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domingo, novembro 12, 2017

Um país de graça

Mais no Twitter do que no Facebook (que é uma praia de seniores...), ainda menos neste mundo declinante que são os blogues, o defunto assunto do “webdinner” no Panteão deu origem, desde o primeiro momento, a montes de graças e graçolas. Ainda na madrugada de sábado, alguns comentadores alvitravam divertidas “reações” dos ilustres mortos ao ágape a que “assistiam”, perguntava-se se havia Wifi (com magníficas sugestões para a “password”), outros davam dicas alternativas de locais para o futuro e outras coisas assim. 

De há muito que somos um país de graça fácil, que tenta encontrar um lado risonho para tudo, que surge pronto a exorcizar momentos tidos por mais complexos, evitando tratá-los como tal. A conversa de café, no passado, tinha as suas “vedetas”, uma espécie de especialistas em encontrar um lado divertido para tudo, em trazer aos grupos a última anedota. Hoje, são substituídos pelas redes sociais, onde há gente com muita piada, embora lado a lado com uma legião de sujeitos indignados, de sobrolho carregado, alguns com tiques ridículos de “finis patriae” em tudo aquilo que criticam.

Acho muito bem que assim continuemos a ser, que saibamos rir das coisas e das pessoas. Isso torna os dias mais leves e ajuda a animar as gentes. E é também importante saber hierarquizar os assuntos, para que nos não transformemos num país tremendista, em que tudo é um drama, por dá cá aquela palha. Para dramas, já bastam os verdadeiros dramas.

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