segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ainda a Catalunha

É muito interessante acompanhar a crescente polarização, entre nós, do debate em torno da questão catalã. Ela assume contornos quase clubísticos, com a graça adicional de aliar figuras de espetros ideológicos frequentemente opostos, o que torna a polémica muito divertida pelo bizarro somatório dos argumentos, assentes em escolas de pensamento bem diversas. 

Há uma realidade inescapável nesta polémica: estamos perante duas ordens de valores e de interesses que se opõem de forma radical. 

Os defensores da unidade espanhola têm a Constituição do país como um valor supremo, considerando o secessionismo um crime de lesa-pátria, razão pela qual entendem que devem ser punidos todos quantos atentem contra a integridade do país, neste caso os promotores da independência.

Os simpatizantes do independentismo catalão entendem que nada, muito menos uma ordem constitucional pré-existente, pode impedir o direito à autodeterminação do futuro de um povo, que tem o inalienável direito de decidir, em total liberdade, o seu destino.

Resta acrescentar que os primeiros consideram inquestionavelmente democrática a ordem constituional espanhola, defendendo que ela foi sufragada em plena liberdade. Por seu turno, os segundos defendem que se tratou de um compromisso imposto na transição, que não representou uma livre assunção de vontade, expressa num tempo de democracia plena.

Perante isto, quem tem “razão”? É óbvio que a “razão” está sempre do lado em que nos colocarmos, porque se trata de pontos de vista à partida inconciliáveis. Estamos por um lado ou pelo outro, pela valoração diferenciada que damos aos argumentos dos dois lados, com alguma emoção afetiva a embotar a racionalidade.

A meu ver, só a ameaça iminente de uma tragédia pode, porventura, fazer emergir um terreno que, eventualmente, venha a ser aceite por ambos como intermédio, sem perda absoluta da face de um deles - como o seria a criação de uma Espanha de natureza federal, em moldes a decidir numa futura revisão constitucional. 

Mas muita água vai ainda correr sob as pontes, antes que isso tenha condições para acontecer. Esperemos que só água.

7 comentários:

Anónimo disse...

O espanholista do FF acha que "a estupidez pede um mártir". A "estupidez", para ele, são os independentistas, raça que ele põe ao nível da serpente que atentou contra o paraíso terrestre.

E, no entanto, sistematicamente, cada vez que há uma manifestação espanholista, lá vêm as agressões a transeuntes, os atos de vandalismo, etc. Porque será que ninguém refere isto? A internet está cheia de vídeos de pessoas a serem esmurradas, bloqueadas, obrigadas a gritar "viva a espanha" (para não "levarem"). E ninguém dá valor a isto...

Joaquim de Freitas disse...

E é verdade, a crescente polarização, levou mesmo a televisão espanhola a publicar uma foto no estádio de Marselha, que “apoiaria” as teses “unionistas”, com uma bandeira vermelha e laranja, dizendo que era a bandeira espanhola… Mas era a bandeira da Provença.

Anónimo disse...

O contrate entre post, ou lá como se diz, e o seguinte diz tudo sobre estes dois assuntos.
Fernando Neves

Anónimo disse...

O Pokeman, acoitado a principio pela extrema-direita belga, enredado na sua máscara de pseudo herói.

Anónimo disse...

Se o Puidgemont não estivesse em liberdade, com acesso aos meios de comunicação internacionais, eu queria ver quem é que dava visibilidade aos catalães presos e à causa independentista!

Infelizmente, vivemos num mundo de gente desonesta que inventa para defender os seus interesses e de carneirada que vai atrás do que lê e se esquece de pensar...

Anónimo disse...

O independentismo catalão ,é consequência do jornalismo das causas
fracturantes,ávidos de destruir a democracia, autênticos ofideos venenosos, a caminho do partido único das "minorias esclarecidas" .



Anónimo disse...

Conforme hoje se viu em Bruxelas, o Puidgemont tem apoio e está a fazer o seu trabalho.