sexta-feira, abril 09, 2021

Um a zero

Hoje foi o primeiro dia em que a pandemia começou a perder terreno. Pelo menos, nos alinhamentos dos telejornais.

O adeus de Philip


Morreu o príncipe Philip, marido da rainha britânica. Tinha 99 anos. A série televisiva ”The Crown” terá contribuído para mudar, em muita gente, uma certa ideia que existia sobre a sua personalidade. O saldo dessa perceção não é, contudo, consensual.

Há já uns bons anos, na Noruega, tive uma simpática amiga, diplomata equatoriana, de seu nome Marta Dueñas. Era casada com um norueguês "muito norueguês", daqueles que construíam (não sei se ainda constroem) as próprias casas familiares de madeira, ao longo de vários meses ou mesmo anos. Chamava-se Erik e recordo-me que tinha um humor já algo "sulista", por virtude do convívio com os colegas da mulher, como era o nosso caso.

Um dia, o Erik contou-me uma troca de palavras que teve com o príncipe Philip, durante uma visita de Estado da soberana britânica à Noruega. Como era de regra, após o jantar oficial, o protocolo ia convidando os diplomatas, por uma ordem vagamente próxima da respetiva antiguidade, para se aproximarem do rei norueguês - à época Olav V - e da sua convidada. Numa linha mais atrás, o príncipe Philip exibia o seu sorriso e deixava cair alguns comentários.

Quando a diplomata equatoriana e o seu marido foram apresentados aos reis, o duque de Edimburgo acercou-se de Erik e, num aparte só ouvido pelo dois, comentou: "você e eu temos uma coisa em comum: são as nossas mulheres que trabalham!" Erik não sabia o que dizer: ele próprio tinha uma exigente profissão e vir a ser toda a vida "consorte" da mulher era a última coisa que lhe passava pela cabeça. Mas não quis desiludir o príncipe e deixou escapar: "De facto, é um privilégio estar na nossa posição..." Não contava com a reação de Philip: "Privilégio?! Isto às vezes é muito aborrecido, pode crer! Para si não é?". O norueguês, que detestava cocktails e jantares oficiais, a que só assistia por virtude da profissão da mulher, achou que tinha ganho espaço para uma graça: "Ao menos, bebemos uns copos!" Ao que Philip, sorrindo, respondeu: "Pois hoje, a mim, de nada me valeu ainda ser marido da raínha! Ainda não consegui que me servissem um scotch..."

“A Arte da Guerra”


Com o jornalista António Freitas de Sousa, num ”podcast” do Económico TV, falo das recentes eleições na Bulgária, nos novos equilíbrios no Parlamento Europeu, dos esforços europeus para reconstituir o acordo nuclear com o Irão e do modo como mais recente atentado junto ao Capitólio, em Washington, prova que a América vive sob uma tensão interna que nem a presidência apaziguadora de Joe Biden está a conseguir atenuar.

Pode ver aqui

Por esse Rio abaixo

Parece hoje muito óbvio que Rui Rio, como solução para se libertar de um certo PSD, desenhou uma política interna de alianças que o tornou, em absoluto, refém do lóbi autárquico. O preço ético está a ser elevado: depois do caso dos Açores, a caminho das eleições autárquicas, parece que “já vale tudo”.

Juíz de dentro

Hoje é o dia em que muito português vai revelar o sofisticado jurista que, afinal, vive há muito dentro de si

quinta-feira, abril 08, 2021

Irlanda do Norte

Para já, os acontecimentos violentos em Belfast parecem titulados por adolescentes protestantes em raiva, face ao que entendem ser uma objetiva derrota dos unionistas, que interpretam o estabelecimento de uma “fronteira” marítima entre a Irlanda do Norte e a Grã-Bretanha (Inglaterra, Gales e Escócia), indispensável para que o território se mantenha no Mercado Interno da UE (isto é, sem uma fronteira física com a República da Irlanda), como uma cedência às pretensões dos católicos que desejam a ligação à República da Irlanda. Porém, se os movimentos políticos unionistas, que já informaram, há semanas, os governos de Londres e Dublin de que se dissociavam politicamente do “Acordo da Sexta-Feira Santa” (processo de paz assinado em 1998), vierem a assumir essas reivindicações (e o surgimento de vítimas pode facilmente ser um rastilho) e a assinalar uma espécie de “nil obstat” à retoma de atividade das fações armadas protestantes que, nos últimos anos, se têm mantido em sossego, as coisas podem descambar perigosamente. É que, do lado católico, haverá um mimetismo automático. 

