em atentados bem mais mortíferos que o que ontem abalou a França. Por essa razão, continua a ser estranho que as comunidades islâmicas moderadas não ergam mais a sua voz contra este tipo de facínoras que agem invocando os princípios corânicos. O que vemos é uma distanciação mole, um "não, mas", de quem parece intimidado e temeroso, embora longe de ser deliberado cúmplice. As figuras responsáveis entre esses muçulmanos, que são uma esmagadora maioria, talvez não se estejam a dar conta que, com a sua tibieza, se arriscam, um destes dias, a ficar na linha da frente de uma guerra religiosa que os não poupará. Curiosamente, na Europa, as comunidades muçulmanas reagem face ao radicais no seu seio como as monarquias do Golfo fizeram quanto ao Al Qeda. Ora a pusilanimidade só leva à tragédia, como a história prova.   

5. Contrariamente aos apelos exteriores que se ouviram, a sensação que tenho é de que a moldura legislativa francesa, para o combate à violência sectária e ao radicalismo que chega ao terrorismo, é já suficientemente sólida. Além disso, a França dispõe de uma rede de "intelligence" muito eficaz, que sempre poderá ser melhorada, mas que, tal como em qualquer outro país, não pode garantir nunca, em absoluto, uma prevenção total contra atos terroristas. O terrorismo dispõe da iniciativa e da capacidade de gerar surpresa. Pode-se limitar estatisticamente o desenvolvimento das suas redes, mas é impossível prevenir, em absoluto, que um atentado ocorra. 

6. O ato terrorista de ontem vai deixar marcas na política francesa. Mais do que para Hollande, é para o primeiro-ministro Manuel Valls que os olhares da França se voltarão nos próximos dias. Valls, que foi presidente de um município onde a convivência multicultural era uma das grandes questões (tendo, aliás, sido sucedido no cargo por um luso-descendente), mostrou, como ministro do Interior, um perfil securitário contrastante com o discurso mais contemporizador que o PSF costumava assumir nestes temas. A França vai-lhe exigir, não palavras, mas resultados concretos no esclarecimento rápido deste caso. De toda a forma, será sempre a direita política, da mais democrática à mais radical, quem irá ganhar com este episódio. Há uma grande inquietação em toda a França, uma preocupação evidente pela crescente afirmação comunitarista do islamismo, que induz tensões surdas na sociedade e, com alguma naturalidade, cria reflexos anti-imigração. Daqui a um discurso racista e xenófobo é um curto passo que muitos franceses já deram. Se, em termos de eleições legislativas ou presidenciais futuras, isso vier a ter uma expressão flagrante e maioritária, ficará mais evidente que o problema deixou já de ser só francês.

terça-feira, janeiro 06, 2015

Voo doméstico

Vila Real tem aeroporto ou um aeródromo (não sei se há diferenças). Isso não significa, porém, que a cidade esteja, em permanência, ligada à capital por voos regulares, que permitam atenuar a interioridade. Ao longo dos anos, tem havido períodos em que houve voos, outros há, como agora acontece, em que o aeroporto é apenas uma estrutura para atividades lúdicas.

Tudo começou nos anos 80, quando a cidade era servida por pequenos aviões, com quatro lugares para passageiros e um outro ao lado do piloto. Sempre me perguntei o que aconteceria se este tivesse uma indisposição, mas logo concluí que há perguntas que dá azar fazer. Numa viagem de Lisboa para Vila Real, o piloto enganou-se e, da escala que fizéramos em Viseu, zarpou diretamente para Bragança, destino de todos os restantes passageiros. Eu ia distraído com a paisagem e só "acordei" à vista do castelo da cidade. Advertido do erro, o homem não se incomodou: "Não há crise. À ida para baixo, deixo-o em Vila Real". E assim foi.

