Nunca acreditei nas reais possibilidades de Mário Centeno vir a ser presidente do Eurogrupo, na leitura que fazia dos equilíbrios políticos que nele se projetavam. Erro meu.
Não sabemos ainda se virá a ser escolhido, mas, mesmo que isso não venha a acontecer, o anunciado conjunto de apoios que a sua candidatura já concitou é um fantástico reconhecimento para o próprio, uma vingança do tamanho do mundo para António Costa, o primeiro-ministro que o descobriu para a política, e uma “fava” natalícia antecipada para muita (mesmo muita) gente.
Se acaso Centeno vier a ser eleito, tal como já aconteceu com Guterres na ONU, preparemo-nos para as medíocres ironias paroquiais que por aí abundarão, desqualificadoras da importância do lugar e do poder efetivo do seu titular, com prenúncios do pior para o futuro dos equilíbrios no seio da “geringonça”.
Portugal é assim há muitos séculos, a inveja, o despeito e o ódio ao sucesso dos outros fazem parte da nossa matriz identitária como povo e são, com toda a certeza, uma das fortes razões que explicam por que não passamos da cepa torta.