Honra a Joe Biden

Um “bravo!” para a coragem de Joe Biden em lançar uma cruzada para enfrentar a “pandemia” das armas em que os EUA vivem, desde sempre.

Será uma guerra muito longa, com implicações constitucionais, resistências estaduais e lóbis poderosos.

Mas este gesto honra muito a figura de Joe Biden.

quarta-feira, abril 07, 2021

Jorge


Há pessoas que a vida nos oferece o privilégio de, um dia, podermos vir a ter como amigos. Alguém que começamos por conhecer num registo mais ou menos distante, cujo percurso vamos seguindo e de cujas qualidades, pela atitude, pelo exemplo, pelo caráter, nos vamos progressivamente apercebendo. E que passamos a admirar.

Para mim, Jorge Coelho, que agora desapareceu, era uma dessas figuras. Criei com ele uma forte amizade e devo-lhe atenções, no nosso relacionamento pessoal e profissional, que nunca esquecerei.

Entrámos exatamente no mesmo dia para o governo, fomos convivendo por ali aquilo que as nossas funções justificavam, iamo-nos vendo e falando, ao longo desses mais de cinco anos. Havia mesmo, no início, como que uma certa cerimónia entre nós, ainda que sempre marcada por uma forte cordialidade. Fez, há pouco, 20 anos que coincidiu saírmos, também no mesmíssimo dia, do governo. Ele tinha tido então a dignidade de assumir, com frontalidade, a suprema responsabilidade política de uma tragédia ocorrida numa área que tutelava. O país reconheceria, para sempre, esse seu gesto de grande nobreza.

Depois, o Jorge veio a passar por um período muito difícil de saúde. Esteve então nos limites da vida. Recuperou, com imensa coragem, com a Cecília e a força da família a seu lado, que agora comovidamente abraço. Deu a volta à roda da vida, regressou a ela em pleno. Atirou-se, com um génio empresarial que mostrou que era o seu, a funções elevadas no setor privado. A Mota-Engil, com ele, abriu-se e expandiu-se pelo mundo. Sei bem que o seu grande amigo António Mota estará hoje, como muito poucas pessoas, a passar por um luto muito sentido pelo desaparecimento do Jorge.

Tendo abdicado por completo da política ativa, o Jorge não deixava de se interessar pela vida cívica. Nos debates televisivos, durante anos, o país apreciou a sua moderação e seu sentido da medida. Jorge Coelho era uma permanente voz da razoabilidade, sempre à luz da matriz de convicções de solidariedade que eram as suas, desde muito jovem. Pensava pela sua cabeça, era ouvido por quem lhe apreciava o equilíbrio, era um cidadão e um democrata de corpo inteiro. Mas a imagem do Jorge ia muito para além desse mundo: pergunte-se a empresários, sindicalistas e personalidades de vários setores o que o nome de Jorge Coelho lhes suscitava e observarão uma alargada opinião muito positiva.

Mas falar do Jorge, é falar também da sua imensa alegria, das histórias deliciosas que contava, do universo de coisas por que passou, que recordava sempre sem acrimónia, de onde retirava aspetos positivos. Nunca o vi rancoroso, embrulhado na intriga, que a política tantas vezes convoca. Pelo contrário, diluia conflitos e, mesmo na atitude crítica que assumia, tinha um imenso respeito pelos adversários.

Nos últimos anos, o Jorge decidiu voltar às origens. Retomando uma tradição familiar, dedicou-se à sua terra, a Mangualde, onde construiu uma unidade industrial de queijos que era, nos dias de hoje, o seu grande entusiasmo de vida. Que agora tem o seu ponto final. O país perdeu um grande cidadão. E eu perdi um amigo.

