quinta-feira, 27 de agosto de 2020

Elogio do turismo


Andando pelo país, do Sul ao Norte, nos últimos dois meses, tenho-me apercebido muito bem do modo como os setores da restauração e da hotelaria estão a procurar reagir à muito grave crise provocada por uma pandemia que ainda não tem data marcada para atenuar os seus principais efeitos.

Com a maior sinceridade, quero dizer tenho vindo a criar um enorme respeito pelo esforço dos profissionais de ambos os setores. Um pouco por todo o lado, quase sempre sem grandes queixas, tenho observado o modo rigoroso como responsáveis e trabalhadores seguem as estritas regras de higiene a que a situação obriga, garantindo as melhores condições a uma clientela que ainda se mostra hesitante e temerosa.

Nos últimos anos, o turismo disparou entre nós, com uma dimensão que, há que reconhecer, por vezes se tornou incómoda para a vida de muitos cidadãos, que viram o seu quotidiano invadido de uma forma bastante agressiva. Mas, ao afirmar-se, a importância do turismo na nossa riqueza ajudou a alguma folga nas contas, facilitando políticas públicas, gerando uma imensidão de empregos. Percebemos melhor agora que não é possível “ter sol na eira e chuva no nabal”.

Houve algum exagero na oferta hoteleira, que parecia imitar as “pirâmides” de lucro? Claro que sim. Mas convém compreender que muito do património imobiliário foi renovado, nomeadamente com o surto do alojamento local, que a vida comercial das cidades foi estimulada e os restantes setores turísticos, com os transportes pelo meio, tiveram ganhos de qualidade que os índices internacionais não deixaram de refletir.

Sei que, no olhar de alguns, um outro aspecto pode parecer de somenos, mas, dada a minha experiência profissional, tenho de destacar o impacto que a onda turística dos últimos anos tem vindo a ter na imagem internacional do nosso pais. Olhe-se o número crescente de obras que, pelo mundo, são publicadas sobre Portugal, sobre os portugueses e a sua História, os filmes que nos tomam como cenário e o muito que, de positivo, se diz sobre a segurança das nossas cidades. Muitos não terão reparado mas, em escassos anos, demos um imenso salto nessa perceção. E quem, mais do que o turismo, fez por isso?

Não sabemos ainda o que o turismo português vai ser, no futuro. Mas uma coisa é certa: se ele não recuperar, as coisas não irão ser nada fáceis para a economia nacional, nos próximos anos. Como o relatório Porter nos ensinava, temos de fazer melhor o que já fazemos bem. E em poucos setores somos tão competitivos como na área turística.

8 comentários:

Anónimo disse...

Tudo impecável no "palco",para inglês ver?
Os "bastidores"são relegados para segundo plano!

Anónimo disse...

Que filmes nos tomam por cenário? Talvez aqueles em que o Paulo Branco põe o seu dinheiro. Tirando isso...

Anónimo disse...

Aqui na em terras de sua Majestade anda-se a comer em restaurantes porque subsidiaram-nos (o HRMC!) e os clientes apenas pagam metade da conta.

Lúcio Ferro disse...

Do meu ponto de vista e enquanto empresário do sector, os AL de Porto e Lisboa vão levar uma machadada de que tão cedo não irão recuperar. Aliás, já se nota nas cidades a reconversão para aluguer de longa duração da maior parte dos imóveis que se dedicavam ao AL. Outra coisa é o turismo rural, sector em que opero: nunca estivemos tão bem, se é para durar, não sei.

Anónimo disse...

E para quando nova industrialização da economia?

Anónimo disse...

E os estragos no imobiliário? Quantos casais novos podem comprar casa sem serem empurrados para zonas limítrofes, quase debaixo do tapete? Quantos idosos foram despechados dos centros onde sempre viveram por não terem os argumentos financeiros dos turistas?
Gosto de ver turistas encantados com a nossa terra, mas não o regabofe em que isto se tornou

Anónimo disse...

A continuar a pandemia nestes níveis receio que o turismo leve novo chimabalao, perante a impotência, o desnorte e a desorientaçao deste "excelente" governo

Anónimo disse...

Portugal recupera seu passado histórico das Grandes Descobertas e “descobre” o turismo como seu novo atributo e fonte de riqueza e prestígio mundial.
Uma descoberta significativa onde substituiu como instrumentos de conquista de novos caminhos a caravela e o astrolábio pelos restaurantes, pousadas e hotéis.
A “Escola de Sagres” desta nova epopeia além de contar com uma rede de hospedagem diversificada, abrangente e profissional, consolida-se com uma culinária lusitana construída em séculos de história, diversidade de influências e, atualmente, criatividade de seus profissionais, sejam eles mundialmente reconhecidos ou anônimos representantes de tradições familiares portuguesas.
O objetivo de alcançar as Índias e outras terras foi substituído pela promoção de Portugal como relevante destino turístico, que se caracteriza, por ser um setor que acolhe visitantes de todos os lugares do mundo sem distinção de gênero, raça, credo ou posicionamento político.
Camões, finalmente, é celebrado constantemente por cronistas atuais que em suas páginas recomendam-nos o que há de melhor e mais representativo na culinária e na hospedaria lusitana, bem como, alertam-nos sobre eventuais desvios e atalhos que não devemos percorrer.
SALVE A NOVA ERA DE DESCOBRIMENTOS PORTUGUESES!