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domingo, agosto 23, 2020

Porto


É das cidades onde me sinto melhor. No Porto, tenho sempre a sensação de estar em casa. Talvez porque, minha infância, ir ao Porto era ir à civilização, pelo Marão curvoso ou pela linha que então desaguava em São Bento. Da varanda traseira da casa de uns tios, na Ramada Alta, avistava o mar ao fundo, olhava aquela imensidão de casas e luzes, via passar um comboio que me diziam que ia para a Póvoa e sentia que aquilo é que devia ser a vida! Um dia, o destino mandou-me mesmo para lá, supostamente para estudar, na prática para usufruir da liberdade que Vila Real não me tinha nunca dado. Perdi-me, claro, nas muitas coisas e nas longas noites. Em dois anos, concluí, com esforço, duas cadeiras de Engenharia, ambas com notas a rasar os mínimos. Não tivesse eu saído a tempo do Porto e aquela cidade seria a minha perdição. Mas voltei lá sempre, todos os anos, sem exceção, para rever amigos, flanar por ruas que conheço como os dedos das mãos, comer em belos restaurantes, folhear nos alfarrabistas. Quando ouço amigos lisboetas dizer que se confundem no trânsito do Porto, gabo-me de saber ali conduzir por quelhas e desvios, pelo meio de bairros de que nem ouviram falar, eles que, na rádio, ao verem referido o Nó de Francos ou Bessa Leite, não têm a menor ideia do que isso pode ser. Nos últimos anos, o trabalho tem-me levado imenso ao Porto. Amanhã, vai ser o lazer. Todo o pretexto é bom para ir ao Porto.

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