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terça-feira, janeiro 18, 2011

Ainda os escritores

Já aconteceu a algum dos leitores deste blogue entrar numa refeição, com diversos convidados, e, dentre eles, vir a calhar a seu lado, precisamente, o autor do livro que na véspera começou a ler? Pois foi isso que me ocorreu, hoje, com Michel Houellebecq, autor do "La Carte et le Territoire", obra vencedora do prémio Goncourt de 2010. Como tive o azar da minha leitura andar ainda pelas páginas 50 e tal, quase não me atrevi a falar-lhe do livro...

Um dia, no Rio de Janeiro, numa das minhas frequentes visitas à Academia Brasileira de Letras, fui apresentado a um dos seus 40 "imortais", o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony. Trata-se de um cronista fascinante, que uma ou duas vezes por semana escreve deliciosos textos no "Estado de S. Paulo". Ao tempo que vivia no Brasil, eu não perdia nenhum. Por coincidência, uma semana antes desse encontro, tinha acabado de ler uma sua autobiografia, intitulada "Quase memória". Disse-lho. O escritor, com o ar benevolente de quem acredita pouco que os diplomatas possam ler muito, retorquiu: "Ah! sim? Espero que tenha gostado..." E passou adiante. Aí eu insisti: "Diga-me uma coisa! Ao ler o livro fiquei com uma curiosidade: quando fala daquela falsa viagem do seu pai a Itália, para enganar os amigos, isso passou-se mesmo assim?". Cony abriu muito os olhos, "viu-me" pela primeira vez e exclamou: "Oh! Mas o embaixador leu mesmo o livro?!".

Quero ter a ingenuidade de pensar que, por esse instante, a profissão diplomática, em geral, me ficou a dever o favor de poder tê-la feito subir um pouco na consideração de um dos grandes das letras brasileiras.

É a vida!

Pode ser que seja apenas "wishful thinking", mas fiquei ontem com a sensação de que André Ventura já se está a ver, daqui a semana...