Adeus, Jorge!

 


terça-feira, abril 06, 2021

Da Argaçosa ao Pat Boone


A antiga praça de touros de Viana do Castelo começou a ser demolida. 

Já reparei que há quem ache isso um atentado contra o património edificado local e, por outro lado, quem considere que se trata de um sinal saudável dos tempos, em especial numa cidade que, há muito, já havia decidido não realizar, para sempre, touradas. Creio que só estive naquelas bancadas uma única vez, para uma garraiada. 

No lugar, irá surgir um complexo desportivo moderno e, pela imagem que foi divulgada, parece que bastante funcional.

A praça de touros da Argaçosa - quantas pessoas de Viana a conhecerão ainda por esse nome? - fez parte do meu cenário de infância. Era um lugar de namoro, dentro dos carros, com uma fama pouco recomendável para levar raparigas, por se situar numa área distante do centro da cidade. Ficava nas cercanias das Azenhas de Dom Prior, uma interessante estrutura movida pelas marés que entravam pelo Lima acima, e que desconheço se ainda é preservada.

Ainda a anteceder tudo aquilo, logo que se passava por debaixo da ponte Eiffel, havia o Límia Parque. Continua a existir. Ali prendi a andar de bicicleta, que se alugava ao quarto de hora. Chegou a estar bem na moda! Tinha um belo café, lanchava-se por lá, sempre com música. Havia um ringue de hóquei e tudo confinava com o ténis. Durante muito tempo, o Límia Parque foi “o” lugar da modernidade de Viana. Grandes festarolas ali se realizaram.

No café do Límia Parque, recordo-me, havia uma máquina de “pôr discos”. Cada música custava “uma coroa” (50 centavos) e, como bem assinala o “Chico Rendeiro”, um amigo que tem o heterónimo de Francisco Trindade Lopes, carregando no J6 saía o “Anastasia”, do Pat Boone.

Não tenho artes de lhes reproduzir aqui o cheiro, que era único, do “mazagran” (já ninguém sabe o que isso é), que se servia no Límia Parque. Mas, em compensação vou deixar o “cheirinho” musical do J6. Ouça aqui.

O cromo do Maserati


Hoje, pareceu-me vê-lo, numa rua de Lisboa. Ia num Mercedes. Mas o cruzar rápido dos carros não me deu tempo suficiente para ter essa certeza. 

Foi há dois anos, numa determinada cidade portuguesa. Íamos a caminhar por um passeio, com um casal brasileiro, na busca de um local, quando, ao nosso lado, caminhando pela rua, senti que alguém começava a acompanhar-nos. De súbito, um pouco atrás de mim, ouço dizer para a minha mulher: “O seu marido já não me conhece! Mas foram bons tempos!”.

Voltei-me e dei de frente com um homem de estatura pequena, calças vermelhas, camisola de gola alta preta, debaixo de um blusão de boa marca. O cabelo não tinha uma branca, o que só não era extraordinário para alguém com uns bons quatro ou cinco anos mais do que eu porque o trabalho de tintas do barbeiro tinha sido excelente.

A cara dele dizia-me qualquer coisa, mas o nome não me saltava. Se a minha memória o não disse, disse-o ele. Era um velho colega de faculdade, com quem nunca tinha tido uma relação próxima, mas que, dito por ele o seu nome, lembrava desses tempos. Fazia parte daquelas figuras que, nas turmas universitárias, se isolavam por serem um pouco mais velhas, acamaradando preferencialmente com colegas da sua faixa etária.

Cumprimentei-o com genuína simpatia, porque era isso que me merecia um colega que deixara de ver, sei lá!, talvez em 1971 ou 72. 

Para encher o encontro fortuito, para dar conteúdo àqueles raros instantes, falei-lhe de nomes de gente desse tempo, que eu ainda costumava encontrar. Lembrava-se de um ou dois. Sabia bem o que eu tinha feito na vida, vira o meu nome, ao longo dos anos, aqui ou ali e, como acontece nestas ocasiões, a conversa começou rapidamente a esvaziar-se. 

