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terça-feira, dezembro 25, 2018

O papel


Hoje, dia de Natal, quase não há jornais diários. (Verdade seja que, também nos outros dias, os diários nacionais não abundam). Com as tabacarias fechadas, aqui por Vila Real, os postos de combustível são a última esperança para um “viciado” de jornais como eu sou. Entrei num, comprei dois jornais e fiquei uns instantes a observar as capas de umas revistas “do social”. Nesse entretanto, surgiu um jovem, de vinte e poucos anos. Alguma coisa me levou a concluir que podia ser estudante. Vi-o pegar precisamente nos mesmos dois jornais. “Um jovem a comprar jornais em papel?”, questionei para comigo mesmo. Saí da loja quase ao mesmo tempo do que ele. Não resisti e comentei-lhe: “Lê sempre dois diários?”. O rapaz olhou para mim, também curioso pela minha observação, retorquindo, com um sorriso: “Estes jornais? Não, não são para mim, são para o meu avô”. Nesse instante, deve ter-se dado conta que eu devia ser da idade desse seu avô. E esclareceu, com um toque de humildade (ou seria disfarçada arrogância?): “Eu não leio jornais em papel”, acrescentando, “às vezes leio no online, mas, mesmo assim, muito pouco”. “Continuação de Boas Festas!”, lancei-lhe, à medida que ambos íamos para os nossos carros. Ele retribuiu e, intimamente, pode ter pensado que, no essencial, eram pessoas como o seu avô (e não falou no pai) aquelas que (ainda) liam jornais em papel. Será que também teve tempo para concluir que, quando as pessoas com a idade do seu avô desaparecerem, os jornais em papel deixarão também de existir? 

As eleições presidenciais e as direitas

Veja aqui o 'Olhe que não, olhe que não" desta semana, onde debato com Jaime Nogueira Pinto as eleições presidenciais e as direita...