Chegados ao aeroporto de Vila Real, a pessoa que prestava assistência ao avião informou-me que um familiar tinha estado à minha espera mas que, tendo-se constatado que o voo tinha ido diretamente para Bragança, concluíra que eu tinha adiado a minha viagem, pelo que regressara à cidade. Nesse tempo, não havia telemóveis. De mala à ilharga, pedi ao responsável pelo aeroporto - verifiquei então que se tratava precisamente da mesma e única pessoa - que me deixasse chamar um taxi ou, como por por ali se diz, um "carro de praça". Guardo até hoje a frase que então dele escutei: "Nem pense nisso! Levo-o eu a casa. Deixe-me fechar o aeroporto e já vamos para Vila Real". E, com uma chave Yale, lá "fechou" (a porta da então pequena instalação d) o aeroporto e partimos para a cidade.

O meu amigo Teófilo Silva deixou-se, pouco depois, dessas aventuras aéreas e, desde há muito, dedica-se ao seu "Museu dos Presuntos", um dos melhores restaurantes de Vila Real, com uma escolha de vinhos do Douro dificilmente bativel. Este ano, ainda por lá não fui dar-lhe um abraço, mas hoje, ao passar por perto do aeroporto (ou aeródromo), lembrei-me desta historieta, típica das pequenas cidades, como aquelas que Vila Real já foi. Tempos em que ainda havia aviões.

A diplomacia e a espuma dos dias

Desde há precisamente 20 anos, por esta altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros organiza o seu Seminário Diplomático, que, durante dois dias, reúne a hierarquia política e diplomática das Necessidades com os chefes de missão no estrangeiro. No passado, os modelos variaram e a sua qualidade também. Porém, nunca deixou de ser um exercício útil, que permitiu coordenar posições, definir prioridades e proporcionar o contacto entre pessoas que operam por vezes a grandes distâncias mas cuja cultura comum de funcionamento é condição para a eficácia da sua ação.

Hoje, os órgãos de comunicação social estiveram na abertura do seminário. E que destacaram? Os comentários feitos sobre a eventual saída da Grécia do euro, assunto sobre o qual toda a gente tem uma opinião, mas que essencialmente é aos gregos que diz respeito, ou melhor, para o qual é em absoluto irrelevante qualquer leitura portuguesa. A espuma dos dias prevalece sobre as questões de fundo. 

Nas televisões, à hora do almoço, nem uma palavra sobre a passagem de mensagens à carreira por parte do chefe da diplomacia, no seu discurso inaugural. Se tivessem estado atentos, os jornalistas poderiam ter sublinhado aquilo que o dr. Rui Machete disse relativamente ao eventual efeito que o desfecho das negociações das Lages pode ter no relacionamento bilateral com os EUA. Esta foi a mais importante mensagem saída, até agora, deste Seminário Diplomático. 

TAP


Os países não são iguais. Não o são na riqueza, como o não são na sua situação geopolítica. Por isso, nas opções que a cada um é dado fazer, para a gestão do seu papel no mundo, devem maximizar as suas vantagens comparativas e minimizar as condicionantes que acentuam a suas debilidades.

Como por aqui tenho dito, Portugal é um país frágil. Nos dias que correm, essa fragilidade acentuou-se, por um estado de necessidade financeira que induziu mesmo algum desespero nacional. É em tempos turbulentos, de incerteza, que os países reclamam lideranças indutoras de confiança. Por um azar dos Távoras, calhou na rifa a Portugal, neste que é um dos mais delicados momentos da sua História recente, uma das menos capazes lideranças políticas de que temos memória. Felizmente vivemos em democracia e isso pode corrigir-se com o voto. Mas as eleições não podem remediar o que já for irremediável: e a privatização da TAP, a acontecer, sê-lo-ia. 

Já vivi o suficiente para aprender que uma gestão empresarial pública é frequentemente menos eficiente do que uma gestão privada. Mas há casos em que a gestão pública pode ser excelente. Prova disso mesmo é que, em empresas públicas que foram privatizadas, porque eram atrativas, a responsabilidade pela respetiva gestão continua hoje nas mãos das mesmas pessoas que o Estado lá tinha colocado. O que demonstra que não devem ser tão maus assim... 

