Seguidores

Se quiser ser informado sobre os novos textos publicados no blogue, coloque o seu email

sábado, janeiro 29, 2022

Já votei na semana passada

Ao ter votado por antecipação no domingo passado, acho que adquiri uma espécie de bula que, no dia de hoje, me permite falar livremente de política. 

Esta nota, contudo, não é para falar do voto de amanhã: é para me referir ainda ao início da crise política, ao derrube do orçamento. 

Na altura, a esquerda que tem bom senso culpou - e bem - o Bloco e o PCP por terem ajudado a derrubar o governo, ao aliarem-se (uma vez mais) à direita - e, desta vez, também à extrema-direita, o que foi uma desonrosa “première”.

Ora há aqui um ligeiro distinguo a fazer, desculpem lá! 

O Bloco foi co-responsável pela irresponsabilidade, passe a contradição, de ter ajudado a inviabilizar o OGE para 2022, originando a crise política? Claro que sim. Mas convém lembrarmo-nos que o Bloco foi coerente com o seu voto ao OGE de 2021. O Bloco não mudou, na sua consabida irresponsabilidade. 

Quem mudou o sentido de voto, e precipitou a crise, foi o PCP. Se tudo se tivesse passado como no ano anterior, se o PCP tivesse repetido o voto anterior, o OGE 2022 tinha passado e não estávamos agora em eleições. O PCP foi o principal responsável por esta crise - é bom que isto fique preto no branco. 

Por que é que ninguém parece querer ”separar estas águas”? 

Porque, para alguma esquerda mais moderada, que não caminha sobre elas, subsiste uma espécie de odor de humanidade em torno do atual PCP, que muito deve ao efeito simpatia de Jerónimo de Sousa, somado a um resto de (merecida) reverência histórica. 

Tende-se assim, implicitamente, a absolver o “velho” PCP, em desfavor do Bloco, tido como uma espécie de “parvenu” pretensioso e irritante, sem real “pedigree” político.

Não será assim, para muitos? Para mim é.

Seguidores

Quem quiser receber os post publicados neste blogue basta inserir o seu email onde, em cima, figura a palavra "seguir".