segunda-feira, 3 de agosto de 2020

O menino

Até ter sido colocado na embaixada em Luanda, em 1982, a minha experiência com africanos era muito escassa. Na minha terra, em Vila Real, havia um único negro, jogador de futebol. Na universidade tive vários colegas, negros e mulatos. (Já terão dado conta que não vou enveredar por um léxico politicamente correto). Eram oriundos de famílias das colónias com óbvias posses e, na sua relação com os restantes colegas, nunca detetetei a menor diferenciação ou discriminação. Alguns desses amigos ficaram-me, aliás, para sempre - em Cabo Verde, em S. Tomé, em Angola e em Moçambique. 

Tive o privilégio de viver um ambiente, familiar e social, que, por completo, me imunizou de quaisquer pulsões racistas. Mas mentiria se dissesse que nunca na vida contei anedotas “de pretos” e graçolas congéneres. Claro que contei, como as contei sexistas e de género. Não sou nenhum anjo!

Como diplomata, chegado a Luanda, fiz, entretanto, vários outros bons amigos, muitos dos quais de cor. Alguns conservo-os até hoje e, dentre todos eles, há um, orgulhosamente negro, que permanece como um dos meus mais íntimos amigos, que tenho para a vida. 

Cheguei a essa Angola num tempo tenso, quer na vida política interna, com guerra civil à volta, quer na relação com Portugal, que atravessava um dos seus piores períodos. Por um “milagre” que tem muito a ver com a cumplicidade de uma língua comum, mas igualmente de uma matriz comportamental com muitas proximidades, sendo um diplomata estrangeiro isso nunca me vedou minimamente o convívio com pessoas locais - negros, mulatos ou brancos. Devo aliás dizer, porque é pura verdade, que tive maiores dificuldades com alguns brancos angolanos, que pareciam pretender “fazer esquecer” a sua cor, do que com pessoas de outra cor, que viviam de forma descomplexada a independência do seu país. Às vezes, podia notar-se, aqui ou ali, a emergência de alguma arrogância, mas tudo era superável com diálogo e frontalidade respeitosa.

Com exceção do pessoal diplomático ou com estatuto equiparado, a generalidade dos funcionários da nossa embaixada em Luanda, nesse ano de 1982, era oriunda da administração ultramarina. O mesmo acontecia, aliás, nas restantes embaixadas nas antigas colónias.

Muita dessa gente sofrera o período de transição política, com guerra aberta nas ruas da capital do novo país. A maioria mandara a família para a “metrópole” e ficara para trás, a tentar ainda amealhar alguns tostões. Vivia, às vezes de forma precária, numa Luanda tensa, sem comércio, com “esquemas” para a sobrevivência, numa convivência complexa com o novo poder, muitas vezes titulado por pessoas com quem, menos de uma década antes, esses agora “expatriados” haviam partilhado uma diferente relação de forças. Era gente com sentimentos racistas? Muitos tinham amigos negros, mas em outros detetavam-se reações que relevavam de velhos vícios comportamentais.

Um dia, ao passar junto à sala de espera da embaixada, ouvi um diálogo entre um contínuo, homem já de uma certa idade, com décadas de Angola, e alguém que esperava por uma reunião e que terá inquirido sobre se o encontro ainda estava muito demorado. Foi isto que ouvi: “Ó menino! Tu vais esperar, está bem?” Voltei atrás, olhei de relance para dentro da sala e constatei que o “menino” a quem o contínuo se dirigira era um homem negro, de quarenta e tal anos, que se mantivera impávido.

Fui para o meu gabinete e mandei chamar o contínuo. Perguntei-lhe se conhecia a pessoa que estava na sala de espera. Disse-me que não, que era a primeira vez que a via, que ela estava à espera de ser recebido por outro funcionário. “Então o senhor não o conhece e trata-o por tu?”, perguntei. O contínuo sorriu, olhando para o jovem diplomata que eu era, recém-chegado de uma embaixada num país nórdico, “maçarico” nas questões africanas, e foi “pedagógico”: “Ó senhor doutor! Isto cá é assim! Eles estão habituados, já não estranham”.