A TAP é uma empresa pública que tem tido excelentes gestores profissionais. Desde há vários anos que apresenta resultados operacionais positivos, fruto de uma estratégia inteligente que aproveitou a debilidade conjuntural de concorrentes e tirou partido de diversos outros fatores favoráveis. A questão em cima da mesa é saber de que forma é possível acorrer às necessidades de capital de que necessita para cimentar o seu crescimento. Neste domínio, nem só a privatização é opção, como se sabe.

O atual governo tem uma "fezada": é preciso privatizar tudo o que por cá for passível de interesse privado, como foi importante fazer desaparecer as "golden share", como deve anular-se qualquer mecanismo regulatório que dê ao Estado a possibilidade de condicionar, ainda que minimamente, a aplicação e circulação do capital externo em Portugal. O governo considera que o interesse nacional se defende defendendo sempre a total liberdade para o capital que aqui entra. Este pressuposto leva-o, pelos vistos, a não entender a existência de interesses geopolíticos nacionais específicos, que podem estar em objetiva contradição com esses interesses externos.

Volto ao ponto por onde comecei. Para um país como Portugal, com uma geografia de interesses que vive da ligação entre vários espaços e comunidades humanas, defender e potenciar essa especificidade é quase uma condição de sobrevivência. A TAP tem sido um instrumento importante para a sustentação da nossa identidade no mundo, bem como para a preservação desse derradeiro poder de relação que nos resta. Compete ao governo provar que isso se pode fazer com a sua alienação. Até lá, compete-nos estar contra ela.

(Artigo que hoje publico no "Diário Económico")

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Juízes e diplomatas

Os juízes querem um subsídio de exclusividade, ao que parece para compensar a perda da renda de casa que lhes era atribuída. Os jornais dizem que o governo está a estudar. Não tenho nada contra.

Este será um excelente momento para aos diplomatas ser atribuído um subsídio pela "dupla exclusividade" a que muitos deles estão sujeitos, pelo facto de, na esmagadora maioria dos casos, os seus cônjuges serem obrigados a abandonar as respetivas profissões, quando têm de os acompanhar para o estrangeiro, às vezes por longos períodos.

Reconheço, contudo, que os diplomatas estão longe de ter, nas suas mãos, instrumentos de pressão tão convincentes com aqueles que os magistrados possuem nos dias de hoje face aos políticos.

10 teses em letra de Twitter

1. Afinal, há um Espírito Santo bom: é português, treinador do Valência e fez baixar a grimpa ao Real de Madrid.

2. No parlamento, vai ser uma excitação: vem aí "o contabilista do Luxemburgo". Parece um título de Le Carré.

3. a) reduz-se drasticamente e deixa-se deteriorar o serviço público, b) o Estado passa a funcionar mal, c) os cidadãos queixam-se dos serviços, d) a culpa é do Estado e seus funcionários, claro!

4. Os juízes fazem de jornalistas e plantam notícias nos media. Os jornalistas fazem de magistrados, julgando eles próprios os arguidos (pedida de empréstimo ao Fernando Neves).

5. E ainda há quem não acredite na CPLP! Leia-se a Lusa: "Vaticano tem sete cardeais lusófonos com direito a voto e outros 10 não eleitores".

6. A punição a Sócrates pela entrevista surgirá antes do resultado do "rigoroso inquérito" às quebras do segredo de justiça anunciadas, há um mês, pela PGR?

7. Por que será que não há um comentador que esclareça que bastará uma derrota ou duas do Sporting para que o treinador vá desta para melhor?

8. Pelo modo como certa comunicação social olhou a ascensão a cardeal de dom Manuel Clemente fica a ideia de que foi um êxito deste governo.

9. Europeístas ingénuos acham que uma vitória do Syriza mudaria a vontade da Europa. Pelo contrário, acho que reforçará a sua intransigência.

