Notei que o homem estava agitado. Pensei, contudo, que esse nosso Cônsul Honorário, numa remota cidade num país francófono do "Sul", cujo nome esqueço, vivia apenas o nervosismo de ter a visita de um membro do governo português, a cuja comitiva eu pertencia.A certo passo, o Cônsul queixou-se-me:
- O nosso Embaixador bem me podia ter avisado com mais antecedência. Só ontem me disseram que vinham cá dormir. Não tive tempo para preparar nada de jeito.
Sosseguei o homem e disse-lhe que estava tudo a correr muito bem, desde o encontro com as autoridades locais até à receção com os escassos portugueses residentes. Só o bizarro hotel (de cujo pátio podem ver uma foto verdadeira), de arquitetura de todo improvável naquelas paragens, com as banheiras cheias mas sem água corrente nos quartos, é que deixava muito a desejar. Mas, que se havia de fazer!, era o único da cidade.
O homem, no entanto, continuava inconformado. E insistia:
- É que eu podia ter preparado uma coisa bem mais agradável, se tivesse sabido com mais tempo.
Procurei acalmá-lo:
- Mas está tudo impecável! O que é que você podia ter feito mais?
- Ó senhor doutor! Com tempo, eu tinha preparado em minha casa um programa "de truz" para os senhores, com umas "garinas" magníficas, tudo "material" garantido e sem problemas. Mas não me avisaram! Isto não se faz!
De facto...