sexta-feira, outubro 08, 2021

Livro



O meu livro “A Cidade Imaginária”, editado no início de setembro sob a chancela da Biblioteca Municipal de Vila Real, teve uma tiragem limitada - não estando prevista qualquer reedição. A maior parte dos volumes que foram postos à venda foi adquirida na sessão de lançamento e, posteriormente, nas três livrarias onde foi colocado. A Livraria Ler, em Lisboa, já não tem livros para venda. Para quem eventualmente estiver interessado, sou informado de que há ainda alguns exemplares na Livraria Branco (259 322 829) e na Livraria Traga-Mundos (259 103 113), ambas em Vila Real, creio que com eventual possibilidade de envio pelo correio. A Biblioteca Municipal de Vila Real não comercializa o livro.

Crime


Cá em casa, há quem veja imenso a Fox Crime. Quando entro na sala, pergunto quantos mortos já houve no episódio e a resposta é sempre animadora para o negócio das funerárias.

McCann

Fica cada vez mais claro que a morte de Madelaine McCann se transformou num filão inesgotável para a indústria da especulação. É assim como uma espécie de Camarate.

Trotinetes


Vai ser preciso que morram, em acidentes, alguns passeantes de trotinetes elétricas para que soe o alarme de que não é possível continuar a ter gente a circular irresponsavelmente por ruas, passeios e passadeiras, sem seguirem a menor lei, às vezes com penduras e sempre sem capacete.

quinta-feira, outubro 07, 2021

Racismo


Na diplomacia, no estrangeiro, herdamos relações sociais. À volta das embaixadas, de todas as embaixadas, em todos e de todos os países, pululam figuras que, por uma qualquer razão do passado, fazem parte da chamada “lista social” da casa.

Quando chega um novo embaixador, essas personalidades locais, que tanto podem ser diplomatas reformados como “socialites” da mais variada natureza (há uma quota abundante de “singles”, que dão imenso jeito para compor mesas, em falhas de última hora), quase sempre gente educada, fazem um subtil esforço para renovar os laços com o novo chefe da missão, o que lhes permite garantir convites para os dias nacionais ou a inclusão em jantares e outros eventos da embaixada. São, em geral, pessoas muito agradáveis, mas quase sempre inúteis sob o ponto de vista de préstimos para os interesses práticos da embaixada. Contudo, é indelicado “deixar cair” essas pessoas.

Os embaixadores recém-chegados, nos seus primeiros meses em posto, são, como regra geral, convidados por elas, incluídos em ocasiões sociais em suas casas, muitas vezes organizadas em honra do próprio diplomata. E aí irão conhecer outras pessoas, algumas interessantes, outras menos, o que lhes permite ir alargando um círculo de conhecimentos locais em que também vai assentar a convivência no seu tempo em posto. Quando partem, o sucessor herda essa teia de contactos.

Muitos dos jantares para que os embaixadores são convidados acabam por tornar-se numa inenarrável seca. Outros são-no menos, havendo técnicas de conversa que, em ocasiões-limite, podem ser utilizadas para “sobreviver”. Eu, como todos os meus colegas, fui criando algumas…

Em Paris, numa dessas ocasiões, num jantar em casa de gente muito rica, fiquei em frente a um cavalheiro que, desde o primeiro momento, percebi ter uma conversa um tanto incontrolável. Era um empresário já reformado, que conhecia Portugal, e que começou por me felicitar pela “sorte” de eu ter sido compatriota de Salazar, a quem fez imensos elogios. Em especial, a política africana do ditador merecia-lhe todos os louvores - “Et je connais très bien l’Afrique, monsieur l’ambassadeur!”. Fui tentando desviar a conversa, mas o homem teimava.

A dona da casa, uma senhora simpatiquérrima, também com fortes vínculos conservadores em Portugal, percebeu que as coisas não estavam a ir no caminho certo, e procurava introduzir outros temas. Mas sem sucesso. Estava-lhe a ser impossível isolar da conversa um dos quatro temas tabu clássicos, para ambientes de gente bem educada que não se conhece bem entre si: política, religião, dinheiro e “falatório” sobre pessoas ausentes.

A certo passo, o nosso homem, quiçá animado pelo excelente vinho francês que esta a ser servido, que complementava um extraordinário champanhe que tinha sido provado à entrada, começou a falar das colónias africanas e do papel histórico aí representado pelos países europeus. E saiu-se com esta, a propósito dos africanos: “São uns selvagens! Eu, confesso, sou racista”.