10. Não somos a Grécia? Pois não! Entre o anúncio de eleições e a sua realização, passa menos de um mês. Cá é um trimestre....

domingo, janeiro 04, 2015

Fronteira

Não acho que se deva ter saudades das antigas fronteiras. Sem a mais leve das nostalgias, atravessei hoje uma fronteira terrestre portuguesa e, nesse instante, recordei a taquicardia pateta que nos invadia quando, num passado felizmente já distante, os carros eram sujeitos ao escrutínio inquisitivo das figuras policiescas que, com ar de caso, pretendiam saber o que trazíamos do estrangeiro, fosse isso "melocotones", "torrón de Alicante" ou uma simples garrafa de Coca-Cola (sim, é verdade!, Salazar não permitia que se importasse Coca-Cola, para quem não saiba).

Um dia dos anos 60, regressei a Portugal integrado num grupo que estava sob a benévola liderança de um simpático amigo, com grande experiência de travessia de várias fronteiras europeias. A prática de muitas viagens tinha-lhe ensinado engenhosos truques. Recordo aqui dois deles, que testemunhei.

Na travessia de Andorra para Espanha, esse amigo preparou a mala do carro por forma a dar a impressão de estar a abarrotar de objetos de uso comum. Por detrás de tudo aquilo, escondiam-se as coisas "proibidas", com as quais os guardas fronteiriças costumavam implicar. Mas o truque essencial, que ele havia treinado para não falhar, era colocar um penico de plástico por forma a que, logo que se abrisse a mala do carro, esse objeto caísse no chão. Era um penico com ar de usado (trazido expressamente de Portugal) e a finalidade era provocar no guarda um subliminar processo de rejeição, quase de nojo, que o desestimulasse de prosseguir a vistoria. Sou testemunha de que, nessa vez em que assisti, o truque funcionou perfeitamente.

Uns dias depois, em Espanha, chegados perto da nossa fronteira, estacionámos por mais de meia hora, a cerca de um quilómetro de Portugal, sem um aparente propósito. O meu amigo mantinha um sorriso misterioso, quando perguntado por que perdíamos tempo. Minutos depois, chegados à parte portuguesa da fronteira, enquanto alguém tratava dos passaportes, assisti à conversa entre esse amigo e o homem da alfândega:

- Deve ter ser muito cansativo estar aqui o dia todo nesta tarefa! Ainda lhe falta muito tempo de trabalho?

- Não, não! De facto, vou sair de serviço dentro de três a quatro minutos.

- Ainda bem! Desejo-lhe um bom descanso. O que pretende ver, no carro? 

- Nada. Não é necessário abrir nada. Podem seguir. Boa noite!

Foi só nesse momento que percebi por que razão tínhamos "feito horas" antes da fronteira. O meu amigo sabia dos turnos dos funcionários das alfândegas e, com uma precisão suíça, conseguia sempre chegar uns instantes antes deles abandonarem o posto, num momento em que a respetiva paciência já se tinha esgotado e estavam mais inclinados a ir para casa do que a vasculhar o carro de um simpático cidadão que, além do mais, se preocupava com o seu cansaço.

Há umas horas, ao olhar os edifícios decrépitos da velha alfândega de Vila Verde da Raia, com vidros destruídos e pixagens nas paredes, senti como estamos bem distantes desse pobre e triste tempo. Ainda bem!

sábado, janeiro 03, 2015

O fim de semana de José Sócrates

Não faço ideia se aquilo que José Sócrates disse ontem a uma televisão, em resposta a perguntas que lhe foram colocadas, vai ajudar ou não à sua defesa. Não é essa a questão. Desde a sua detenção, há mais de um mês, a comunicação social tem sido inundada por dados e inferências que, pelo seu pormenor, só podem ter sido fornecidas pelos agentes da Justiça que têm o processo a seu cargo. Já aqui escrevi uma vez que acho que isso foi feito, embora contrariando abertamente a lei, como forma encontrada pelos responsáveis judiciais para legitimarem um ato que sabiam que tinha um peso político excecional. Por virtude desses elementos trazidos a público, não há bicho careta neste país que não opine sobre o assunto, que não dê bitaites sobre o processo, uns incensando o antigo primeiro-ministro e defendendo abertamente a tese da cabala, política ou da magistratura, outros pré-condenando-o liminarmente, numa sentença que já há muito transitou em julgado popular. 

