Desde há precisamente 20 anos, por esta altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros organiza o seu Seminário Diplomático, que, durante dois dias, reúne a hierarquia política e diplomática das Necessidades com os chefes de missão no estrangeiro. No passado, os modelos variaram e a sua qualidade também. Porém, nunca deixou de ser um exercício útil, que permitiu coordenar posições, definir prioridades e proporcionar o contacto entre pessoas que operam por vezes a grandes distâncias mas cuja cultura comum de funcionamento é condição para a eficácia da sua ação.
Hoje, os órgãos de comunicação social estiveram na abertura do seminário. E que destacaram? Os comentários feitos sobre a eventual saída da Grécia do euro, assunto sobre o qual toda a gente tem uma opinião, mas que essencialmente é aos gregos que diz respeito, ou melhor, para o qual é em absoluto irrelevante qualquer leitura portuguesa. A espuma dos dias prevalece sobre as questões de fundo.
Nas televisões, à hora do almoço, nem uma palavra sobre a passagem de mensagens à carreira por parte do chefe da diplomacia, no seu discurso inaugural. Se tivessem estado atentos, os jornalistas poderiam ter sublinhado aquilo que o dr. Rui Machete disse relativamente ao eventual efeito que o desfecho das negociações das Lages pode ter no relacionamento bilateral com os EUA. Esta foi a mais importante mensagem saída, até agora, deste Seminário Diplomático.