segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

O Norte e a diplomacia

Era a minha primeira viagem a Portugal, como embaixador em França, no primeiro semestre de 2009. Estava na sala de classe executiva do aeroporto de Orly, em Paris, e, a certo ponto, perguntei à simpática senhora da TAP se não era já hora do meu voo. Sossegou-me, dizendo que ainda tinha muito tempo, que a seu tempo me chamaria. 

Minutos depois, com um vago pressentimento, levantei-me e fui ver o quadro eletrónico na parede: o voo já estava em "dernier appel". Agarrei nas minhas coisas e, de forma apressada, encaminhei-me para a porta. 

A senhora da TAP interrompeu-me:

- Mas olhe que ainda tem muito tempo! Ainda não chamaram para o embarque.

- Essa agora! Está ali bem claro, no voo para o Porto, que já é a última chamada.

- Ah! mas vai para o Porto!? É que o embaixadores portugueses vão sempre para Lisboa...

A senhora ficou a saber que a regra tinha exceções: também há embaixadores do Norte.

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