Fiz uma cara séria e retorqui: “O senhor fica a saber que se me chega aos ouvidos que volta a tratar desta forma alguém - preto, mulato, branco ou às riscas - que venha à embaixada, participo imediatamente de si. E convém que se saiba que qualquer colega seu, que se comporte dessa maneira, terá uma participação idêntica”. O contínuo embatucou e saiu. Nem era mau homem, ao que vim a constatar nos tempos seguintes. Era, apenas, um produto de outros tempos.

Quando, nos anos que se sucederam, os administrativos, contínuos e porteiros da embaixada constataram que alguns dos amigos dos novo cônsul-geral, do novo ministro-conselheiro e de mim próprio afinal não eram só “caucasianos” (acho uma graça imensa à expressão, que, estou certo, à época ninguém ousava usar, com risco de ter uma gargalhada como reação!), devem ter aprendido alguma coisa. Podem não ter aceite, com sinceridade, o comportamento que lhes era imposto, mas lembro-me que as coisas, a partir dessa altura, melhoraram bastante.

Mas “old habits die hard”, como se viu em Moscavide.

20 comentários:

Anónimo disse...

Não "envereda por um léxico politicamente correto" mas diz "negro" em vez de "preto" (termo usado no discurso corrente), e usa "africano" para se referir aos negros. Então e os 200 milhões de pessoas do norte de África que não são pretas, não contam?

Toda aquela gente de Marrocos e da África mediterrânica, não é "africana"? Nasceram com a cor errada, é?

josé ricardo disse...

A questão que se coloca, por estes dias do politicamente correto, é a seguinte: somos ou não um país estruturalmente racista? Eu, que estou a léguas daquele senhor Ventura, vejo-me obrigado a ir ao seu encontro quando ele nega essas impressões que por aí andam. E é precisamente de uma avaliação impressionista de que estamos a falar, visto que não existem estudos suficientemente credíveis que permitam responder cabalmente a esta questão. É pecado, nestes tempos, afirmar o que Rui Rio disse a respeito deste tema. Aliás, não foi o nosso presidente que disse que somos o melhor povo do mundo? Logo, se o somos, não podemos ser racistas, não é verdade, sr. Presidente? Como é que se posicionariam os nossos comentadores encartados perante a resposta de Marcelo, a qual, naturalmente, seria muito próxima da de Rio? E por que razão nunca ninguém lhe colocou essa questão?

Anónimo disse...

Eventualmente, FSC, no seu mundo onde os conflitos acabam num bar de hotel, beberricando whiskey e onde as pessoas são cultas, educadas, tolerantes e, basicamente, fantásticas (o que está na origem de FSC ter um amigo em cada esquina), nunca se viu envolvido numa daquelas discussões à séria, com potencial para descambarem em porrada da grossa. Vivendo na Lapa, também não sabe o que é ter bairros sociais à porta, vizinhos que nos fazem a cabeça em água (só tem um, certo?), etc. Ou seja, vive numa redoma que lhe foi proporcionada pela profissão. É como aqueles colégios de escol, onde as notas são fantásticas e os ex-alunos importantíssimos mas que fazem, à partida, seleção para só terem os melhores consigo. Fácil, portanto, de ter bons resultados.

No mundo real, as pessoas têm conflitos pessoais (que nada têm a ver com os fundos estruturais), passam-se da cabeça (e não é pela má qualidade do tinto) e envolvem-se em situações verdadeiramente perigosas (que não passam por voltar a casa, depois do recolher obrigatório, num carro de embaixada). Nesse mundo real, as pessoas insultam-se, ofendem-se, deixam escapar a raiva dentro de si, por forma a ganhar ao outro que faz o mesmo. Isto, antes de chegarem a vias de facto. Quando chegam, já tudo está perdido.

