domingo, 30 de janeiro de 2011

31 de Janeiro

120 anos nos separam hoje da primeira revolta republicana em Portugal. O "31 de janeiro", para além de uma tentativa falhada de golpe militar contra a monarquia dos Bragança, foi igualmente um sobressalto cívico, traduzindo o mal-estar que atravessava o país por virtude do "ultimatum" britânico - que, sem fundamento que não fosse a ameaça da força, impedia Portugal de afirmar o direito soberano de ligar as suas colónias de Angola e Moçambique, depois de um notável esforço de exploração levado a cabo pelo nosso país, no sul do continente africano.

Entusiasmado pela recente implantação da República no Brasil, o movimento republicano português tentou, com alguma imprecisão organizativa, o derrube da monarquia. Não tendo alcançado o seu objetivo, foi sujeito a uma inédita vaga repressiva, o que viria a acentuar a sua radicalização. 

Seriam ainda precisos mais 19 anos para a República nascer em Portugal, em 5 de outubro de 1910.

19 comentários:

patricio branco disse...

passa tambem hoje, lembrou o professor marcelo rebelo de sousa no seu programa,outro aniversário: os 50 anos do começo da actividade armada dos movimentos de libertação da africa portuguesa, em angola.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro Patrício Branco: o dr. Rebelo de Sousa (que não ouvi) está equivocado. A revolta de Luanda (que não está ligada ao MPLA, como certa lenda política tenta fazer crer) teve lugar na noite de 3 para 4 de fevereiro de 1961.

Anónimo disse...

Que rigor, até na data de nascimento da revolta, bem agora as lendas politicas desmistificadas é melhor...

Isabel Seixas

Anónimo disse...

Permita-se-me aproveitar a ocasiao para prestar a minha homenagem aos primeiros herois da República. Parece ser que somos gente de má memória. Se assim nao fosse, ainda hoje, como antes era, seria feriado nacional. Para eles o meu respeito e um VIVA A REPÚBLICA.
Francisco F. Teixeira

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Do 31 de Janeiro, só me lembra, a rua de Santo António no Porto, que depois lhe viriam a dar este nome.
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Uma rua ingreme e a única saída da Praça da Liberdade e da Almeida Garrett para a alta Vila Nova de Gaia.
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Quando me iniciei na vida com a profissão de marçano no Porto,em 1946,o arroz, o sabão e o acuçar, era transportado, da minha mercearia, num carro de mão com timão e uma travessa na frente com dois colegas agarrados e mais outros dois a puxar na parte de trás, para Gaia.
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Por vezes a carga era demasiada e lá pediamos ao um transeunto:"Ó tiozinho deia-nos aqui uma ajuda..."
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Nunca me disse nada o 31 de Janeiro e só me ficou, na lembrança, a força que despendi na ladeira.
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Era a ainda, nessa altura, o Porto de Camilo a caminhar no Passeio das Cardosas e onde ainda vi tripeiros, ilustres, a usar plainitos e sapatos de banda elástica.
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Saudações de Banguecoque
José Martins

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro José Martins: a rua que hoje se chama 31 de Janeiro, a que o Estado Novo chamava de Santo António (que tem tanto a ver com o Porto como eu tenho com a Manchúria), chamava-se antes... 31 de Janeiro.

José Martins disse...

Senhor Embaixador,
Há de facto um equívoco meu. Bem é que no meu tempo uns davam-lhe o nome de 31 de Janeiro e outros de Santo António.
Bem haja pelo reparo.
Saudações de Banguecoque
José Martins

João Forjaz Vieira disse...

O fantástico desta história é a insistência em considerar a República como o milagre que salvou Portugal e o remédio para os males que nos assolaram e já não assolam! Haja paciência: a repetição de um facto não verdadeiro transforma-o numa verdade?
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro João Forjaz Vieira: onde se deduz, no meu texto, que a República foi "o milagre que salvou Portugal" ou o "o remédio para os males que nos assolaram e já não assolam"? De uma coisa nos livrou, porém: dos Bragança. E já não foi pouco.

patricio branco disse...

Caro FSC, obrigado pela informação.

ps. no meu comentário, ao citar o professor marcelo, estava apenas por associação a citar outro aniversário. Por outro lado, pode ser que ele não tenha dito que os 50 anos eram exactamente no 31 de janeiro, mas por estes dias, e então a imprecisão é minha...abraço

Anónimo disse...

Apreciei e subscrevo este último comentário (sobre os Braganças)de FSC, o autor deste Blogue.
Igualmente oportuna a correcção sobre a data 31 para 3 para 4 de Fevereiro que FSC aqui faz. Para quem esteve em Luanda, bem a propósito!
P.Rufino

nat disse...

e foi mais ou menos igual
aos 800 anos anteriores

talvez devessem ter esperado mais 20 ou 50 anos
até sermos mais civilizados

provavelmente mais 200

nat disse...

Din kommentar er blevet gemt og vil blive synlig efter
ejerens god kendelse
e tal como antes

é só ajoelhar e pedir mercê

duas ou três coisas que não mudaram

nat disse...

Heróis da república e das monarquias mortas

acho que esse é o problema
os heróis tornam-se déspotas

Anónimo disse...

Deduz-se do permanente e constante elogio desbargado à República que na sua primeira fase foi uma ditadura, na sua segunda outra espécie de ditadura e só na terceira é que se tem aguentado nas canelas, embora totalmente arruinada! Não me parece que um embaixador se deva referir aos "Braganças", chefes de estado do seu país durante setecentos anos, nos termos em que o fez. Desculpe a nota.
João Vieira

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro João Vieira: reconheço que talvez tenha ido longe de mais na minha simplificação. Tem razão.
A família Bragança não tem, contudo, "700 anos" de titularização da monarquia portuguesa: teve 270 anos. A ela ficamos a dever esse ato refundacional que foi o 1º de Dezembro de 1640, que todos temos obrigação de saudar. O que eu pretendi dizer, e estou nesse pleno direito como o estão os que defendem teses contrárias, é que os últimos titulares da família Bragança não estiveram à altura da situação histórica com que se confrontaram, pelo que se afastaram e perderam o país, abrindo caminho às ideias republicanas. Mas este talvez não seja o dia mais adequado para lembrá-lo.

João Forjaz Vieira disse...

desculpe insistir: a família Bragança tem setecentos anos na chefia do Estado: todas as dinastias são Capeto=Bragança e todas são ramos da mesma família.
Naturalmente que as ideias divergem mas o que é um facto é que a revisão da história tem reposiocionado o último rei, D.Carlos, como um patriota e um homem de enorme qualidade pessoal. Como até a criança D.Manuel está a ser vista na sua verdadeira(?, será?) dimensão.

Francisco Seixas da Costa disse...

Caro João Vieira: o seu esforço genealógico é de louvar, mas não me convence, desculpe lá. Quanto à qualidade de certas figuras, que o revisionismo conservador tem branqueado, o dia é o menos indicado para falar disso.

FernandoB disse...

gosto muito deste blog,
venho cá todos os dias,
abomino o politicamente correcto,
e li este fim de semana,
"Republica Velha"
Vasco Pulido Valente - Aletheia,

e mais,

não digo