Na mesa, fez-se um súbito silêncio. Os franceses têm uma expressão para caraterizar estes momentos de coletiva paralisia: “un ange passe!”. A dona da casa voltou a tentar uma manobra de diversão, carreando para a conversa outro tema. Mas, qual quê!, o palavroso amigo não desarmava. E eu voltei à ribalta: “Et vous, monsieur l’ambassadeur? Comme tout le monde, vous êtes aussi un peu raciste, non?”.

A mesa olhou para mim. Eu, sem “espaço”, tive uma súbita tentação de arrogante chauvinismo lusitano (embora a expressão seja adequadamente francesa) e, muito sério, respondi: “Moi? Non, monsieur, je suis pas raciste. Je suis portugais”. E olhei-o fixamente, com a cara fechada.

Imagino que ninguém por ali acreditasse, por um instante, que os portugueses não fossem (também) racistas. Nem eu próprio acreditava. O racismo não tem fronteiras e é óbvio que há imenso racismo para cá do Caia. A colonização portuguesa, salvo para alguns líricos ou hipócritas, está imbuída dele até às entranhas do império, com discriminações e todos os vícios de qualquer processo de colonização. (Ah! E desde já aviso que não entro na velha e relha avaliação quantitativa de que os portugueses são menos racistas do que outros povos ou que, no plano qualitativo, de que a nossa colonização foi ”melhor” do que as outras.)

Aquela minha cartada verbal defensiva foi entendida por todos, com naturalidade, como uma benévola manobra para procurar calar o meu impertinente interlocutor. Porém, ao dizer o que disse, naquele ambiente franco-francês bem conservador, eu deixava implicitamente uma nota de que ser francês talvez fosse, em matéria de racismo e (vá lá, de xenofobia) uma coisa bem diferente do que era ser português. Os portugueses que viviam em França sabiam isso bem! Só o excesso do palavroso convidado me tinha dado um alibi para dizer ali uma frase que, não obstante ser curta, era diplomaticamente bem pesada.

A conversa mudou. O homem, tanto quanto me lembro, calou-se e manteve-se, a partir daí, silencioso, pelo menos até à chegada do Armagnac, que terá vindo com o café, que foi servido depois das “profiteroles”.

Por que é que me lembrei disto? Porque me chegou ontem, pela Amazon, o último livro de Éric Zemmour, o surpreendente “cometa” que, nos últimos meses, emergiu na cena política francesa, que as sondagens, de há horas, colocam já à frente de Marine Le Pen e logo abaixo de Emmanuel Macron, para as presidenciais francesas do próximo ano. E Zemmour, esse sim, é claramente racista e xenófobo.

(Já estou a imaginar alguns amigos a perguntar: “Então mandaste vir um livro de uma figura de extrema-direita?”. Comigo a responder: “Eu quase só leio coisas com que não concordo!”)

Boa tarde


Passamos o tempo a dizer ”boa tarde” às pessoas, sem pensarmos que, às vezes, há mesmo boas tardes. Como hoje aconteceu.

Um erro desnecessário

Esteve mal António Costa ao colar-se ao mantra europês sobre o processo de adesão dos países dos Balcãs à União Europeia. E esteve ainda pior ao fazer a avaliação que fez sobre o último grande alargamento, repetindo o discurso simplista de que a União deveria ter sido aprofundada antes de ter procedido ao aumento dos Estados que fazem parte da atual União a 27. Isto é tanto mais surpreendente quanto António Costa não desconhece qual foi o sentido geopolítico que esteve subjacente àquele alargamento.

Um comentador pode dizer o que António Costa disse. Um primeiro-ministro, que se cruza na mesa do Conselho Europeu com os seus colegas que chefiam países que são hoje membros da União graças ao “timing” dos últimos alargamentos, não deve dizer que eles estão por ali por virtude de um erro temporal estratégico. E, no tocante aos Balcãs e ao eventual futuro alargamento da União a essa área europeia, António Costa deveria ter tido o cuidado de guardar os seus comentários para o recato do Conselho Europeu, não para os jornalistas.