Ninguém deve ser julgado pelo que diz quando está fora de si. Nesses momentos, pai, mãe, mulher e filhos... ninguém está a salvo. É isto que os radicais querem esconder: a própria natureza humana. Nós somos aquilo que somos quando estamos calmos, racionais e não o que somos quando estamos dominados pelo nosso lado negro. A civilização não se faz do que nós pensamos e sentimos vontade mas sim da forma como controlamos os nossos instintos primários. Urinar é essencial e natural mas não urinamos na via pública e à frente dos outros: controlamo-nos, domesticamo-nos. Da mesma forma, as palavras de um sujeito perturbado quando já chegou ao ponto de caramelo de estar capaz de matar alguém, pouco importam. O que importa é saber como é que ele chegou àquele ponto. Importa, para quem é honesto; não importa para os radicais subversivos que por aí andam.

Já repararam que cada vez que o "antirracismo" vem ao de cima, a violência doméstica é passada para segundo plano? E a história das estátuas, que estava tão viva? O que temos é um conjunto de indivíduos que vai a todas (recebendo, depois, contribuições de "especialistas" em cada assunto), gente que vive da agitação nas ruas e da promoção de agendas próprias nas quais ela pode surgir como o suprassumo da matéria.

Quando aquele cigano matou o preto são-tomense no Seixal, alguém se preocupou com palavras? Quando um cobarde do mesmo grupo agrediu com um pau um homem caído no chão a esvair-se em sangue, alguém foi perguntar às muitas testemunhas "o que é que ele dizia enquanto batia no homem"? O vídeo que temos não tem bom som. Acredita alguém com dois dedos de testa que no meio daquela confusão em que um canalha mata um homem e deixa às portas da morte outro, as palavras ditas foram de paz e amor?

Por acaso cresci numa zona de Lisboa onde havia um bairro de lata de pretos e outro de ciganos. Ainda hoje me lembro das cenas de faca (mas não alguidar), que aconteciam entre as duas comunidades.

Palavras? Atitudes? Não me lixem! Querem à viva força um mundo a preto e branco mas ele tem muitas cores. Azar!

Anónimo disse...

Também contas anedotas de alentejanos.
Esta discussão do país ser racista é insuportável. Racistas são as pessoas, provavelmente a maioria é de todas as raças. Por exemplo, não se puder dizer preto é raciata, porque implica que ser preto é ser inferior e ninguém é inferior por causa favor. Para mim há contudo uma raça inferior, os racistas, que com justificados complexos de inferioridade inventam a cor para acharem que têm alguém abaixo deles.Isso era evidente nas antigas colônias europeias.
Já agora em Portugal até ao 25 de Abril praticamente não havia africanos e então de facto não havia racismo.
Fernando Neves


Corsil Mayombe disse...

Tanta teoria balofa sobre o conceito de racismo, quando o racismo na verdadeira acepção da palavra,acontece entre a raça negra....O TRIBALISMO!!!

Joaquim de Freitas disse...

Os portugueses acham que não são racistas. Sempre ouvi dizer isso. Claro que quando lêem a história e comparam os seus actos de colonizadores com os dos espanhóis, franceses ou ingleses, pensam que não eram tão maus como eles. E que portanto, não são tão racistas.

A cor da pele continua a ser vista como um sinal de inferioridade que "justifica" o tratamento diferencial das populações da imigração africana.

Como antigos colonizadores é óbvio que nas relações com os africanos ainda tenham muita coisa de paternalismo. Não é fácil olhar para o outro como um igual. A sociedade ainda não está preparada para isto.

Vivo em França mas tenho família em Portugal. Descobri que esta era racista no dia em que me disseram que puseram os filhos numa escola privada, para evitar a “mistura” com os …outros de “pele escura”.

Quando lhes expliquei que, como chefe da minha empresa, fiz contractos de trabalho para negros franceses ou não, que só a competência me importava, e que os seus filhos frequentavam a mesma escola da comuna, não compreendiam… O que não impede o racismo de existir aqui como em tioda a parte.