Lembrei-me de perguntar-lhe: “E tu? O que é que fazes? Ou o que é que fizeste, porque já deves estar reformado”. 

Abriu-se-lhe então um sorriso e saiu-se com esta: “Eu acabei aquilo lá em baixo (era o curso), vim para cá e nunca fiz nada!”. 

Curioso, inquiri: “Mas nunca te empregaste? Nunca usaste o curso?”

Ele fez uma pausa e, sempre de sorriso aberto, esclareceu: “Estou cheio dele!”

Por um segundo, não percebi o que quis dizer e, pela minha cara, ele deve ter logo intuído isso. Pelo que detalhou: “De bago, pá, de massa! Vivo à grande! Sempre vivi, nunca fiz nada, não precisava”.

Eu estava aturdido com a deriva da conversa. Os meus companheiros de jornada, a um metro ou dois, esperando por mim, iam ouvindo pedaços do diálogo. Saiu-me então um “Ainda bem, pá!, sorte a tua!”

Mas ele não largava e quis detalhar melhor a ordem da alegada grandeza: “Lá na garagem, tenho um Maserati amarelo e um Mercedes (e citou umas letras e uns algarismos que, para mim, completamente ignorante em carros, não me diziam nada, mas que imaginei deviam ser o máximo). Terei dito: “Ah! Sim? Boa!”. 

Já farto, rematei com um “Tive imenso gosto em ver-te, pá! Olha! E saúde para gozares tudo isso!” Não fiquei sem resposta: “Tenho! Ótima!”. 

Guardei então a sensação de que, se tivesse deixado passar mais um minuto, se a minha mulher e o casal brasileiro não me começassem a dizer que tínhamos de ir andando, a conversa ia descambar, necessariamente, para “gajas”! E aí, tive alguma pena, confesso! Já agora, tinha sido uma dose completa! 

Ele há cada cromo! Mas, como aquele, palavra! nunca tinha encontrado na vida!

(Dedico esta história à Eni e ao António Carlos Portugal, testemunhas presenciais daquela singular conversa. Vão-se lembrar, com toda a certeza!)

A luz da Lusitânia


A Lusitânia é uma estimável e prestigiada companhia de seguros que tenho por vizinha, da rua de São Domingos à Lapa, em Lisboa. 

Ocupa um excelente edifício que, por muitas décadas, foi a chancelaria da embaixada britânica em Portugal. 

Ao que se nota da fachada principal e, muito em especial, da parte lateral do edifício, foram ali feitas, há anos, fartas obras, que dão mostras de terem requalificado o prédio, mantendo a sua clássica dignidade.

Até aqui, tudo bem. Só que, naquilo que só se pode compreender como uma decisão impensada, as varandas fronteiras do prédio são, à noite, servidas por uma iluminação mal engendrada, com um luz branca muito agressiva, nada adequada ao sublinhar elegante das varandas, com a agravante de, nos últimos tempos, haver mesmo por ali lâmpadas fundidas ou tremelicantes de uso.

Estou convicto de que os responsáveis da Lusitânia sabem que há hoje, em Portugal, qualificadas empresas de iluminação capazes de desenhar para o seu prédio um jogo de luz harmonioso, de tons mais serenos, capaz de valorizar muito, nas horas noturnas, a incontestável beleza da sua fachada.

A Lusitânia pode ficar a saber que a sua vizinhança de rua ficaria muito satisfeita se a companhia, com um gesto de melhoria neste domínio, pudesse contribuir para o embelezamento da artéria.

Estou mesmo em crer que alguns de nós encararíamos a possibilidade de transferir para a empresa alguns dos nossos seguros - desde que a preços comparáveis, claro!

segunda-feira, abril 05, 2021

Então, Mário?!

