domingo, dezembro 16, 2018

Os “gilets jaunes”


Acho estranha a condescendência que se instalou face ao movimento dos “gilet jaunes”, não o responsabilizando pela violência e pelos danos que, sob a sua cobertura, são regularmente praticados. 

Quem se manifesta - e está no seu pleníssimo direito de o fazer, porque faz emergir o mal-estar existente, o que é um sintoma democraticamente relevante - deve cuidar em que esse ato se processe nos termos ordeiros que são próprios de uma qualquer sociedade democrática. 

Se os “gilets jaunes” representam uma causa com um fundamento sério, e parece que assim é, deveriam ter estado sempre, e desde a primeira hora, na linha da frente de isolamento dos “casseurs” que, no seu seio e a seu coberto, acabaram por pilhar lojas, incendiaram viaturas e provocaram incomensuráveis destruições, muitas das quais irão ser pagas pelos contribuintes. 

É que, desta forma, fica instalada a ideia de que os “gilet jaunes” apenas se distanciam desses vândalos por habilidade tática mas, lá no fundo, não deixam de ser aproveitadores oportunistas da pressão que o receio crescente desses desacatos acaba por ter sobre a sociedade em geral e as autoridades em particular. 

Contrariamente aos que alguns inconscientes pensam, em política não vale tudo. Se quisermos viver em democracia, claro.

"A Arte da Guerra"

Esta semana, em "A Arte da Guerra", António Freitas de Sousa e eu falamos da guerra no Golfo, claro, e das eleições na França e na...