Foi esta exigência da invisibilidade das pessoas de origem africana, que deu origem aos bairros negros de Nova Iorque e não só. O apartheid paga-se hoje muito caro.

Anónimo disse...

A exclamação "racista !" gastou-se, está gasta. Usada e abusada fora de contexto tornou-se apenas uma pobre assinatura de quem a usa.

Anónimo disse...

menino, meninos.. e escola
fez-me lembrar uma história do transporte de "meninos" africanos
neste caso de uma centena de estudantes da antiga colónia
que estudavam em Lisboa, na Casa dos Estudantes do Império, e cuja epopeia seria digna de um grande filme, tudo em segredo,
a fuga nas barbas da PIDE
Estavam destinados a ocupar postos importantes na governação pós-independência

"...O organismo operacional foi a CIMADE, uma organização francesa de apoio aos refugiados, à época dirigido por Jacques Beaumond e apoiado por três jovens operacionais americanos, David Pomeray, Howard Kimbal e William Nothingham, que conduziram os autocarros.
Esta operação, altamente secreta, foi dirigida por João Vieira Lopes, que coordenava o MEA e a equipa da CIMADE.
Em cerca de dez dias, vários grupos dirigiram-se para a fronteira luso-espanhola, aí embarcaram em dois autocarros conduzidos pelos operacionais americanos e dirigiram-se para a fronteira franco-espanhol e daí para a sede da CIMADE em Paris, onde foram albergados e apoiados...."
http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/cem_estudantes_fogem_de_portugal

Anónimo disse...

Acho o comentário do anónimo das 13h02 muito interessante e acertado
João Vieira

Anónimo disse...

"old habits die hard", realmente. O Freitas entrou em campo só para dar um toque sobre os EUA.
Falava-se de um assassinato em Portugal e do racismo dos portugueses, portanto, nada melhor do que falar em Nova Iorque.

O homem podia ter falado no conceito de judiarias, mourarias, etc, presente na Europa desde a Idade Média mas... que raio!, se puder falar nos EUA...

Jaime Santos disse...

É particularmente suja a tentativa de branquear um homicídio premeditado, a tiro e pelas costas. Uma execução, em suma. De facto, os propósitos racistas do homem que desfechou os tiros, se se tivesse ficado por isso, seriam o menos, provavelmente Bruno Candé nem se teria dado ao trabalho de fazer uma queixa...

Mas, neste contexto, o que eles revelam é a alma negra (o termo é propositado, porque se a cor de pele é produto do acaso biológico, o mau carácter é um atributo individual) de quem cometeu tal acto e também daqueles que o procuram relativizar.

E ainda temos que levar com acusações de que quem denuncia o racismo é que é 'radical'. O racismo, como se viu, mata. Não vejo nada mais extremista do que tirar a vida a outrem. Se não gostam das manifestações e dos protestos, habituem-se. Ser-se morto à queima-roupa por causa da cor da pele é bastante mais desagradável.

E levamos igualmente com relatos de acontecimentos em que anónimos foram supostas testemunhas, um exercício de 'what-aboutism' no seu melhor. Mas tomam-nos por parvos, não sabem que a credibilidade de que auferem é zero e que percebemos muito bem ao que vêm?

Onde, quando, quem viu? Onde estão as notícias de jornal, os relatórios policiais e por aí a fora? Têm que fazer bastante melhor do que isto, senhores...

Anónimo disse...

O racismo depende do nível civilizacional e da relação de forças. É óbvio, debaixo deste ponto de vist, que Portugal é um país muito pouco racista em comparação com outros povos pela simples circunstãncia de ter menos poder e portanto ter de "negociar" para sobreviver. O exemplo dado pelo embaixador é absolutamente esclarecedor sobre as diferenças culturais. Nessa altura um " doutor" já se envergonhava e contar anedotas sobre pretos ao passo que um contínuo não sabia outras e sempre acompanhado de um sorriso de superioridade. Haja pois paciência para o desenvolvimento cultura que também é condicionante do uso indevido da força bruta
João Vieira

Francisco de Sousa Rodrigues disse...

