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terça-feira, novembro 07, 2017

100 anos


Passam hoje 100 anos sobre aquela que é considerada a data da Revolução que inaugurou o regime soviético na Rússia. Para uns, foi uma data libertadora que iniciou um percurso novo de esperança para o mundo. Para outros, trata-se da data funesta que abriu um tempo ditatorial trágico. Para este texto é-me perfeitamente indiferente esta inconciliável dicotomia.

Faço parte de uma geração que nasceu para a cidadania no período da ditadura salazarista. Habituei-me a respeitar os militantes comunistas como as principais vítimas desse sinistro período repressivo. Nunca tendo pertencido às suas hostes, a (sua) Revolução russa faz parte do meu património de memória afetiva. E eu sou incorrigivelmente apegado àquilo a que um dia me senti ligado.

Em 1980, fui a Leninegrado e fiz o percurso ”turístico” da antiga Petrogrado que a minha geração fazia: da estação da Finlândia ao Aurora, do Palácio de Inverno à esquina trágica da Nevsky Prospekt. (Era já então uma URSS triste, sem esperança, no estertor de um projeto falhado.)

Em 2012, voltei, agora a São Petersburgo. (Era a nova Rússia de Putin, uma sociedade estranha, dominada pela humilhação da perda da Guerra Fria, acossada e perigosa.) Por alguns dias, trabalhei por ali no edifício da Duma, onde Lenine falou e está retratado em quadros célebres. Ao ter o ensejo de tomar a palavra naquela sala mítica, não posso esconder que senti uma estranha emoção.

Felizes os que não têm contradições, porque deles é o reino da (sua) verdade.

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