Mas mesmo no seio destes últimos, entre os quais se encontram os que em nenhuma circunstância acreditariam em Sócrates, nem que a Justiça o viesse um dia a beatificar, julgo que só um punhado de fanáticos recusará o direito do indiciado (porque não é ainda acusado, como se sabe) vir a terreiro dar a sua versão dos factos. Eu diria mesmo que quem anda com o caso Sócrates na boca até deve estar agradecido pelo facto de agora ter novo pasto argumentativo para a conversa de café (e de televisão).

Para José Sócrates este é, na realidade, o seu primeiro fim de semana de alguma "liberdade", em que toda a gente discutirá versões que surgem, finalmente, contrapostas em público. E - querem apostar? - não tarda vão surgir por aí novas fugas informativas do processo, escolhidas para tentar contrariar a nova "narrativa" de Sócrates. Para o cidadão curioso, este ping-pong argumentativo é excelente, dá para um fartote de charla com os amigos.

É claro que, sob o ponto de vista do direito, vai com certeza emergir a questão de saber-se se, tendo sido recusada pelo juíz a possibilidade de José Sócrates falar para um jornal, essa determinação não é infringida agora por esta entrevista a uma televisão. Sócrates pode vir a ser punido por ter incumprido essa decisão? E o que é que lhe pode acontecer? Prendem-no?

sexta-feira, janeiro 02, 2015

Ó Zé!

Então isso fazia-se-nos?! Ainda há dias recebi os teus "seasons greetings", essa maravilhosa fórmula anglo-saxónica que nos permite ultrapassar as peculiaridades religiosas dos correspondentes, e - diz-me agora a Fernanda - resolveste baldar-te a 2015? Eu sei que o ano não se apresenta radioso, mas não precisavas de exagerar! Contava ver-te em fevereiro, aperaltado com o smoking de regra, no jantar anual do grande Joseph Crabtree - logo este ano, em que vamos testar novas mesas e vitualhas diferentes! - nessa nossa ritual romagem londrina. Não vai ser assim, o destino não quis. Foi aliás em Londres que te conheci, nos idos de 90, numa das festas magníficas que fazias no teu apartamento, ali perto de Victoria Station. Eu tinha acabado de chegar e lembro-me bem de me comentares, com o jeito irónico que era o teu, que, ao longo dos anos, "lá pela embaixada, tenho visto de tudo". Não elaboraste sobre o que tinhas visto, mas também não era preciso. O facto é que passaste a ver-me por lá a mim, que nos tornámos amigos e montámos a operação que levou o Nuno Brederode Santos ao CPE, para uma memorável palestra sobre o "cavaquistão" de então, tendo nós os três terminado a noite no bar do Brown's (o Nuno nunca se "tratou" mal, como sabes!), que é célebre pelos scones do meio da tarde mas que, nesse serão, o foi por alguns muitos maltes que nos amaciaram a frigidez da noite. Meu caro Zé Laranjo, não te vamos ver mais, não me vais voltar a dar aquele abraço grande, com a gargalhada galhofeira que era a tua imagem de marca. Deixo um beijo à Xica, minha companheira de mesa no jantar de 2014, também de coragem e de força. E tu, meu malandro, deixas imensas saudades aos teus amigos, mas, conhecendo-te, irias proibir-nos o pecado da melancolia. So long, Zé! 

O presidente

2015 será o último ano de Cavaco Silva como presidente da República. Não julgo que venhamos a ter quaisquer surpresas no tocante ao seu comportamento institucional, nestes meses que dele nos restam em Belém. A sua mensagem de ano novo assim o indica.