Há, no entanto, uma boa notícia, na decorrência do que António Costa disse: é que, se porventura, ele tinha alguma ambição no sentido de vir a ser futuramente presidente do Conselho Europeu, essa hipótese ficou enterrada com a sua declaração de ontem. E isso permite aumentar a possibilidade de ele se manter como primeiro-ministro a partir de 2023 - e isso é uma excelente notícia para o país.

Dito isto, regresso ao que comecei por dizer: com a sua declaração de ontem, António Costa não fez um favor à política externa portuguesa, “to say the least”.

Outono?

 


O outono já não é o que era!

quarta-feira, outubro 06, 2021

“A Arte da Guerra”


Nos meios audiovisuais do “Jornal Económico”, em “A Arte da Guerra”, falo esta semana com António Freitas de Sousa sobre os “leaks“ relativos aos “paraísos fiscais” que estão a agitar a sociedade política internacional, sobre as dificuldades algo inesperadas que Joe Biden está a encontrar no seio do Partido Democrático, sobre as tímidas aberturas democráticas no Qatar e a situação nos restantes Estados do Golfo Arábico, bem como a propósito da questão das provocações militares de Beijing ao regime de Taiwan, com análise ao peculiar estatuto internacional deste território.

Pode ver o programa aqui.

terça-feira, outubro 05, 2021

Uma pergunta polémica

O tema é polémico, mas há uma pergunta simples que não vejo formulada: a frequência do surgimento de casos de pedofilia na igreja, para além dos desvios doentios de personalidade, não terá alguma coisa a ver com a manutenção desse instituto anti-natural que é celibato forçado?

É muito feio faltar a um almoço…



segunda-feira, outubro 04, 2021

Abstenção

A elevada taxa de abstenção em Portugal também se deve muito ao facto das listas eleitorais estarem desatualizadas. Não seria de refazer o atual recenseamento, pedindo às pessoas para confirmarem - num processo aberto durante alguns meses - a sua inclusão nas listas?

Futebóis

Devemos ficar muito satisfeitos com a obtenção de título mundial em Futsal. Do mesmo modo, é justo que comemoremos os êxitos obtidos em Futebol de Praia. Mas, a bem da realidade objetiva das coisas, não misturemos estas modalidades com o futebol disputado com 11 jogadores.

domingo, outubro 03, 2021

… do meio


Era uma expressão antiga, que, imagino, seja hoje politicamente incorreta mas, nem por isso, menos atual: "Esse tipo já está muito torradinha do meio"…

… e afinal não havia Super!

 


Desagravo da Bordúria


O embaixador Luís Filipe Castro Mendes publicou no Facebook o seguinte texto:

Aos nossos analistas e comentadores internacionais têm escapado completamente os graves conflitos que persistem na fronteira entre a Sildávia e a Bordúria. A paciência de Klow (que sabe que não pode contar com os seus aliados) contrapõe-se a arrogância com que a Bordúria continua a provocar incidentes e a ocupar territórios tradicionalmente sildavos. Francisco Seixas da Costa, de que estás à espera? Até quando esse silêncio cúmplice com o regime dos sucessores de Pleksy-Gladz, que mudaram o Partido Bigodista para Partido Patilhista, sem modificarem os seus métodos autoritários e arbitrários?

Respondi-lhe, naquela mesma prestigiada rede social:

É mesmo muito triste! Tenho uma vida de amizade com Luís Filipe Castro Mendes e nunca dele esperei uma coisa destas! Quando julgamos conhecer uma pessoa e críamos poder ter algumas certezas sobre a sua postura relativamente a grandes temáticas internacionais, somos surpreendidos, de chofre, por uma análise num tom e substância que só podemos qualificar por ligeiro, se não mesmo leviano. Luís Filipe Castro Mendes, ao acusar a Bordúria de atos agressivos contra a Sildávia, prestou-se a ser porta-voz de uma insinuação da maior gravidade. A Bordúria, saiba o embaixador Castro Mendes, é, como sempre foi, um Estado de bem, com uma reputação à prova de bala, como o ilustra o seu magnífico quadro de relações bilaterais, com a óbvia exceção da vizinhança pária que uma geografia madrasta lhe deixou como destino. Ou Luís Filipe Castro Mendes acha que uma entidade internacional com o prestígio da Abcásia, que desde sempre teve uma embaixada em Szohôd, brinca com essas coisas? Que outro país teve a coragem de estabelecer um consulado honorário em Stepanakert, cobrindo também a Transnístria? Quando o Bophuthatswana tentou reconhecimento internacional, foi, por acaso, bater às portas de Klow? É o vais! Que chancelaria foi procurada, como qualificado “honest broker”, dotado de uma diplomacia de fino recorte e provas dadas, para mediar o sangrento conflito entre San Théodoros e Nuevo Rico? Luís Castro Mendes, que firmou um nome na nossa diplomacia, a que seria desejável que se mantivesse fiel, devia evitar ser intoxicado pela nefasta propaganda sildava e, pior do que isso, deveria recusar-se a carrear para um espaço com o rigor e a seriedade do Facebook versões inquinadas de factos incontroversos. Ao que chegámos, meus senhores!

