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terça-feira, janeiro 06, 2015

Voo doméstico

Vila Real tem aeroporto ou um aeródromo (não sei se há diferenças). Isso não significa, porém, que a cidade esteja, em permanência, ligada à capital por voos regulares, que permitam atenuar a interioridade. Ao longo dos anos, tem havido períodos em que houve voos, outros há, como agora acontece, em que o aeroporto é apenas uma estrutura para atividades lúdicas.

Tudo começou nos anos 80, quando a cidade era servida por pequenos aviões, com quatro lugares para passageiros e um outro ao lado do piloto. Sempre me perguntei o que aconteceria se este tivesse uma indisposição, mas logo concluí que há perguntas que dá azar fazer. Numa viagem de Lisboa para Vila Real, o piloto enganou-se e, da escala que fizéramos em Viseu, zarpou diretamente para Bragança, destino de todos os restantes passageiros. Eu ia distraído com a paisagem e só "acordei" à vista do castelo da cidade. Advertido do erro, o homem não se incomodou: "Não há crise. À ida para baixo, deixo-o em Vila Real". E assim foi.

Chegados ao aeroporto de Vila Real, a pessoa que prestava assistência ao avião informou-me que um familiar tinha estado à minha espera mas que, tendo-se constatado que o voo tinha ido diretamente para Bragança, concluíra que eu tinha adiado a minha viagem, pelo que regressara à cidade. Nesse tempo, não havia telemóveis. De mala à ilharga, pedi ao responsável pelo aeroporto - verifiquei então que se tratava precisamente da mesma e única pessoa - que me deixasse chamar um taxi ou, como por por ali se diz, um "carro de praça". Guardo até hoje a frase que então dele escutei: "Nem pense nisso! Levo-o eu a casa. Deixe-me fechar o aeroporto e já vamos para Vila Real". E, com uma chave Yale, lá "fechou" (a porta da então pequena instalação d) o aeroporto e partimos para a cidade.

O meu amigo Teófilo Silva deixou-se, pouco depois, dessas aventuras aéreas e, desde há muito, dedica-se ao seu "Museu dos Presuntos", um dos melhores restaurantes de Vila Real, com uma escolha de vinhos do Douro dificilmente bativel. Este ano, ainda por lá não fui dar-lhe um abraço, mas hoje, ao passar por perto do aeroporto (ou aeródromo), lembrei-me desta historieta, típica das pequenas cidades, como aquelas que Vila Real já foi. Tempos em que ainda havia aviões.

Júlio Isidro

Não sou íntimo de Júlio Isidro, longe disso!, mas conheço-o desde sempre. Da televisão pré-Abril, claro, onde me recordo de o ver fardado e ...