Agora que há o regresso às aulas, não seria tempo do Mário Nogueira marcar uma greve?

domingo, abril 04, 2021

Almeida Henriques


O vírus está a ser mortífero para várias pessoas que fui cruzando pela vida. É agora o caso de Almeida Henriques, atual presidente da Câmara de Viseu. Já o conhecia da política lisboeta, mas voltei a encontrá-lo quando passou a integrar a delegação portuguesa à Assembleia Parlamentar da OSCE, em Viena, onde tive o gosto de recebê-lo e com ele conviver um pouco mais. Era um homem de grande simpatia, de quem guardo uma imagem muito cordial e que, anos mais tarde, veio a revelar-se um autarca fortemente dedicado à sua terra. Deixo aqui meus sentimentos à sua família.

sábado, abril 03, 2021

Fascismo às pingas


Anda aí uma malta, que agora descobriu que é “fino” diabolizar o comunismo, tentando vender (já vai tarde!) que, afinal, não houve fascismo em Portugal. 48 anos de ditadura deve ter sido um passeio dos alegres!

Podemos imaginar que, ao verem esta fotografia, devem achar que aquela rapaziada, com o ferrete do S no cinto, estendia o braço para perceber se estava a chover! 

“Quem lhes atasse um arado”, como se diz na minha terra...

Libertários reaças

A quanto obriga o ter de ser ”do contra”! Uma parte da direita portuguesa, a que abandonou o bom senso conservador e o sentido cívico, descobriu, nos últimos tempos, uma costela libertária e faz proclamações de sentido idêntico aos negacionistas.

Os amigos de Lula

Achei imensa graça à lista de amigos portugueses que Lula elencou na sua entrevista à RTP, a quem quer dar um abraço quando por cá passar. Felizmente para eles, a pandemia desaconselha esse gestos físicos de afetividade, caso contrário podia presumir-se o embaraço de alguns.

Falta de notícias

O desespero com que a comunicação social se quer agarrar ao “conflito” entre Marcelo e Costa por causa das leis que agora vão para o Tribunal Constitucional roça o ridículo. Era tão bom para as audiências que eles se “pegassem” e viesse aí uma crisezeca, não era? Que gente!

Currículos

Num mundo em que toda a gente vai ao Google por tudo e por nada, é surpreendente que ainda surjam pessoas a falsificar currículos (há quem escreva “curricula”, para mostrar que sabe latim), coisa que hoje é, quase sempre, verificável com meia dúzia de buscas. Além de desonesto, quem “melhora” CVs com mentiras é apenas parvo.

Lula e Maduro

Percebo que Lula sinta uma forte gratidão face à Venezuela, por tê-lo apoiado nos piores momentos que viveu nos últimos anos. Mas faz-me impressão que alguém que soube gerir o Brasil em plena democracia, sob aplauso quase generalizado pelo mundo, sem nunca ter então colocado ou deixado colocar em causa, minimamente, a liberdade e a separação de poderes, tolerando as críticas da imprensa e a agressividade política da oposição, não consiga entender quanto avilta a sua imagem estar a colar-se a uma figura como Nicolás Maduro, protegendo publicamente o atual regime venezuelano. 

O presidente venezuelano não é mais do que um autocrata de segunda classe, um “genérico” medíocre de Chavez, que mostra não ter o mais leve respeito por quem dele discorda. Falar da existência de democracia na Venezuela atual não é apenas alimentar uma ficção, é colaborar numa mentira descarada.

Lula tem razão, contudo, ao desqualificar a figura de Guaidó, que se auto-intitulou presidente e que acabou por ser um títere que os americanos adularam, quando estavam convencidos de que a queda de Maduro estava por dias - uma patética aventura em que a União Europeia, na sua “política externa” de trazer por casa, se deixou embarcar.

Há uma coisa que a União Europeia, em termos internacionais, tem de aprender, de uma vez por todas: quando não sabe o que há-de fazer, deve perceber que a melhor resposta para isso não é necessariamente fazer aquilo que os americanos querem que ela faça.

Comemorações nacionais?

Serei eu quem está enganado ou seria natural que a posse da pessoa encarregada das comemorações nacionais da datas fundacionais do país foss...