Quando me vêm com subterfúgios biológicos acerca seres superiores e inferiores, de relações idiotas entre comportamentos e níveis de melanina ou geografias costumo responder "Gente, pá, estamos a falar de gente, pessoas como nós!"

Aqui vai um interessante artigo de divulgação científica acerca desse gambuzino que é o conceito biológico de raça humana:

https://www.nationalgeographic.com/magazine/2018/04/race-genetics-science-africa/

Anónimo disse...

Louvo-o pela sua conduta em 1982. Mas as extrapolações que daí que se quer retirar relativamente ao que se passava antes do 25 de Abril são algo arriscadas. Antes de 25/4/74 passavam-se algumas coisas más também outras muitas boas. Grande parte dos meus amigos em África eram de cor. O meu melhor amigo era indiano. E já agora informo que ninguém fazia piadas com negros em Moçambique, como faziam aqui em Portugal, nem nunca vi tratar mal um negro no espaço público. E, para que conste, misturava-me com eles em inúmeros sítios e actividades. E, Ah, nunca vi ninguém a bater em empregados de cor ou a levá-los à esquadra para os polícias lhes baterem (como um leitor desinformado há dias referiu). Aliás, os meus pais, desde os princípios dos anos 70, não tinham empregados de cor em casa. Já não os havia para a classe média. Isto quer dizer alguma coisa. Sinceramente, acho que a sociedade de antes de 74 em Moçambique era muito mais decente do que aquela miserável e ditatorial que lhe sucedeu após a dita descolonização "exemplar". Mas enquanto eu tenho pena da "democracia" que legámos àqueles povos, suspeito que para os que para lá foram depois de 1974 as injustiças decorrentes desses regimes lhes eram relativamente indiferentes, precisamente porque a subjugação dos negros era feita por negros. E por aqui também se pode medir uma mentalidade racista.

Retornado disse...

Os portugueses andam às "aranhas" com aquilo que não conhecem, com aquilo que é novidade.

Para os portugueses em geral, de qualquer tribo excepto de quem viaja diariamenten no trem de Sintra, ou de Azambuja ou nos barcos da outra margem, é difícil distinguir pretos emigrantes ou nacionais, pretos integrados, ou de gueto, se de origem angolana, guineense ou senegalesa.

Para os portugueses em geral os pretos são todos iguais, a maior ilusão difícil de vencer, levará séculos, nesse dia que acabar essa ilusão, acabou o racismo e as confusões.

Lembram-se de um caso de um juiz no Porto que condenou um guineense que confundiu com outro guineense? Só passado uns tempos é que após a salvo do verdadeiro culpado é que os dois guineenses bem guiados por um advogado de origem guineense, obrigaram o tribunal a soltar e indemnizar o "inocente". (jornais)

Limpinho, direitinho!

Temos também os desencontros dentro dos chamados partidos de esquerda, bem conhecidos de toda a gente.

O caso recente, (jornais) no aeroporto Humberto Delgado, o SEF preparava-se para separar os passageiros vindos de Moçambique, portugueses podiam seguir dispensados de teste, os Moçambicanos, fácil de distinguir dos portugueses para outro, para fazer o teste, por não serem estrangeiros.

Foi a maior ilusão, tambem aqueles pretos eram todos portugueses.

Não houve teste.

Racismo? É cada barrete!

É melhor ficar por aqui.

Anónimo disse...

O Jaime Santos tem razão! Onde estão os relatórios policias?! Sim, onde estão?

A questão é que este pedido serve para dizer que quem diz que não foi racismo está a mentir mas, ao mesmo tempo, não serve de nada perante os radicais que imediatamente gritam "racismo!". Para estes não há necessidade de relatórios, peritagens, nada! Está tudo definido desde o primeiro momento.