Todos os presidentes da República inaugurada com a Constituição de 1976 encaminharam os seus segundos mandatos na tentativa de deixarem uma marca própria. Independentemente das suas agendas políticas pessoais, do esquiço de auto-retrato para a História que todos procuraram deixar pendurado nas paredes de Belém, cada um, a seu modo, contribuiu claramente para a estabilização do regime e para o reforço da matriz funcional do cargo, deste semi-presidencialismo atípico que os nossos constituintes desenharam, com uma ambiguidade muito à portuguesa.

Cavaco Silva terminará a sua década de uma forma muito diferente. O seu segundo mandato foi uma incrível sucessão de "trapalhadas" - e estou a ser diplomaticamente eufemista ao escrever isto. Poder-se-á dizer que não foi ajudado pela crise financeira, mas o que o país já reteve, para sempre, é que o chefe de Estado teoricamente mais bem preparado para transmitir segurança a uma sociedade em quebra de confiança económica demonstrou, muito simplesmente, uma flagrante incapacidade para ser útil a Portugal. 

Quero com isto dizer uma coisa muito clara: a meu ver, Aníbal Cavaco Silva, pelo modo como geriu a função presidencial, pela maneira como se deixou enlear no que, agora iniludivelmente, se evidencia como uma subserviência à maioria que governa o país, deu sólidos argumentos a quantos entendem, como há semanas Pedro Bacelar de Vasconcelos defendeu, que, de futuro, deverá ser revista a Constituição por forma a ser o parlamento a escolher o chefe de Estado, como hoje acontece na Grécia, em Itália ou mesmo na Alemanha. Com efeito, Cavaco Silva, com o seu comportamento enquanto Presidente, mostrou que pode não fazer sentido continuar a eleger alguém por sufrágio direto, quando essa personalidade, em lugar de utilizar essa forte legitimidade para se colocar acima das forças políticas e representar o sentimento profundo do país, se torna num instrumento dócil das maiorias de turno, preocupado apenas em garantir uma saída airosa para o seu pé-de-página na História pátria. Embora defensor do sistema atual, creio que haveria vantagem em que o assunto fosse abertamente discutido, quanto mais não seja para evitar que o exemplo do atual presidente venha a contaminar a imagem futura da função presidencial.

Um dia, ao tempo em que era primeiro-ministro, Cavaco Silva teve a deselegância institucional de dizer que era preciso "ajudar o dr. Mário Soares a acabar o seu mandato (presidencial) com dignidade". Com sincera pena, como cidadão que acredita que o prestígio das instituições e dos seus titulares é um bem público precioso, temo que Cavaco Silva tenha arruinado já as hipóteses de ver aplicada a frase a si próprio.

quinta-feira, janeiro 01, 2015

"Dois, três, muitos Vietnam"


David Dinis, diretor do "Observador" desafiou onze pessoas para escreverem a propósito de eventos sobre os quais, em 2015, passarão algumas décadas. Coube-me lembrar o início da guerra do Vietnam, sobre o qual transcorrem 60 anos. Nesse curto texto, fiz um paralelo connosco nesse tempo:

"Em 1955, há precisamente 60 anos, no auge da Guerra Fria, começava o conflito do Vietnam. Portugal entrava nesse mesmo ano para a ONU, onde, de imediato, mergulhou no crescente calvário da defesa da sua política colonial. A guerra do Vietnam terminaria 20 anos depois, em 1975, com o Viet Cong a entrar em Saigão e a ridicularizar a América. Nesse mesmo ano, já com a Revolução de abril a todo o vapor, todas as colónias portuguesas se tornavam independentes.Voltemos a 1955.

A esquerda portuguesa, incluindo o PCP, estava então longe de ter um discurso anti-colonialista. Ele só surgiria depois da maturação das consequências da Conferência de Bandung e da formação da Tricontinental. Recorde-se que Norton de Matos e Cunha Leal, próceres da oposição a Salazar, foram orgulhosos “colonialistas”.

