O cenário era o balcão do "Tosta Fina", o lugar geométrico dos grandes pequenos almoços em Vila Real. Ontem. Os interlocutores eram dois recém-trintões, bem na vida, seguramente com muitas cilindradas à porta.
- É pá, já viste o pessoal que marou em desastres? - disse um deles, mostrando uma notícia do JN sobre as vítimas de acidentes de tráfego desde o Natal.
- É, há muito gajo que não devia guiar. São uns nabos.
- Bom, estes já não guiam mais... (risos alarves duplos)
- Bom, estes já não guiam mais... (risos alarves duplos)
Pausa para o croissant com fiambre e o sumo de laranja. A bica final reabre a conversa:
- Onde é que foste no fim-de-ano?
- À Corunha.
- Como é que fizeste? Vieste por Chaves?
- Não, pá! Vim por dentro. Em Espanha é uma chatice, não se pode andar, têm bófia à toca por todo o lado, nas estradas. E aquilo é a doer. Só quando se chega à fronteira é que o pessoal pode largar. De Valença cá, foi um tirinho. E tu, onde foste?
- Fui à Estrela. Agora é fácil, com a A24. Consegue-se colar aos 200, muitas vezes. É sempre a bombar. E aqui não há chuis, é porreiro.
Quando me dizem que o principal problema português é o défice orçamental dá-me vontade de rir. Pouco.
- Como é que fizeste? Vieste por Chaves?
- Não, pá! Vim por dentro. Em Espanha é uma chatice, não se pode andar, têm bófia à toca por todo o lado, nas estradas. E aquilo é a doer. Só quando se chega à fronteira é que o pessoal pode largar. De Valença cá, foi um tirinho. E tu, onde foste?
- Fui à Estrela. Agora é fácil, com a A24. Consegue-se colar aos 200, muitas vezes. É sempre a bombar. E aqui não há chuis, é porreiro.
Quando me dizem que o principal problema português é o défice orçamental dá-me vontade de rir. Pouco.