A mesma coisa aconteceu em Bragança. O morto era escuro? Racismo! E ninguém da família Santos pediu relatórios ou conclusões tiradas com tempo, Nada disso! Partiu-se, logo, para a história do racismo (ainda por cima, em contradição com os estrangeiros residentes que negavam essa história). Quando a Polícia, fez o seu trabalho, já era tarde. Os relatórios não serviam para nada e ainda temos os palhaços do circo antirracista a repetir a mesma história (agora, também contra os textos do Ministério Público!).

Anónimo disse...

Cheira-me que o resultado disto tudo é os brancos começarem a ficar com verdadeira vontade de não lidarem com pretos, nunca se sabendo o que é que vai ser considerado racismo. Porque raio me há de ser indiferente ter um colega de trabalho preto se a qualquer momento, uma coisa sem importância se vai tornar um grande problema?

Isto é como convidar para jantar aquelas pessoas que gostam de uma boa e "acesa" discussão. Se elas não vierem, tudo corre bem. Se elas vierem... nunca se sabe. O melhor, mesmo, é não as convidar. E parece-me que é isto que vai acontecer. Quanto mais conseguirem convencer a juventude "afro" de que é vítima e o branco é inimigo, mais difícil vai ser o convívio e maior a tribalização.

Deixo aqui duas historietas absolutamente verídicas:

1) Em Macau, um chinês parou para atravessar a passadeira. Ao seu lado estava um homem preto. O chinês passou-lhe o dedo pelo braço para ver se era tinta...

2) Em Lisboa, à noite, um carro com três brancos e um mulato procurava lugar para estacionar. Entraram numa rua escura onde decorria uma operação policial. O condutor (branco), alheio a isso, ao detetar um sítio para parar, guinou o carro e enfiou-o no espaço. Um polícia imediatamente berrou para o grupo um autoritário "Não voltas a fazer isso, ouviste???!!!". O passageiro mulato (que ia à frente), interpretou o facto como um caso de abuso policial e imediatamente prometeu escrever revoltadas estrofes de Hip Hop...

Mentalidades.

Joaquim de Freitas disse...

O ignorante anónimo habitual, drogado a altas doses de USA “Uber Alles”, pariu no 4 de Agosto, às 07:59 mais uma amostra da sua cultura, copiando as palavras do Senhor Embaixador: “old habits die hard” . Palavras que vão tão bem ao ignorante.

Não viajou, não sabe nada de nada. A primeira vez que cheguei à Cidade do Cabo, no “Pátria”, e apanhei um táxi no porto para ir ao centro da cidade, não fui muito longe: um policia “branco”, mandou parar o táxi e “intimou-me” de sair e de procurar outro conduzido por um taxista “branco”…

Comecei a aprender o “racismo”…Umas horas mais tarde descobri as tabuletas “ White Only” e “Non-White” e as maravilhas do “Apartheid”.

Em Moçambique não vi isso. Mas a proprietária da pensão onde fiquei, quando chamava o “rapaz” para fazer isto ou aquilo, dirigia-se a um homem negro de 60 anos ou mais…

Mas havia outros aspectos mais subtis de racismo . A cor da pele continua a ser vista como um sinal de inferioridade que "justifica" o tratamento diferencial das populações da imigração africana, onde quer que seja.

Mas há alguns que só compreenderiam isso, se um polícia branco lhes pusesse o joelho em cima do pescoço, até expirar…

E até ignoram o que Ku Klux Klan quer dizer…e que ainda existe nos Estados Unidos da América…

Anónimo disse...

O Joaquim Freitas é uma pessoa que precisa de ajuda.

Custa-me muito ver alguém sofrer assim.

Anónimo disse...

Na minha escola primária havia uma contínua - perdão, técnica auxiliar de ação educativa -, a quem, nos seus cinquenta anos, chamávamos "Menina Maria". Felizmente era branca, apre!