Este texto é ilustrado por uma clássica representação gráfica naïf da cidade de Szohôd, capital da Bordúria.

… e as Serras



Pela primeira vez na qualidade de membro do Conselho Consultivo da Fundação Eça de Queiroz, honrosa função para que fui recentemente convidado pelo respetivo Conselho de Administração, estive ontem em Tormes.

Olhando a paisagem em volta, neste Outono que já começa a merecer o nome, entende-se melhor o fascínio do escritor pelo local.

“Observare”


Sob a moderação de Pedro Bello Moraes, Carlos Gaspar, Luís Tomé e eu falámos, no “Observare” desta semana, do futuro político da Alemanha e do “namoro” entre a Turquia e a Rússia.

No que me toca, lembrei que o antigo presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi condenado a prisão efeitiva (do que ainda pode decorrer), o que deixa uma sombra sobre a direita democrática francesa neste tempo que antecede as eleições presidenciais, bem como o facto dos chefes militares americanos terem sido chamados ao Congresso, para uma espécie de “diebriefing” explicativo sobre as razões do colapso da sua missão no Afeganistão.

Como sugestão, lembrei o último filme inspirado na figura de James Bond, que culmina quase seis décadas de um mundo mitico “a preto e branco”, feito de “bons” e de “maus” da fita, que continua a agradar a muita gente (na qual, confesso, me incluo).

Pode ver, clicando aqui.

sábado, outubro 02, 2021

“Portugal no Mundo”


O modo como nos olham de fora, o contraste com aquilo que pensamos de nós mesmos ou o confronto com aquilo que é a objetiva realidade dos factos, bem como a forma de a melhorar, tudo isso foi objecto de um debate em que participei na passada quinta-feira, com outros convidados, por sugestão da RTP. Vários estrangeiros deram também a sua visão, neste interessante exercício coordenado por Ana Lourenço, no quadro da série “Fronteiras XXI”, numa parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Pode ver clicando aqui.

A capa

Uma das duas revistas semanais de informação da nossa praça trouxe ontem uma capa (porque é da capa, e só dela, que falo) sobre Carlos Moedas que é o retrato exato da indignidade em jornalismo.

Tenho bastante pena pela revista, de que sou leitor desde o número um e de que, há muitos anos e em outras encarnações editoriais, cheguei a ser colaborador. 

Conheço por lá gente que me merece consideração pessoal (não obstante eu próprio por ali ser zurzido, de quandoem vez, risco que agora deve aumentar), que lamento ver deslizar no plano inclinado para a mediocridade jornalística.

Espero que não surjam desculpas esfarrapadas, arguindo que, no texto que figura no seu interior, nada do que se escreve é repreensível e que o que se assinala na capa apenas reflete aquilo que a própria figura visada já tinha tornado público!

Não brinquemos! Se a revista finge não perceber a gravidade daquilo que fez - pior, se vier a procurar desculpar-se com “technicalities” e alibis de pacotilha - então apenas confirmará aquilo que muitos suspeitavam e que alguns teimavam em acreditar que não podia ser verdade: que se converteu, irremediavelmente, a uma conhecida e “infamous” escola de “jornalismo”, que, nos dias de hoje, representa o pior daquilo que existe na comunicação social portuguesa - e todos sabemos do que estou a falar!

Mas há uma esperança: a revista ainda vai a tempo de pedir desculpas formais a Carlos Moedas. Terá essa coragem ou assumirá o desplante, num editorial cheio de soberba, no seu próximo número, de achar que tinha consigo a razão? Vai ser um belo teste. Ficamos à espera!

Não vão ser tantos...

... os que hoje levo para a praia, mas não anda muito longe disto.