"A crescente imprevisibilidade na atitude dos EUA, que foi, por décadas, o principal parceiro garante da paz e regulador da segurança e defesa da Europa, torna mais imperativa e urgente a questão da "autonomia estratégica" do continente nesses domínios. Procurando deliberadamente fazer sair o debate de uma perspetiva voluntarista - daquilo que seria desejável - seria interessante abordar, de forma pragmática, o que realisticamente pode vir a ser possível fazer:
1. Que formato institucional e prático pode assumir a afirmação da autonomia estratégica nos domínios da segurança e defesa? Qual o papel que a União Europeia pode desempenhar nesse esforço europeu e como compatibilizar os seus mecanismos funcionais com posições anunciadas por alguns países membros, que se aproximam de um modelo de "diretório" - que os tratados não preveem?
2. Que evolução é plausível que a NATO possa vir a ter, que venha a ser compatível com um contexto político e institucional de maior autonomia estratégica?
3. Como assegurar apoio político, maioritário e constante, dentro das democracias europeias, e sob uma geometria variável, de vontades e de quadros políticos internos, ao esforço financeiro e militar que vai ser necessário desenvolver para esse novo modelo?"
Este foi guião que propus para o debate que moderei esta manhã, entre mais de duas dezenas de especialistas, com o embaixadora da UE, Sofia Moreira de Sousa, numa iniciativa conjunta do Clube de Lisboa / Global Challenges e da Representação da União Europeia em Portugal.
