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sexta-feira, janeiro 21, 2011

Agustina

Durante três dias, tem lugar em Paris um colóquio sobre Agustina Bessa Luis, numa organizaçao da Sorbonne (Paris III) e do centro cultural Gulbenkian, com apoio do Instituto Camões.

Um alargado grupo de especialistas revisita a obra da escritora, numa perspetiva pluridisciplinar, à qual igualmente é dedicada uma exposição patente na Casa de Portugal, na Cité Universitaire de Paris.

Ontem, durante a abertura da conferência, tivemos oportunidade de ouvir uma magnífica lição do professor Arnaldo Saraiva, que nos trouxe a sua perspetiva sobre a relação de Agustina com o Porto. O orador, que conviveu profundamente com a autora, deu-nos conta de alguns dos seus traços de caráter, da sua frontalidade crítica e do modo como isso se repercute em muitos dos seus textos, neste caso no que respeita ao Porto e à idiossincrasia.

Alguém me dizia, depois da conferência, que quem conheceu Agustina ficou, com toda a certeza, com uma ou outra história dela, da sua forte personalidade e da agudeza do seu espírito. Deve ser verdade, porque não fui exceção.

Creio que em 2005, Agustina foi ao Rio de Janeiro, no âmbito da atribuição do prémio Camões. Durante um descontraído almoço, a que estavam presentes Lygia Fagundes Telles e Ruben Fonseca, tive uma animada conversa com a escritora, ao lado de quem fiquei. Recordo-me de que me falou de Manoel de Oliveira, e de curiosos episódios no âmbito do trabalho conjunto que fez com o realizador e seu velho amigo, para um determinado filme. Nessa mesma noite, ao chegar ao hotel, acompanhado pelo professor Helder Macedo, que também visitava o Brasil, cruzámo-nos com Agustina, que estava com Adriano Jordão, o nosso conselheiro cultural no Brasil. Cumprimentámo-la e o Helder comentou: "Diga-me lá, Agustina, como é que consegue esse prodígio de só ter amigos, de não ter inimigos?" Agustina deu uma gargalhada sonora e, rápida, retorquiu: "Não tenho inimigos? Mas, olhe!, quando quero, faço-os, pode crer!".

Há um novo mundo com Trump?

  Entrevista no podcast da Fundação Res Publica. Pode ver aqui .