O início da experiência cubana, o aproveitamento hábil por Moscovo do movimento dos “não-alinhados” e a revolta angolana em 1961 conduziram à evolução do discurso da oposição à ditadura quanto às colónias. Entre nós, a simpatia pela luta do povo vietnamita viria a crescer em simultâneo com o espalhar da consciência anti-colonial. Marcou algumas universidades e meios intelectuais, tendo o anti-americanismo como forte sub-ideologia federadora. Os ventos do maio francês de 1968 fizeram o resto.

Pouco antes, Guevara defendera que eclodissem pelo mundo “dois, três, muitos Vietnam”. A História tirou-lhe entretanto a vida e viria mais tarde a trocar-lhe as voltas. O então Terceiro Mundo não se tornou comunista e até o “farol” soviético deixou de brilhar. A estupidez americana e a teimosia de Fidel suspenderam Cuba no tempo. O Vietnam vive unificado pelo capitalismo mais desenfreado. E as nossas antigas colónias são o que são."

Bom Ano !


quarta-feira, dezembro 31, 2014

A outra cidade

Estas épocas do ano levam-nos muitas vezes aos cemitérios. É uma forma de lembrar os que já foram e alimentar o sonho, impossível e virtual, de os termos connosco neste tempo ritualmente festivo. Nessas romagens, tenho sempre o cuidado de procurar não cultivar a tristeza, tentando avivar apenas os tempos alegres passados com as pessoas próximas que tenho espalhadas por aqueles espaços. Curiosamente, e no que me toca, não costumo sair deprimido dos cemitérios, depois dessas visitas ao passado. "Tu não te deixas apanhar muito pela nostalgia", disse-me uma pessoa, convencida que o faço por defesa. E, se calhar, tem razão.

Há dias, em Vila Real, dei um volta pelo cemitério de Santa Iria, o cemitério "novo", há muito criado para complementar o "velho" de S. Dinis, cujos limites de crescimento já nem recordo quando foram atingidos. Nunca tinha feito esta visita com muita atenção: em regra, dos cemitérios sai-se rapidamente e o frio da época estimula a isso. Com um belo sol de inverno, decidi passear pelo cemitério "novo". Foi então muito curioso reencontrar por ali imensas figuras da minha infância e juventude, comerciantes de cujas caras me lembrava à porta de lojas, caras que cruzei, por décadas, pelas ruas, cavalheiros e senhoras cujo nome muitas vezes desconhecia mas que, por dever de educação, sempre cumprimentava, quando, em pequeno, passeava com os meus pais. E quantos outros, menos "notáveis", estarão perdidos por tantas campas rasas sem nome! É a vantagem de se "ser" de uma cidade que já foi pequena, onde todos nos conhecíamos, quando de lá saí há 50 anos. O cemitério "novo" tem quase a idade da minha memória de Vila Real. Assim, por lá cruzei agora amigos que partiram cedo, descobri pessoas de cuja existência já nem me lembrava (e de cuja morte me não tinha sequer apercebido), pude relacionar parentescos e ligações familiares. Ah! e também apreciei a forma estética como os que por cá ficaram quiseram que os seus familiares ficassem consagrados nas pedras - uns sóbrios, outros agigantados face à imagem em vida. Foi um passeio muito interessante, por essa que é outra minha cidade.

terça-feira, dezembro 30, 2014

Fundação Mário Soares

Um jornal traz hoje, com ares de "escândalo", que o BES era um dos financiadores, através de mecenato, da Fundação Mário Soares. 

Esta informação, ao contrário do efeito pretendido, só atenua a má imagem que a gestão do BES havia deixado em mim e no país. Com efeito, utilizar a lei do mecenato para apoiar uma instituição com uma obra notável como aquela que a FMS tem levado a cabo, na promoção de importantes valores culturais e histórico-políticos, só contribui para relevar o sentido de responsabilidade social que terá orientado a política de mecenato do banco.

Taludes

Tenho uma amiga que é obcecada por taludes. Nas estradas, passa o tempo a olhar para as zonas laterais e a comentar, com o rigor solene de q...